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Autorização |
Aspectos de Segurança no
Ambiente Hospitalar INTRODUÇÃO O
Dr. Samuel Dwane Thomas, residente em urologia do Hospital Episcopal na Filadélfia
– EUA, estava realizando uma cirurgia denominada prostatectomia transuretral usando
para isso um instrumento conhecido como ressectoscópio. Repentinamente, na metade
da operação, o instrumento falhou e o Dr. Thomas sofreu uma severa queimadura
de origem elétrica, afetando diretamente a córnea de seu olho direito (1).
Acidente no
ambiente hospitalar é fato. Estes envolvem como citado no
exemplo acima, o profissional da área da saúde como também
pacientes, visitantes, instalações e equipamentos. Muitos
acidentes acarretam vários tipos de prejuízos, sendo que
destes, alguns dão origem a ações legais movidas entre os
envolvidos. Essa situação tem ocorrido e sido registrada,
com frequência, em países desenvolvidos. Visando compreender
a origem destas lamentáveis situações, será apresentado
um breve histórico sobre a evolução da estrutura hospitalar
que atende a grandes populações.
Para uma pessoa da Idade Média,
seria inconcebível um tratamento médico da própria casa. Onde o doente poderia
ser melhor tratado? Quem lhe poderia dispensar mais cuidados pessoais do que a
própria família e os próprios empregados? E, se não havia hospitais para os ricos,
que podiam chamar o médico a sua casa, muito menos para as pessoas do povo. O
número de indigentes, com rendas contrastantes na época, deve ter sido imenso.
Quando um deles não podia mais agüentar de pé, havia ainda o problema de achar
um lugar para morrer, ou ainda, para ocultar sua enfermidade, de estigmas como
a lepra ou a sífilis, que o faziam intocável. Quem
abrigaria um estranho? Só as pessoas para quem as coisas do mundo e as classes
sociais nada significassem. Isto é, somente os monges católicos sem seus mosteiros.
(2). Das raízes da hospit, hospites (estranho, forasteiro) viria o nome hospitium,
que alguns monges atribuiam ao lugar em que alojavam os enfermos itinerantes que
lhes vinham pedir pousada. Das mesmas raízes viriam palavras como hóspede, hospital,
hotel, hospício. Analisando
suas origens vemos, portanto, que o hospital era tido apenas, como um retiro de
indigentes enfermos. Muitos, aliás, ainda o são, embora se dispensem aos internados
atenções médicas condizentes com a situação da época. O primeiro hospital brasileiro,
que existe até hoje, foi fundado com esse objetivo, sendo esta a causa do seu
nome: Santa Casa de Misericórdia, em Santos, iniciativa de Brás Cubas, em 1543.
Como todos os outros da época, principalmente na Europa, estava subordinados à
Igreja Católica. Os hospitais subordinados ao Islã, também existiam e, eram superiores
em condições de higiene, cuidados, instalações e medicamentos, sendo que o mais
pretensioso foi fundado no século X. (2,3). Entretanto,
foi só a partir do século XVIII, na Europa, que as autoridades civis começaram
a construir e administrar hospitais, principalmente em Paris, Londres e Roma.
Sociedades beneficentes, mantidas pelas classes dominantes, também passaram a
dar sua contribuição. Em Hamburgo, lojistas construíram um sanatório para portadores
de varíola; os mercadores de seda de Bolonha fundaram o Hospital dos Inocentes. Se
vivesse hoje, aquele mesmo paciente rico da Idade Média acharia inconcebível,
talvez, que não o tratassem em um hospital. O que causou a reviravolta? Certamente,
os avanços tecnológicos, os cuidados dispensados aos pacientes que vêm sendo aperfeiçoados
a cada dia, as técnicas cirúrgicas inovativas, novos procedimentos e equipamentos
de diagnóstico, os avanços farmacológicos e a melhor compreensão dos processos
das doenças. O amplo
uso desses recursos também fez com que fosse introduzida nos hospitais uma complexidade
de equipamentos e fármacos geradores de risco aumentando, no entanto, a possibilidade
de erros de procedimentos e uso incorreto dos mesmos (4). Nesse
ponto, é importante mencionar algumas definições e afirmações relacionadas a erros: "O
erro humano e uma decisão ou comportamento indesejável que reduz ou tem potencial
para reduzir a eficácia, segurança ou performance de um sistema"(5); "Erro
de operação é a principal fonte de risco para hospitais que usam equipamento biomédico"
(6);"...no mínimo, metade de todas as lesões ou mortes de pacientes relacionadas
a equipamentos médicos envolvem o mau uso ou erro de operação feito pelo pessoal
do hospital, incluindo falha ao seguir as instruções do fabricante" (7). O
futuro reserva aos profissionais que atuam na área da saúde, equipamentos e instrumentos
mais sofisticados, bem como responsabilidades adicionais. Dentre outras coisas,
esses profissionais deverão estar plenamente conscientes das possibilidades e
riscos desses novos recursos, devendo, portanto, em conjunto com a instituição,
examinar cuidadosamente cada risco e determinar a melhor forma de gerenciá-lo. Em
1983, nos Estados Unidos, ocorreram 1.000.000 de incidentes com prejuízos na área
hospitalar, dos quais 200.000 envolveram alguma forma de negligência (8). Em 1989,
o uso intensivo dos equipamentos médico-hospitalares, no mesmo país, resultou
em torno de 10.000 acidentes (1 a cada 52 minutos), com um saldo de 1000 mortes
(9). Na Suécia, durante
os anos de 1984 e 1985, foram analisados 306 equipamentos defeituosos que causaram
acidentes fatais ou com sérias conseqüências. Verificou-se que 21% dos acidentes
foram relacionados à manutenção incorreta, 26% com uso indevido e 46% com problemas
de desempenho (10). Cabe
ressaltar que as conseqüências financeiras desses acidentes envolvem considerável
soma em indenizações, devido a ações legais movidas por pacientes, os quais recebem
alguma forma de dano quando sob cuidados do hospital (11, 12, 13). Veja o Apêndice
E. Assim, este documento
pretende colaborar para a redução de todas as fontes de risco, englobando os cuidados
com pacientes, funcionários e visitantes, bem como com os recursos e patrimônio
da instituição hospitalar.
- Diagnóstico inicial da segurança no ambiente
hospitalar
O
principal objetivo de um hospital é a prestação de serviços na área da saúde,
com qualidade, eficiência e eficácia. Uma breve introdução ao assunto é dada a
seguir: Qualidade:
Aplicação apropriada do conhecimento disponível, bem como da tecnologia, no cuidado
da saúde. Denota um grande espectro de características desejáveis de cuidados,
incluindo eficácia, eficiência, efetividade, equidade, aceitabilidade, acessibilidade,
adequação e qualidade técnico-científica. Eficácia:
A habilidade do cuidado, no seu máximo, para incrementar saúde.
Eficiência:
A habilidade de obter o máximo de saúde com um mínimo custo.
