| Câmara
Técnica de Medicamentos - CATEME
Riscos e benefícios dos
inibidores seletivos de COX-2: recomendações da
Câmara Técnica de Medicamentos (CATEME)
Em 30 de novembro e 1° de dezembro de 2004, durante a 27ª
reunião ordinária da Câmara Técnica
de Medicamentos (CATEME), foi feita apresentação
e discussão sobre o rofecoxibe e demais coxibes inibidores
seletivos de COX-2, tema que foi incluído na pauta em função
da então recente retirada do mercado, em nível mundial,
do VIOXX® (rofecoxibe), e da preocupação com a segurança
de outros medicamentos do mesmo grupo, já comercializados
ou em via de comercialização no Brasil. Desta reunião
saiu a versão preliminar de um documento, o qual foi revisado
e ampliado na 28ª reunião ordinária daquela
Câmara, realizada em 15 e 16 de fevereiro de 2005. Esse
documento é aqui resumido, e deve subsidiar as decisões
da Anvisa a respeito dos medicamentos dessa classe atualmente
registrados no país, ou que aqui estejam sendo utilizados
em pesquisas clínicas.
A CATEME considerou que existem evidências de eficácia
dos coxibes como analgésicos e/ou antiinflamatórios
para diversas indicações aprovadas no Brasil para
os seguintes produtos:
| Princípio
ativo |
Nome
comercial |
Fabricante |
| Celecoxibe |
CELEBRA® |
Pfizer |
| Etoricoxibe |
ARCOXIA® |
Merck
Sharp & Dohme |
| Lumiracoxibe |
PREXIGE® |
Novartis |
| Parecoxibe |
BEXTRA
IM/IV® |
Pfizer |
| Rofecoxibe* |
VIOXX® |
Merck
Sharp & Dohme |
| Valdecoxibe |
BEXTRA® |
Pfizer |
*Registro
cancelado. |
A dose diária e tempo de uso variam conforme o produto
e a indicação terapêutica. Considerou-se que
não há prova conclusiva de eficácia e segurança
na faixa pediátrica para os coxibes atualmente registrados
no Brasil. Os coxibes não são considerados mais
eficazes que os outros antiinflamatórios não esteroidais
(AINEs) para as indicações aprovadas. Quanto à
segurança, de uma maneira geral, os ensaios clínicos
com os coxibes mostraram uma incidência menor de complicações
no trato gastrintestinal (TGI) superior que os comparadores utilizados
(outros AINEs). Existem estudos que sugerem um aumento de eventos
cardiovasculares associados ao uso de coxibes, ressaltando-se
que tais eventos são farmacologicamente plausíveis
para a classe dos coxibes. Por não existirem ensaios clínicos
que comparem entre si, a segurança entre coxibes, é
difícil se estabelecer se há uma variação
de risco de RAMs cardiovasculares entre os diferentes medicamentos
pertencentes a essa classe. De uma maneira geral parece que os
riscos de RAMs cardiovasculares estão relacionados à
dose e ao tempo de uso dos coxibes. Há outras RAMs associadas
ao uso de coxibes, seja por efeito de classe dos mesmos, como
a nefrotoxicidade, seja por reações raras e presumivelmente
idiossincrásicas associadas a cada um deles, individualmente.
A CATEME sugeriu que fossem feitas as seguintes recomendações
aos profissionais de saúde e aos consumidores quanto ao
uso dos coxibes:
Recomendações para
profissionais de saúde:
Recomendações
Gerais:
Recomendações
aos usuários:
- Nenhum
antiinflamatório deve ser utilizado sem a devida prescrição
de médico ou de cirurgião-dentista;
- Sempre
solicitar esclarecimentos ao prescritor sobre os benefícios
e riscos do tratamento;
- A dispensação
de antiinflamatórios prescritos deve ser feita sob orientação
de farmacêutico;
- Seguir
rigorosamente a posologia conforme a prescrição
determinada;
- Comunicar
imediatamente ao médico, cirurgião-dentista ou
farmacêutico o aparecimento de problemas durante o tratamento
A CATEME também
recomendou as seguintes ações a serem tomadas pela
Anvisa:
- Exigir
que os produtores de medicamentos enquadrados como inibidores
seletivos de COX-2 façam o protocolo na Anvisa de petição
de “Notificação de Alteração
de Texto de Bula”, contendo recomendações
e advertências relacionadas aos riscos cardiovasculares
e outros riscos tratados nesse documento;
- Retirar
do texto de bula do celecoxibe a possibilidade de utilização
de doses superiores a 400mg;
- Produzir
documento informativo ao prescritor/dispensador e demais profissionais
de saúde, recomendando o uso racional desses medicamentos.
A divulgação desse documento poderá ser
realizada por meio dos Conselhos Profissionais e as Associações
de Classe;
- Revisar
as indicações de uso aprovadas dos coxibes registrados
no Brasil;
- Revisar
as propagandas divulgadas pelos laboratórios brasileiros
sobre os coxibes.
Outras recomendações
de ordem mais geral dirigidas à prevenção
de situações semelhantes no futuro, mas que não
se aplicam exclusivamente ao caso dos coxibes, foram as seguintes:
- Criar
e acrescentar um símbolo na embalagem/rotulagem/bula
de medicamentos inovadores indicando que é um medicamento
novo e que o conhecimento do perfil de segurança é
limitado, necessitando atenção especial;
- Estimular
a notificação voluntária de reações
adversas dos profissionais de saúde, em especial para
medicamentos novos;
- Promover
o uso racional de medicamentos;
- Incentivar
a realização de estudos independentes da indústria
farmacêutica;
- Revisões
sistemáticas de eventos adversos atualizadas continuamente
com base em dados publicados e não publicados de ensaios
controlados randomizados e estudos observacionais.
Brasília,
21 de fevereiro de 2005
Gerência de Medicamentos Novos, Pesquisa e Ensaios Clínicos
Unidade de Farmacovigilância
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