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Orientação
ao Viajante
Hepatites
Virais
O que são?
Doença provocada por diferentes tipos de vírus,
com características epidemiológicas, evolução
clínica, imunológicas e laboratoriais distinta.
A distribuição das diferentes formas de hepatite
é heterogênea em todo mundo. No Brasil - na Região
Norte, no Espírito Santo e no Oeste de Santa Catarina -
a maior prevalência é a de hepatite B.
Qual o agente envolvido?
As características dos principais vírus hepatotrópicos
(tropismo pelo fígado) são:
VHA: período de incubação curto, não
cronifica, e na maioria das vezes tem evolução benigna
para cura. VHB: dependendo da idade do paciente infectado - antes
ou depois dos 5 anos de idade - o quadro pode evoluir para cronicidade,
em percentuais que vari-am de 10% a 90% do casos. VHC: A cronificação
ocorre em mais de 80% dos casos. VHDelta: se associado ao VHB,
agrava o quadro clínico do paciente, com evolução
mais rápida para cirrose ou câncer de fígado.
VHE: pode determinar quadro grave em mulheres gestantes. Hepatite
F: Hepatites French Origin (HFV), demonstrado: Inglaterra, França,
USA, Índia, Itália.
Quais os sintomas?
As hepatites podem ou não apresentar sintomas. Quando presentes,
os sintomas são os seguintes: mal-estar, cefaléia
(dor de cabeça), febre baixa, anorexia (falta de apetite),
astenia (cansaço), fadiga, artralgia (dor nas articulações),
náuseas, vômitos, prurido (co-ceira), desconforto
abdominal na região do fígado e aversão a
alguns alimentos e ciga-ro. A icterícia geralmente inicia-se
quando a febre desaparece e pode ser precedida por colúria
(urina escura) e hipocolia fecal (descoloração das
fezes). A Hepatomegalia (aumento do fígado) ou a hepatoesplenomegalia
(aumento do fígado e do baço) também pode
se apresentar como sintoma.
Como se transmite?
Varia de acordo com o agente etiológico. Nas hepatites
A e E a transmissão é fecal-oral, ocorrida por meio
de água e alimentos contaminados ou pelo contato de pessoa
a pessoa (contato intrafamiliar e institucional). As hepatites
B e D podem ser transmitidas pela via sexual, pelo sangue (parenteral),
pelo compartilhamento de objetos de higiene pessoal (alicates
de unha, lâminas de barbear, escova de dente), após
confecção de tatuagens e colocação
de piercings. Também é possível ocorrer contaminação
durante procedimentos cirúrgicos e odontológicos
sem a adequada biosegurança. A mãe infectada pode
passar para o bebê (transmissão perinatal).
A principal fonte de contaminação da hepatite C
na atualidade é o uso de drogas injetáveis, de forma
compartilhada. Outras importantes fontes de contaminação
são: a realização de transfusões de
sangue sem realização de teste de detecção
e o uso de instrumentos perfuro cortantes sem esterilizar (agulhas
de injeção, instrumentos de manicura, pedicuro,
dentista, acupuntura, tatuagens, etc).
Como tratar?
Não existe tratamento específico para a forma aguda.
Se necessário, o tratamento pode ser apenas sintomático
para náuseas, vômitos e prurido. Como norma geral,
recomenda-se repouso. Dieta pobre em gordura e rica em carboidratos
é popularmente utilizada, porém seu maior benefício
é ser mais palatável para o paciente anorético.
De forma prática, deve ser recomendado que o próprio
paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação
alimentar. A única restrição está
relacionada à ingestão de álcool, que deve
ser suspensa por seis meses, no mínimo, e preferencialmente
por um ano. Medicamentos não devem ser administrados sem
recomendação médica para que não agravem
o dano hepático. As drogas consideradas "hepatoprotetoras",
associadas ou não a complexos vitamínicos, não
têm nenhum valor terapêutico. As hepatites B e C têm
rotinas terapêuticas específicas, disponíveis
no Sistema Único de Saúde (SUS).
Como se prevenir?
O conhecimento das formas de transmissão e prevenção
das Hepatites virais, por meio de uma ampla e maciça divulgação,
pode interromper a cadeia de propagação destes vírus.
Existem diferentes formas de prevenção e elas variam
de acordo com o tipo de vírus. A hepatite A
tem como medidas de prevenção os cuidados com a
higiene pessoal - como lavar as mãos após ir ao
banheiro, ao preparar alimentos e antes das refeições,
além beber água tratada, lavar e desinfetar alimentos,
como frutas e verduras, antes de serem consumidos crus. A melhoria
do saneamento básico é importante para o controle
da infecção. A hepatite B tem como
medidas de prevenção à vacinação,
que confere imunidade efetiva em até 95% dos indivíduos
jovens que recebem corretamente as três doses necessárias;
o uso de preservativos nas relações sexuais; o uso
das normas adequadas de biossegurança para procedimentos
cirúrgicos e odontológicos; o não compartilhamento
de objetos de uso pessoal (escovas de dente, lâminas de
barbear, alicates de unha) e dos materiais utilizados para uso
de drogas injetáveis e inaladas (canudinho, cachimbo, seringas
etc). Para a prevenção da hepatite C,
utilizam-se os mesmos cuidados da hepatite B, com a diferença
de não existir vacina contra esse vírus. As medidas
de prevenção da hepatite D são
as mesmas da B, já que esse vírus é adquirido
apenas por pessoas que tiveram a B, vindo para agravá-la.
Situação
das Hepatites Virais no Mundo
A distribuição
das diferentes formas de hepatite é heterogênea em
todo mundo.
Recomenda-se a revisão da situação vacinal
contra hepatite B para todos os viajantes e como orientações
em geral:
- Intensificar
os cuidados com a higiene pessoal - como lavar as mãos
após ir ao banheiro, ao preparar alimentos e antes das
refeições,
- Beber água
tratada e lavar e desinfetar alimentos, como frutas e verduras,
antes de serem consumidos crus.
- Uso de
preservativos nas relações sexuais;
- Não
compartilhamento de objetos de uso pessoal (escovas de dente,
lâminas de barbear, alicates de unha) e dos materiais
utilizados para uso de drogas injetáveis e inaladas (canudinho,
cachimbo, seringas etc).
Distribuição
da Hepatite A no Mundo
Fonte:OMS
2004
Distribuição
da Hepatite B no Mundo
Distribuição
da Hepatite C no Mundo
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