Efetividade:
O grau no qual a atenção à saúde é realizado. Isto
não pode ser alcançado sem a administração efetiva de um programa de prevenção
de acidentes que proporcione condições ambientais seguras para o paciente e para
os profissionais que aí desenvolvem suas atividades de trabalho. O
Hospital deve desenvolver continuamente essa política, assegurando que gerentes
e funcionários estejam cientes de suas responsabilidades na redução de riscos
e acidentes. Devem promover e reforçar práticas seguras de trabalho e proporcionar
ambientes livres de riscos, em acordo com as obrigatoriedades das legislações
municipais, estaduais e federais. A
complexidade dos temas que envolvem à segurança no ambiente hospitalar, exige
um tratamento multiprofissional, tanto para a tomada de decisões técnicas, como
para as administrativas, econômicas e operacionais. Os diversos profissionais,
em especial os gerentes e diretores, visando avaliar suas posturas frente aos
temas de segurança no ambiente de trabalho, devem analisar os seguintes aspectos:
- As obrigações legais referentes
a segurança do trabalho estão sendo cumpridas? Estão resultando em níveis de segurança
aceitáveis?
- Os profissionais da área clínica
estão utilizando equipamentos tecnologicamente compatíveis com a demanda? Sabem
operá-los adequadamente?
- Existem no hospital,
programas de treinamento e reciclagem adequados para uso da tecnologia médica?
- O hospital possui equipe de manutenção? Essa equipe
possue os recursos necessários para a manutenção de equipamentos médicos e de
infra-estrutura? É realizada a manutenção preventiva dos equipamentos vitais?
- Possui Brigada Contra Incêndio (BCI)? Possui sistemas
automáticos para extinção de incêndio? São eficientes e suficientes?
- Possui
sistema de geração de energia elétrica de emergência?
- Os
custos gerados com acidentes envolvendo funcionários e pacientes no ambiente hospitalar
estão compatíveis com os investimentos feitos nas áreas de aquisição, treinamento
e uso de tecnologias?
- Os funcionários usam
os equipamentos de segurança? São suficientes? Os riscos ambientais estão identificados
e corrigidos?
- Os funcionários utilizam
adequadamente suas ferramentas de trabalho? São suficientes para garantir o funcionamento
seguro dos equipamentos e sistemas?
- Os
pacientes e visitantes recebem algum tipo de orientação sobre como agir em caso
de incêndio?
- Existem no hospital, profissionais
com dedicação exclusiva na área de segurança?
- Existem
em seu hospital todos os projetos de arquitetura e engenharia atualizados que
possibilitem a tomada de decisões com maior precisão e segurança?
- O
hospital possui planos de emergência para enfrentar situações críticas como falta
de energia elétrica, água, incêndio e inundações?
- Existe
no hospital uma lista de empresas prestadoras de serviços, que estejam aptas a
prestar serviços aos equipamentos e instalações de acordo com as normas de segurança
aplicáveis?
- Existe no hospital a ficha
cadastral dos equipamentos existentes que indique a periodicidade dos testes de
segurança e de desempenho dos mesmos?
- São
feitas, frequentemente, pelo menos mensalmente, reuniões com a comunidade de saúde,
para discutir problemas de segurança existentes em sua unidade de saúde?
- Atitudes profissionais para o gerenciamento
da segurança
Todos os
níveis de gerenciamento devem, constantemente, reforçar as regras e regulamentos
de segurança, estar alerta e identificar as práticas e condições inseguras, tomando,
imediatamente, atitudes apropriadas para corrigir irregularidades. Os
gerentes e supervisores têm a responsabilidade de zelar para que ambos, ambiente
e funcionário, apresentem-se em condições adequadas de segurança e devem considerar
a prevenção de acidentes como uma parte normal de suas atividades rotineiras. A
responsabilidade pelas questões de segurança está necessariamente atrelada aos
funcionários. Cada um deles deve seguir as práticas de segurança no trabalho,
através do uso de regras e regulamentos anunciados pelo programa de segurança
do hospital. É preciso
estar constantemente alerta para os riscos de acidentes em qualquer local do hospital,
comunicando à sua supervisão qualquer eventualidade, prática ou condição insegura.
- O SESMT, a CIPA e a segurança
São obrigadas a
manter os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do trabalho
(SESMT) e as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) as empresas privadas
e públicas (incluindo os hospitais) que possuem empregados regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). São
responsabilidades inerentes à CIPA e SESMT:
- zelar pela saúde e integridade física do trabalhador;
- revisar todos os acidentes envolvendo visitantes,
pacientes e funcionários, bem como manter relatórios e estatísticas de todos os
danos;
- investigar e analisar acidentes,
recomendando medidas preventivas e corretivas para evitá-los;
- apoiar
a área gerencial como consultor na área de segurança do trabalho e atividades
afins;
- coordenar e treinar a equipe de
Brigada Contra Incêndio, bem como a população envolvida em situações de incêndio.
Recentemente,
através da Portaria nº 5 de 17 de agosto de 1992, do Ministério do trabalho, ficou
estabelecido que a CIPA terá como obrigatoriedade adicional a confecção de denominado
"Mapa de Riscos". Esse mapa deverá ser confeccionado com auxílio do
SESMT e terá como finalidade básica fazer uma representação gráfica do reconhecimento
dos riscos existentes nos diversos locais de trabalho, a conscientização e informação
dos trabalhadores através da fácil visualização dos riscos existentes na Empresa. Os
riscos serão simbolizados por círculos de três tamanhos: pequeno com diâmetro
de 2,5 cm; médio com diâmetro de 5 cm e grande com diâmetro de 10 cm, conforme
sua gravidade e em cores, conforme o tipo de risco, relacionados no quadro seguinte
(Fonte: Portaria nº 5, de 17.08.92, do Diretor do Departamento Nacional de Segurança
e Saúde do Trabalhador, publicada no Diário Oficial da União em 20.08.92).
Cores Representativas dos Riscos
Ambientais
| RISCOS
AMBIENTAIS | CORES
REPRESENTATIVAS | | Agentes
Físicos | Verde |
| Agentes
Químicos | Vermelho |
| Agentes
Biológicos | Marrom |
| Agentes
Ergonômicos | Amarelo |
| Agentes
Mecânicos | Azul |
| Riscos
Locais | Laranja |
| Riscos
Operacionais | Preto |
Esses círculos
serão representados em planta baixa ou esboço do local de trabalho analisado.
O "Mapa de Riscos", completo ou setorial, permanecerá afixado em cada
local analisado, para informação dos que ali trabalhem. Após
a identificação dos riscos, a CIPA encaminhará á direção da empresa, um relatório
descrevendo a situação e aguardará a manifestação por parte da empresa, em um
prazo de no máximo 30 dias. Havendo necessidade de medidas corretivas, a direção
estabelecerá o prazo para providenciar as alterações propostas, através de negociação
com os membros da CIPA e SESMT da empresa. Esses prazos e datas deverão ficar
registrados em Atas da CIPA.
2. ASPECTOS LEGAIS
Descrever os aspectos legais da
Segurança no Ambiente Hospitalar é possível, desde que seu desenvolvimento seja
mostrado a partir de fatos ocorridos nas várias atividades profissionais ocorridas
em outras épocas. Para tanto, a tabela 1 apresenta uma resumida evolução histórica
dos direitos e conhecimento adquiridos pelos trabalhadores no mundo. No
Brasil, o fato marcante na legislação trabalhista se deu em 1943, através do Decreto
5452, de 1º de maio de 1943, e atualmente as formas de dirimir as questões legais
referentes à segurança dos trabalhadores foram traduzidas nos conteúdos da Lei
nº 6.514 de 22 de dezembro de 1977.
2.1 Legislação brasileira – Lei
6.514/77 de Portaria nº 3.214/78 No
Brasil, o direito dos trabalhadores à segurança e medicina no trabalho é garantido
pela Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Essa lei altera o Capítulo V do Título
II da Consolidação da Leis do Trabalho no que se refere à Segurança e Medicina
do Trabalho. Sua regulamentação foi feita através da Portaria nº 3.214 de 08 de
junho de 1978, do Ministério do Trabalho. Essa
portaria aprova as Normas Regulamentadoras (NR) do Capítulo V do Título II, da
Consolidação das Leis do Trabalho relativas à Segurança e Medicina do Trabalho
e por um conjunto de textos suplementares (leis, portarias e decretos) decorrentes
de alterações feitas nos textos originalmente publicados. Para
que uma orientação genérica seja dada sobre o tema, estão listados no Apêndice
A 16 títulos das seções que compõem a Lei 6.514/77 e os títulos das 27 Normas
Regulamentadoras que compõem a Portaria nº 3.214/78. Outras informações legais
de igual importância são obtidas de decretos, leis e outras portarias, também
relacionadas no Apêndice A. Esse apêndice tem por finalidade informar ao leitor
um pouco mais sobre os aspectos legais que orientam empresas e trabalhadores nos
assuntos de segurança no ambiente de trabalho.
2.1.1 O SESMT e a CIPA
O SESMT e a CIPA são instrumentos
que os trabalhadores e as empresas dispõem para tratar da prevenção de acidentes
e das condições do ambiente de trabalho. Esses órgãos protegem a integridade física
do trabalhador e de todos os aspectos que potencialmente podem afetar sua saúde. A
CIPA e o SESMT são regulamentados legalmente pelos artigos 162 a 165 da CLT e
pela Portaria 3214/78 baixada pelo Ministério do trabalho, em suas NR-5 E NR-4,
respectivamente. São, portanto, organizações obrigatórias nas empresas (inclusive
nos hospitais), desde que o número mínimo de funcionários seja atingido. Para
determinação das duas dimensões leva-se em conta, além do número de funcionários,
o grau de risco do local de trabalho. Para o ambiente hospitalar o grau de risco
é 3, isto em acordo com o Código de Atividades constante do Quadro I da NR-4,
da Portaria 3214/78. As Tabelas 2 e 3 informam como dimensionar a CIPA e SESMT
no ambiente hospitalar.
História
da Segurança no Trabalho
| ÉPOCA |
ORIGEM |
CONTRIBUIÇÃO |
| SÉC.
IV aC | Aristóteles (384
– 322) aC) | Cuidou
do atendimento e prevenção das enfermidades dos trabalhadores nos ambientes das
minas. | | Platão |
Constatou e apresentou enfermidades
específicas do esqueleto que acometiam determinados trabalhadores no exercício
de suas profissões. | | Plínio (23
– 79 dC) | Publicou
a História Natural, onde pela primeira vez foram tratados temas referentes à segurança
do trabalho. Discorreu sobre o chumbo, mercúrio e poeiras. Menciona o uso de máscaras
pelos trabalhadores dessas atividades. | |
Hipócrates (460
– 375 aC) | Revelou
a origem das doenças profissionais que acometiam os trabalhadores nas minas de
estanho. | | Galeno (129
– 201 aC) | Preocupou-se
com o satumismo. | | SÉC.
XIII | Avicena (908
– 1037) | Preocupou-se
com o satumismo e indicou-o como causa das cólicas provocadas pelo trabalho em
pinturas que usavam tinta à base de chumbo. | |
SÉC. XV |
Ulrich Ellembog |
Editou uma série de publicações
em que preconizava medidas de higiene do trabalho. | |
SÉC.
XVI |
Paracelso (1493
– 1541) | Divulgou
estudos relativos às infecções dos mineiros do Tirol. |
| Europa |
Foram criadas corporações de ofício
que organizaram e protegeram os interesses dos artíficios que representavam. |
| 1601 |
Inglaterra |
Criada a Lei dos Pobres. |
| 1606 |
Rei
Carlos II (1630 – 1685) |
Em virtude do grande Incêndio de
Londres foi proclamado de que as novas casas fossem construídas com paredes de
pedras ou tijolos e a largura das ruas fosse aumentada de modo a dificultar a
programação do fogo. | | 1700 |
Bernardino Ramazzine (1633
– 1714) | Divulgou
sua obra clássica "De Morbis Articum Diatriba" (As Doenças dos Trabalhadores). |
Tabela 1-a)
Evolução da segurança no trabalho História
da Segurança no Trabalho
| ÉPOCA
| ORIGEM
| CONTRIBUIÇÃO
| | 1802 |
Inglaterra |
Substituição das Leis dos Pobres
pela Lei das Fábricas. | |
1844 –1848 |
Inglaterra |
Aprovação das primeiras Leis de
Segurança no trabalho e Saúde Pública, regulamentando os problemas de saúde e
de doenças profissionais. | |
1862 |
França |
Regulamentação da higiene e segurança
no trabalho. | | 1865 |
Alemanha |
Lei de indenização obrigatória
aos trabalhadores, que responsabiliza o empregador pelo pagamento dos acidentes. |
| 1883 |
Emílio Muller |
Fundou em Paris a Associação de
Indústrias contra os Acidentes de Trabalho. | |
1897 |
Inglaterra |
Após o incêndio de Cripplegate,
foi fundado o Comitê Britânico de Prevenção e iniciou-se uma série de pesquisas
relativas a materiais aplicados em construções. | |
França |
Após catástrofe do Bazar da Caridade,
foram dadas maiores atenções aos problemas de incêndios. |
| 1903 |
EUA |
Promulgada a primeira lei sobre
indenização aos trabalhadores, limitada ao empregador e trabalhadores federais. |
| 1919 |
Tratado de Versalhes |
Criação da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), com sede em Genebra, que substitui a Associação Internacional
de Proteção Legal ao Trabalhador. | |
1921 |
EUA |
Estendidos os benefícios da Lei
de 1903 a todos os trabalhadores através da Lei Federal. |
| 1927 |
França |
Foram iniciados estudos de laboratórios
relacionados com a inflamibilidade dos materiais e estabeleceram-se os primeiros
regulamentos específicos que adotaram medidas e precauções a serem tomadas nos
locais de trabalho e nos locais de uso prático. | |
1943 |
Brasil |
O Decreto nº 5452, de 01/05/1943,
regulamenta o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo
à Segurança e Medicina no Trabalho. | Tabela
1-b) Evolução histórica da segurança no trabalho.
Tabela para Dimensionamento da CIPA
no Ambiente Hospitalar
| NÚMERO
DE EMPREGADOS DO HOSPITAL | 20
a 50 |
50 a 100 |
101 a 500 |
501 a 1000 |
1001 a 2500 |
2500 a 5000 |
5001 a 10000 |
Acima de 10000 |
| NÚMERO
DE MEMBROS DA CIPA | 2 |
4 |
8 |
12 |
16 |
20 |
24 |
24 (*) |
| Representantes
do empregador |
1 |
2 |
4 |
6 |
8 |
10 |
12 |
12 (*) |
| Representantes
dos empregados | 1 |
2 |
4 |
6 |
8 |
10 |
12 |
12 (*) |
Nota: A partir
de 10000 funcionários (*), acrescentar dois membros como representantes do empregador
e dois membros como representantes dos
empregados para cada grupo adicional de 2500 funcionários. Fonte:
Portaria 3214/78 – Quadro I – NR 5 Tabela
2 Quadro para formação da CIPA no ambiente hospitalar. O dimensionismo é feito
através da classificação de atividades constantes da NR
– 4, que considera o ambiente hospitalar como grau de risco 3.
Tabela para Dimensionamento do
SESMT no Ambiente Hospitalar
| NÚMERO
DE EMPREGADOS DO HOSPITAL |
50 a 100 |
101 a 250 |
251 a 500 |
501 a 1000 |
1001 a 2000 |
2001 a 3500 |
3501 a 5000 |
acima de 5000 |
| Técnico
de Segurança do Trabalho | |
1 |
2 |
3 |
4 |
6 |
8 |
8 (**) |
| Engenheiro
de Segurança do Trabalho | | | |
1 (*) |
1 |
1 |
2 |
2 (**) |
| Auxiliar
de Enfermagem do Trabalho | | | | |
1 |
2 |
1 |
1 (**) |
| Enfermeiro
do Trabalho | | | |
1 | | |
1 |
1 (**) |
| Médico
do Trabalho | | | |
1 (*) |
1 |
1 |
2 |
2 (**) |
Nota: (*) Tempo
parcial, com mínimo de três horas. (**)
O dimensionamento total deverá levar em consideração o dimensionamento da faixa
de 3501 a 5000, mais o dimensionamento do(s) grupo(s) de 4000 ou fração acima
de 2000. Fonte: Portaria
3214/78 – Quadro III – NR 4 Tabela
3 Quadro para formação do SESMT no ambiente hospitalar. O dimensionamento é feito
através da classificação de atividades constantes da NR-4, que considera o ambiente
como grau de risco 3.
2.1.2 Responsabilidades legais
Quando se trata de segurança e
saúde a negligência pode ser a principal causadora de acidentes, provocando grande
danos e até a morte. É necessário atentar para que o descuido profissional não
finde em tragédia (14). Negligência é a falta de precaução, de diligência, de
cuidados no prevenir danos. Para
que ocorra o resultado penal, é necessário que haja uma relação de causalidade.
Assim o resultado, que depende da existência do crime, somente é imputável a quem
lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não
teria ocorrido (15). A
negligência manifesta-se, via de regra, através da omissão e torna-se penalmente
relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado (16). Os
crimes omissos são aqueles em que o agente deixa de fazer algo produzindo dessa
forma, incidentes não esperados. Como
exemplo observamos um caso real ocorrido em ambiente hospitalar. Num berçário
patológico de hospital, onde estavam diversas crianças, ocorreu uma explosão seguida
de incêndio em uma incubadora, cujo ocupante pereceu carbonizado. A
conclusão de inquérito legal foi: "Homicídio culposo, morte de recém-nascido
por causa de incêndio em berçário de hospital. Manutenção precária de aparelhagem
– responsabilidade de encarregado de manutenção. Negligência também da atendente
de enfermagem. Culpa criminal de ambos caracterizada" (17).. O
encarregado da manutenção dos equipamentos não "examinou e cuidou com a diligência
e atenção necessária da referida aparelhagem, concorrendo, dessa forma, com a
sua negligência, no exercício de suas funções, decisivamente, para que o evento
ocorresse" (17). O
atendente, por sua vez, "negligenciou nos cuidados que deveria manter com
a referida vítima colocada na incubadora sinistrada e era sua obrigação manter
vigilância redobrada e permanente sobre tal aparelho e, além de tudo, cuidar para
que a criança recém-nascida fosse colocada em outra incubadora, pois existiam
outras disponíveis" (17). Infelizmente,
fatos lamentáveis como o descrito são freqüentes e ocupam constantemente o noticiário.
É importantíssimo que os profissionais da saúde tenham plena consciência das conseqüências
jurídicas e morais advindas da negligência e do desrespeito às normas de segurança.
2.2 A Segurança em equipamentos
médicos em outros países Vários
países têm dado contribuições expressivas para o desenvolvimento da segurança
no ambiente de trabalho, através da descoberta de doenças profissionais e pelo
estímulo à implementação de rígidas normas de controle. No
que se refere ao ambiente hospitalar, os problemas , questões e tendências mais
relevantes, foram citados por representantes de diferentes países na ocasião da
"ICMDRA – International Conference of Medical Device Regulatory Authorities"
(Conferência Internacional de Órgãos Governamentais para Regulamentação de Equipamentos
Médicos). Essa Conferência
foi organizada pela OMS – Organização Mundial da Saúde, OPS – Organização Panamericana
de Saúde e FDA – Food & Drug Administration (órgão governamental norte-americano
regulamentador de alimentos e medicamentos), tendo sido realizada em Washington
– EUA, em junho de 1986 (18).
2.2.1 Países africanos
Existem poucos países africanos
com regulamentações específicas no que se refere a equipamentos médicos (66, 67,
68). Alguns deles são a Argélia, Cabo Verde, Gabão, Quênia, Nigéria e Zâmbia.
As vantagens, que esses países possuem sobre aqueles que não dispõem de regulamentações
específicas, são poucas. Na realidade, eles não dispõem de instalações adequadas
e profissionais especializados em quantidade suficiente para avaliar os equipamentos
médicos).
2.2.2
Países europeus O
interesse dos governos europeus com relação à saúde pública é o de não aceitar
equipamentos médicos inseguros e ineficazes, bem como atuar contra o seu atendimento
e uso impróprio. Alguns países atingem este objetivo através de padrões de inspeções
estabelecidos pelo GMP (Good Manufacturing practice – Boas Práticas de Fabricação),
aprovação de pedidos de compras cuidadosamente efetuados e análise (inspeções)
após a compra. O interesse
do fabricante de equipamentos médicos nas regulamentações do GMP aumenta quando
este pode ser responsabilizado legalmente, mesmo sabendo que a maioria dos acidentes
que envolvem os equipamentos são relacionados ao usuário. A responsabilidade do
usuário é um campo mais visível, embora a responsabilidade do fabricante seja
o alvo central em alguns casos. O apropriado uso do equipamento, embora seja relacionado
ao projeto, é também dependente do treinamento dispensado ao usuário e provavelmente
da qualidade de decisão do processo clínico adotado.
2.2.3 Países da Região Oriental
do Mediterrâneo Os
principais problemas que interferem na segurança no manuseio dos equipamentos
médicos são: - Treinamento inadequado
e insuficiente a todos os tipos de profissionais: corpo clínico, enfermagem, manutenção;
- Falta de instalações adequadas para manutenção
e pouca confiabilidade dessa atividade;
- Especificação
adequada do produto que se deseja;
- Profissão
insuficiente de peças para manutenção e reparo;
- Falta
de profissionais de engenharia para o gerenciamento de tecnologia;
- Pouco
relacionamento entre hospitais, fabricantes e seus representantes.
2.2.4 Países da Ásia Ocidental
Nesses países, as falhas
inerentes ao equipamento médico são raramente relatadas. Somente os fabricantes
ou seus representantes são informados dessas ocorrências, não ocorrendo disseminação
das informações entre outros profissionais ou consumidores. Desse modo, sem que
mecanismos sistemáticos sejam estabelecidos, torna-se impossível estimar a taxa
de falha de equipamentos médicos. A
carência de relações intersetoriais que visem coordenar as diferentes partes do
governo (Ministério da Saúde) responsáveis pela viabilização de equipamentos médicos
faz com que não haja controle da eficácia e da garantia de segurança dos equipamentos.
A OMS tem colaborado com estes países no desenvolvimento de políticas voltadas
para a prevenção e tratamento de acidentes. 2.2.5
Países do Pacífico Oriental O
combate ao uso de equipamentos médicos inseguros e ineficazes vem sendo conseguido
com o estabelecimento da seguinte política, como ocorre na Austrália:
- Estabelecimento do registro de todo equipamento
médico vendido no país;
- Comparação e disseminação
das informações relativas a problemas com a equipamentos (43);
- Avaliação
da segurança e eficácia dos ítens de alto risco, antes da compra dos equipamentos;
- Estabelecimento de instalações que visem desenvolver
normas e testar certos tipos de equipamentos.
2.2.6 Estados Unidos da América
O modelo norte-americano
de controle de acidentes envolvendo atividades no ambiente hospitalar é regulamentado
pelo "The Safe Medical Device Act" (Lei sobre a segurança de equipamentos
médicos), organizado pelo FDA em 28 de novembro de 1991 (19). Esta
lei definiu basicamente que hospitais, distribuidores e importadores de equipamentos
médicos devem relatar todos os casos de morte, enfermidades e sérios danos, relacionados
a equipamentos médicos, ao fabricante dos mesmos, no prazo de até 10 dias após
a ocorrência do acidente. Em caso de desconhecimento do fabricante do equipamento
envolvido, o relato deve ser feito ao FDA. O
relatório deve conter informações sobre o equipamento (nome do produto, modelo,
número de série e fabricante) e a descrição do problema, incluindo a data do incidente
e informações adicionais de como o equipamento envolvido estava sendo usado. Outras
informações podem ser observadas, incluindo os parâmetros de manutenção do equipamento
e informações médicas detalhadas sobre o paciente envolvido. O mau uso da aparelhagem
médica (puro erro do usuário) que resulte em sérios problemas ao paciente ou morte
também deve ser relatado. Em
caso de necessidade, o FDA entrará em contato com o hospital envolvido no intuito
de requerer análise das condições internas do equipamento, posterior ao incidente,
bem como de qualquer ação corretiva realizada sobre o mesmo (18). De
modo a comentar as definições legais dos agentes potenciais de danos à saúde do
trabalhador, citamos os ítens que seguem, encontrados na NR-9 da Portaria nº 3214/78:
a)Consideram-se
agentes físicos, dentre outros: ruídos, vibrações, temperaturas anormais, pressões
anormais, radiações ionizantes, radiações não-ionizantes, iluminação e umidade. b)Consideram-se
agentes químicos, dentre outros: névoas, neblinas, poeiras, fumaça, gases e vapores. c)Consideram-se
agentes biológicos, dentre outros: bactérias, fungos, "rickettsia",
helmintos, protozoários e vírus. d)Consideram-se,
ainda, como riscos ambientais, para efeito das Normas Regulamentadoras da Portaria
3.214, os agentes mecânicos e outras condições de insegurança existentes nos locais
de trabalho capazes de provocar lesões à integridade física do trabalhador.
3.1 Reconhecimento, avaliação e
controle de riscos O
risco, onde quer que se encontre, deve e pode ser facilmente analisado, visando
sua eliminação ou controle. Desde que um conjunto de ações possa ser viabilizado,
a compreensão de sua natureza pode ser levada a efeito. Esse conjunto de ações
recebe o nome de Investigação e Análise Ambiental. A tomada de decisão, deve ser
fundamentada tecnicamente em três conceitos básicos que são:
- Reconhecer (riscos): identificar,
caracterizar, saber apontar qual dos agentes de risco de dano à saúde estão presentes
no ambiente de trabalho;
- Avaliar (riscos):
é saber quantificar e verificar, de acordo com determinadas técnicas, a magnitude
do risco. Se é maior ou menor, se é grande ou pequeno, comparado com determinados
padrões;
c)Controlar
(riscos): é adotar medidas técnicas, administrativas, preventivas ou corretivas
de diversas naturezas, que tendem a eliminar ou atenuar os riscos existentes no
ambiente de trabalho.
3.2. Riscos físicos no ambiente
hospitalar Os
principais agentes físicos encontrados no ambiente hospitalar são o calor, ruído,
radiações ionizantes, radiações não-ionizantes e pressões anormais. Embora os
níveis de iluminação sejam relacionados diretamente a problemas de saúde, sua
análise é feita por estar relacionada a todas as atividades de trabalho.
3.2.1 Calor
O calor é uma
forma de energia que pode ser transmitida de um corpo para outro, por radiação,
condução ou convecção. A quantidade desta energia (recebida ou entregue) é determinada
pela variação de temperatura do corpo que cedeu ou recebeu calor. A
transmissão por radiação é feita através de ondas eletromagnéticas que transmitem
através do ar e do vácuo. A transmissão de calor por radiação é feita através
do contato direto entre as partes que recebem e as que cedem calor. A transmissão
de calor por convecção se faz através de massas de ar que ao se aquecerem diminuem
sua densidade, de modo que tornando-se mais leves, sobem, dando lugar a massas
de ar mais frias que a primeira. a)
Reconhecimento do risco O
calor é largamente utilizado no ambiente hospitalar, nas operações de limpeza,
desinfecção e esterilização dos artigos e áreas hospitalares. Também, no preparo
de alimentação pelos Serviços de Nutrição e Dietética (SND) e nos laboratórios
de análise clínica no preparo de soluções especiais. Há, ainda, o uso do calor
para geração de condições de conforto ambiental, principalmente em regiões de
clima frio. É empregado,
ainda, com finalidade terapêutica como nos casos de berços aquecidos e incubadoras
utilizados nos tratamentos de recém-nascidos; em equipamentos de diatermia, que
adotam o uso de radiofrequência para produção de calor nos tecidos vivos; unidades
eletrocirúrgicos ou raios "laser" empregados em sofisticadas técnicas
cirúrgicas, visando de modo geral o corte e coagulação do tecidos humanos. O
calor, quando em quantidade excessiva (sobrecarga térmica) pode causar efeitos
indesejáveis sobre o corpo humano. Dentre esses efeitos citamos:
Golpe de calor:
Ocorre quando realizam-se tarefas pesadas em ambientes muito quentes. Quando a
fonte de calor é o sol, o golpe de calor é chamado de insolação. São sintomas:
o colapso, convulsões, delírio, alucinações e coma sem aviso prévio.
Prostação térmica por queda do teor de água (desidratação):
Ocorre quando a água eliminada por sudorese não é resposta através do consumo
de líquidos. É caracterização pelo aumento de líquidos. É caracterizada pelo aumento
da pulsação e da temperatura do corpo. A ingestão de líquidos de forma racional
durante a jornada de trabalho é a medida preventiva adequada.
Prostação térmica pelo decréscimo do teor de sal:
É produzida quando o consumo de sal é insuficiente para substituir as perdas de
cloreto de sódio causadas pela sudorese. Ocorre, principalmente, com as pessoas
que bebem água em abundância, sem a devida reposição de sal. São sintomas: a fadiga,
tonturas, náuseas, vômitos e cãibras musculares. Em
geral, atividades prolongadas podem provocar sobrecarga térmica, principalmente
quando realizadas em ambientes mal ventilados. São exemplos de atividades as que
se seguem: manutenção em equipamentos de esterilização que utilizam calor; trabalhos
nas proximidades de caldeiras geradoras de vapor, em obras de construção civil
que não raro acontecem em hospitais, em cozinhas, próximos a fogões e fornos... Outros
efeitos nocivos da sobrecarga térmica são a fadiga transitória, algumas enfermidades
das glândulas sudoríparas, edemas ou inchaços das extremidades (pés e tornozelos),
aumento da susceptibilidade à outras enfermidades, diminuição da capacidade de
trabalho, catarata, etc. Com
relação aos efeitos nocivos do calor no ambiente hospitalar há que se considerar
dois fatores: o paciente e o funcionário. Os casos em que o paciente pode vir
a ser vitimado por calor excessivo geralmente se dão durante o uso de alguns equipamentos
ou sistemas empregados para a prática médica, como por exemplo, queimaduras com
bisturi elétrico, nos procedimentos de cardioversão ou desfibrilação e queimaduras
pelo uso de cobertores ou colchões aquecidos. O funcionário no ambiente hospitalar
está sujeito a fontes de calor nos seguintes ambientes: centro de esterilização
de materiais, serviços de nutrição e dietética, lavanderia hospitalar e casas
de caldeiras. No centro
de esterilização de materiais, as fontes de calor são provenientes de estufas
e autoclaves. Estas fazem uso de calor na forma seca ou na forma de vapor saturado,
com o objetivo de esterilizar materiais que têm boa resistência ao calor. Nos
serviços de nutrição e dietética as fontes de calor são os fornos, fogões, equipamentos
para fritura de legumes e produtos animais, banho-maria e caldeirões. A
lavanderia hospitalar, nos cuidados com a limpeza e desinfecção de roupas, emprega
largamente fontes de calor como água quente, vapor ou mesmo calor gerado através
de resistências elétricas. O calor é empregado em calandras, secadoras e máquinas
de lavar. Os hospitais que fazem uso de geração de vapor centralizado possuem
mais um ponto de geração de calor, a casa de caldeiras. Uma
das formas de se reconhecer os efeitos nocivos ocasionados pelo calor em determinado
ambiente de trabalho é a avaliação clínica dos sintomas apresentados pelo funcionário
que desenvolve atividades em algum dos ambientes descritos anteriormente.
b) Avaliação
do risco Legalmente,
há que se fazer a análise do ambiente de trabalho. Essa análise é feita utilizando-se
o equipamento denominado de "árvore de termômetros". Os aspectos de
cálculo e metodologia legal estão mencionados na NR-15 da Portaria nº 3.214/78.
Essa avaliação visa determinar os períodos de descanso a que o trabalhador tem
direito, segundo os tipos e ambientes de trabalho. Essa atividade deve ser realizada
por um engenheiro de segurança ou médico de trabalho. c)Controle
do risco O controle de
riscos associados ao calor é feito quando as duas medidas anteriores forem concluídas,
as quais possibilitam conhecer especificamente a origem do risco. Algumas formas
de proteção necessárias são citadas a seguir: Proteção
contra calor radiante: Deve-se fazer uso
de anteparos refletores, empregando materiais de alto coeficiente de reflexão,
como placas de alumínio polido. A superfície refletora deve ser mantida sempre
limpa. Os anteporos devem ser empregados de modo a formar uma barreira entre a
fonte de calor, o corpo humano e o ambiente. Proteção
contra o calor de convecção: Utiliza a
renovação de massas de ar aquecidas, por outras mais frias. De outro modo é possível
aumentar a velocidade do ar no ambiente, velocidades estas que variam de acordo
com o tempo o de exposição e da existência de grandes cargas térmicas incidindo
diretamente sobre o trabalhador. Proteção
contra o calor de condução: Deve ser feita
isolando-se as superfícies quentes do contato, pelo uso de materiais apropriados
como lã de vidro ou materiais termicamente isolantes.
3.2.2 Iluminação
A boa iluminação
no ambiente de trabalho propicia elevada produtividade, melhor qualidade do produto
final, redução do número de acidentes, diminuição do desperdício de materiais,
redução da fadiga ocular e geral, melhor supervisão do trabalho, maior aproveitamento
do espaço, mais ordem e limpeza das áreas e elevação da moral dos funcionários. No
Brasil, o assunto é tratado legalmente pela NR-17 (Ergonomia) da Portaria nº 3214/78,
onde, através da NBR 5413 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
recomenda os níveis mínimos de iluminação para os ambientes de trabalho. Para
o caso do ambiente hospitalar a questão da iluminação deve ser, principalmente,
enfocada nas salas cirúrgicas e no campo operatório. A má iluminação nestes casos
pode acarretar em graves prejuízos ao profissional e ao paciente. Para diminuir
os riscos nas salas de cirurgia, a alimentação elétrica de focos cirúrgicos deve
ser feita com 24 volts. Dentre
outras variáveis e preciso levar-se em consideração a elevação da temperatura
do campo operatório, proporcionado por lâmpadas cirúrgicas. A elevação da temperatura
deve ser minimizada fazendo-se uso de filtros de luz que eliminam o comprimento
da onda de espectro infra-vermelho, responsável pelo fenômeno. Outro
aspecto a considerar é a cor. A iluminação adotada deve reproduzir fielmente a
cor, de modo a permitir a identificação dos tecidos pelo cirurgião. Alem disso,
a luz empregada tem que permitir ao cirurgião a visualização adequada, mesmo em
cirurgias mais profundas, como no caso de laparotomia exploradora ou cirurgia
cardíaca. A adequação
da iluminação nas salas de tricotomia também, contribui muito para a redução de
acidentes nesse processo de preparo do paciente para intervenções cirúrgicas ou
mesmo em simples exames de eletrocardiografia.
- Reconhecimento do risco
O
reconhecimento se faz com a declaração dos trabalhadores relativos a iluminação
do ambiente de trabalho. Pode ser feito, também, pela investigação e analise de
acidentes ocorridos por iluminação deficiente, pela verificação de áreas sombreadas
nos locais de trabalho, etc. - Avaliação
do risco
A
iluminação no ambiente de trabalho é avaliada basicamente de dois modos: os métodos
de cálculo (que para efeitos legais não tem validade) através do uso de um aparelho
denominado de luxímetro. O resultado apresentado pela medição através do luxímetro
deve ser comparado com os valores apresentados pela NBR 5413 da ABNT, que possibilitará
determinar a necessidade de medidas corretivas no ambiente de trabalho. c)Controle
do risco O controle,
nesse caso, deve ser feito através de medições periódicas do nível de iluminação
dos locais de trabalho, após, a adequação da área de trabalho aos níveis recomendados.
Através das medições é possível notar a queda no nível de iluminação, quer pelo
depósito de sujeiras no bulbo da lâmpada e no globo que envolve a lâmpada, ou
mesmo pela não substituição de lâmpadas queimadas.
3.2.3 Umidade
Umidade excessiva no
ambiente hospitalar não é comum, embora possa ser encontrada em construções cujos
projetos originais foram mal concebidos ou por influência do meio externo. Em
alguns casos ocorre a redução do recebimento do sol nas edificações hospitalares
por se encontrarem bem próximos a estas construções, árvores e outros obstáculos
que impedem a ação da luz solar direta. a)Reconhecimento
do risco As lavanderias,
devido às atividades de higiene e limpeza, são os locais onde mais se faz uso
de água dentro do ambiente hospitalar. São os ambientes onde facilmente é reconhecida
a umidade. Outros ambientes de trabalho podem ter problemas com umidade excessiva,
devido a danos nas tubulações de água ou mesmo de esgoto. A
umidade é, geralmente detectada por, inspeção visual. É necessário se identificar
manchas nas paredes e pisos, decorrentes de infiltrações de água. Também é imprescindível
verificar o excesso de água em locais de passagem ou de realização de serviços
de eletricidade, por ocasião da época de chuvas intensas.
b)Avaliação do risco A
umidade presente no ar deverá ser avaliada através da utilização de equipamentos
específicos, como o termo-higrômetro. Os valores obtidos devem ser avaliados em
função da finalidade do ambiente. Em alguns casos, a avaliação pode ser feita
por inspeção visual c)Controle
do risco No projeto inicial
de edificação devem ser observadas as medidas de controle para o caso de umidade.
É indispensável dispor, racionalmente, os circuitos hidráulicos, os desníveis
e as inclinações de pisos. Infiltrações que causem umidade excessiva devem ser
prontamente corrigidas pela manutenção. Além da umidade, danos de maior consequência
podem acarretar a desestruturação do prédio. Em
recintos onde a umidade elevada seja proveniente, por exemplo, de pouca incidência
de luz solar, o uso de sistema de refrigeração e calor (ar condicionado) pode
ser a única opção. No caso de excesso de água em locais de trânsito de pessoas,
que tomem o piso escorregadio, a drenagem deve ser otimizada. O uso de placas
de advertência é outra medida de controle para reduzir acidentes.
3.2.4 Radiações Ionizantes
As radiações ionizantes
têm sido utilizadas para fins de diagnósticos clínicos desde o século passado.
Com o avanço da física nuclear, que possibilitou a determinação e controle de
doses, foi possível otimizar os trabalhos em radioterapia. Radiações
ionizantes são aquelas que extraem elétron da matéria ao incidirem sobre a mesma
produzindo íons. São exemplos de radiações ionizantes as partículas alfa, beta,
neutras, aquelas produzidas por ondas eletromagnéticas, da mesma forma, as originadas
de aparelhos como raios-X, radiações gama e aceleradores lineares. Os
efeitos biológicos das radiações ionizantes são divididos em dois grupos: os efeitos
hereditários e os efeitos somáticos. As radiações de efeitos hereditários são
aquelas que produzem lesões nas células germinativas da pessoa irradiada, as quais
são transmitidas aos seus descendentes. As radiações de efeitos somáticos produzem
lesões nas células do indivíduo que foi irradiado, entretanto, essas lesões não
são transmitidas hereditariamente. a)
Reconhecimento do risco No
ambiente hospitalar, os riscos inerentes às radiações ionizantes se relacionam
às áreas de rádio-diagnóstico e radioterapia. Estes riscos também estão presentes
em outras áreas que fazem o uso de equipamentos de diagnóstico e de imagens médicas
em tempo real, como centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva. -Radiodiagnóstico Cada
ano milhões de norte americanos recebem grandes quantidades de radiação, mais
do que deveriam receber de equipamentos de raios-X médico e dentário. Tal fato
existe e persiste, pois os pacientes em geral desconhecem os riscos que os cercam
quando no ambiente hospitalar (21). Estudos
realizados pelo Food and Drug Administration (FDA) mostram que as doses recebidas
por pacientes submetidos a raios-X de tórax são maiores que as necessárias, dependendo
do local onde realizam tais exames. Ainda que haja variação resultante das diferentes
técnicas de raios-X, muitas delas se devem à baixa qualidade de manutenção e do
treinamento precário recebido pelos operadores. Informações
oficiais mencionam que em vários estados norte-americanos, de 15% a 50% dos equipamentos
inspecionados não estão de acordo as especificações normalizadas para a segurança
do paciente. Em torno de 20% dos operadores (165.000) não possuem nenhum treinamento
formal (dados fornecidos pelo FDA).(22). São
exemplos de rádio-diagnóstico as radiografias convencionais (produzidas por aparelhos
fixos ou portáteis), fluoroscopia (imagem em tempo real), escopias com intensificadores
de imagem, exames odontológicos, tomografia computadorizada, etc.
- Radioterapia A
radioterapia é uma forma de tratamento que faz uso das radiações ionizantes para
a destruição de células nocivas ao organismo humano. Para este fim utilizam-se
equipamentos geradores de ondas eletromagnéticas ou mesmo substâncias radiativas. São
formas de radioterapia a teleterapia, braquiterapia, terapia de contato, terapia
intracavitária, terapia intersticial, braquiterapia de alta dose, etc. Teleterapia
consiste na terapia à distância, ou seja, a fonte emissora de radiação fica a
uma certa distância do paciente (cerca de um metro). Braquiterapia
é aquela realizada à curta distância, ou seja, a fonte emissora de radiação permanece
próxima, em contato ou introduzida no organismo humano (intracavitária). Na terapia
intersticial, que é uma forma de braquiterapia, a fonte se encontra na ponta de
uma sonda ou cateter que é introduzida no organismo através de uma pequena incisão
cirúrgica. a)- Medicina
Nuclear De modo a produzir
imagens dos órgãos do corpo humano e suas estruturas, medicamentos (líquidos ou
gasosos) radiativos, como radioisótopos e radiofarmacêuticos, são injetados no
corpo humano. Estes medicamentos são tipicamente absorvidos pelos órgãos e a radiação
emitida pode ser detectada e localizada (23). Informações sobre o tamanho e estrutura
do tecido, atividade bioquímica dos órgãos podem ser deduzidas e podem levar ao
diagnóstico de uma doença. É importante que a meia vida da Medicação nuclear seja
curta de modo a reduzir a carga radiativa para o paciente. No
caso de uso de gases radiativos, por precaução, é importante se dispor de um sistema
de exaustão cuja tubulação termine em um local distante de pontos de captação
de ar para fins de ventilação, de compressão ou mesmo para ar condicionado. Para
líquidos, o material que entra em contato com isótopos deve ser descartado e tratado
como lixo radiativo. O material do paciente, como urina e fezes, deve ser dispensado
no sistema de esgoto sanitário e não há necessidade de preocupação com o suor
do mesmo. b)
Avaliação do risco A
radiação por raios-X apresenta riscos à exposição cujos efeitos são sentidos a
curto e longo prazo. Embora os seus efeitos variem de pessoa para pessoa, a exposição
prolongada pode encurtar a expectativa de vida. A
exposição aos raios-X é medida em três diferentes unidades. Uma delas mede a quantidade
de radiação pela fonte, a outra indica a quantidade de radiação à qual o paciente
está exposto e a terceira, a quantidade de radiação recebida pelas pessoas que
estão nas proximidades, como técnicos, médicos e enfermeiros. A
unidade que mede a radiação emitida pela fonte é o Roentgen ®. A exposição do
paciente é medida em termos da dose de radiação absorvida ou rads (rad). O rad
é comumente utilizado em radioterapia e menos frequentemente, em diagnóstico por
imagens. Os radiologistas, radioterapeutas e técnicos de raios-X são expostos
à radiação enquanto trabalham com os pacientes ou diretamente com os equipamentos.
A unidade de medida da dose recebida é denominada de dose equivalente (do inglês,
radiation equivalente man – rem). Desse
modo, a avaliação deverá ser efetuada com instrumentação adequada, bem como através
da participação de profissionais especialmente qualificados para esse fim. No
Brasil essa atividade vem sendo desenvolvida, principalmente, por físicos especializados
em radioproteção. Os
seguintes termos são empregados em avaliação e controle de riscos associados a
radiações: - Medidor de
radiação: instrumento de medição de grandezas
associadas à radiação.
- Medidor
de contaminação: instrumento utilizado
para a medição de contaminação , não projetado sobre o corpo humano.
- Medidor de contaminação de pessoas:
instrumento de medição de radiação associado à medição de contaminação externa.
- Monitor de contaminação:
medidor de contaminação que também tem a finalidade de fornecer sinais de alerta
e alarme em condições específicas.
- Monitor
de radiação: medidor de radiação que também
tem a finalidade de fornecer sinais de alerta e alarme em condições específicas.
- Monitoração ambiental:
medição contínua, periódica ou especial de grandezas radiológicas no meio ambiente,
para fins de radioproteção.
- Monitoração
de área: avaliação e controle das condições
radiológicas das áreas de uma instalação, incluindo medição de grandezas relativas
a campos externos de radiação, contaminação de superfície, contaminação atmosférica.
- Supervisor de radioproteção:
indivíduo com certificação de qualificação pelo CNEN para supervisionar a aplicação
das medidas de radioproteção do Serviço de Radioproteção. Também chamado de Supervisor
de Proteção Radiológica.
d)
Controle do risco São
várias as formas de precaução e controle de radiações nos ambientes de trabalho.
As principais são: - As paredes
e portas das salas que contêm equipamentos geradores de radiação devem ser revestidas
adequadamente com chumbo.
- Indicadores
luminosos instalados nos locais de acesso a áreas sujeitas a radiações devem informar
se os equipamentos estão em uso ou não.
- Os
equipamentos de radiação devem ser desligados automaticamente caso ocorra abertura
acidental da porta de acesso à área sujeita a radiações.
- Os aparelhos devem possuir dispositivos que
os desliguem automaticamente após decorrido o tempo de exposição pré-selecionado.
- Nenhuma pessoa além do paciente deve ficar
na sala de tratamento. A sala de tratamento deverá possuir formas de abertura
também pelo lado interno.
- As
salas devem dispor de meios de comunicação oral e visual com o paciente. Os vidros
empregados deverão ser do tipo plumbíferos.
- Alarmes
sonoros e visuais devem ser acionados sempre que as doses de radiação previstas
forem ultrapassadas (principalmente em áreas que utilizam rádio-isótopos ou fontes
para radioterapia).
- Os
operadores de equipamentos geradores de radiação devem receber treinamento especializado.
- Os operadores devem usar aventais plumbíferos
durante as radiografias realizadas fora das salas apropriadas (casos de emergência,
no centro cirúrgico, etc.).
- Os
operadores devem se manter o mais afastado possível do paciente. Caso não seja
possível (escopias), devem usar protetor de tireóide, óculos plumbíferos e luvas
apropriadas.
- Nos
locais de tratamentos com radioisótopos e internação de pacientes, o tratamento
de esgoto faz-se necessário.
- A
manipulação de material radiativo (branquiterapia) deve ser feito com pinças específicas.
- Os operadores devem utilizar sempre os dosímetros
individuais na parte do corpo mais exposta à radiação. Quando usar avental plumbífero,
o dosímetro deve ser colocado conforme orientação do fabricante.
Contudo,
para fins de ampliar as informações sobre o assunto, recomenda-se no Apêndice
G a relação das Normas Técnicas Gerais de Radioproteção, referidas na Resolução
número 06, de 21 de dezembro de 1988, aplicáveis a todas as pessoas físicas, jurídicas,
de direito público ou privado, que exerçam atividades no campo da saúde envolvendo
instalações radiativas em qualquer ponto do território nacional. Tais normas trazem
medidas que visam a defesa dos pacientes, indivíduos profissionalmente expostos
a radiações ionizantes e público em geral.
3.2.5 Vibrações
Os efeitos danosos
das vibrações podem acometer pessoas (funcionários e pacientes), as estruturas
da edificação, assim também, os equipamentos sensíveis, cujo efeito das vibrações
impedem o seu funcionamento adequado. A desregulagem de equipamentos, normalmente,
está associada ao tráfego intenso de veículos pesados por vias próximas ao local
onde o mesmo se encontra instalado. O
paciente, por sua vez, pode sentir os efeitos danosos das vibrações quando determinadas
técnicas de terapia são empregadas, como por exemplo o ultrasom terapêutico e
litrotripsia. A estrutura
da construção civil está sujeita aos efeitos danosos das vibrações quando são
excitadas por vibrações vizinhas provenientes de outras fontes, como: grupos geradores
de energia auxiliar, centrais de vácuo, ar comprimido, bombas de recalque de água
e tráfego intenso em vias urbanas. De
um modo geral, os efeitos danosos das vibrações provocam no corpo humano, entre
outros sintomas, o cansaço, dores nos membros, dores na coluna, doença do movimento,
artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles e lesões
circulatórias. - Reconhecimento
do risco
O reconhecimento
dos efeitos nocivos das vibrações no ser humano é possível, analisando-se as atividades
do indivíduo e os sintomas que apresenta. Este é o modo mais eficaz de se reconhecer
o risco. O efeito das
vibrações em estruturas normalmente pode ser percebido por inspeção visual e pelos
efeitos que produz (trincas, descolamento de reboco,...), pela instabilidade de
regulagens de equipamentos, bem como pela verificação da existência de fonte geradora
de vibrações nas proximidades, como: bombas d’água (de recalque), compressores,
grupos de geração de energia elétrica, máquinas de lavanderia... - Avaliação
do risco
Conforme
o Anexo 8 da NR-15 da Portaria 3214/78, as atividades e operações que exponham
os trabalhadores, sem proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo
inteiro, serão caracterizadas como insalubres, através de perícia realizada no
local de trabalho. A
perícia visando a comprovação ou não da exposição deve tomar por base os limites
de tolerância definidos pela Organização Internacional para a Normalização –ISO
em suas normas ISO 2631e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.
Constarão obrigatoriamente do laudo
de perícia: - o
critério adotado;
- o instrumental utilizado;
- a metodologia de avaliação
- descrição
das condições de trabalho e o tempo de exposição às vibrações;
- o resultado da avaliação quantitativa;
- as medidas para eliminação e ou neutralização
do risco, quando houver.
No
caso da avaliação de vibrações de máquinas e equipamentos os aparelhos utilizados
serão acelerômetros e vibrômetros. c)
Controle do risco As
técnicas de controle são variadas e dependem de cada caso. Entretanto, de forma
geral, são aquelas que empregam meios de isolar ou amortecer as vibrações reconhecidas
e avaliadas.
3.2.6 Ruído
A ocorrência da perda
auditiva depende de fatores ligados ao hospedeiro, ao meio ambiente e ao próprio
agente. Dentre outras características do agente, importantes para o aparecimento
de doenças, destacam-se a intensidade (nível de pressão sonora), o tipo (contínuo,
intermitente ou de impacto), a duração (tempo de exposição a cada tipo de agente)
e a qualidade (frequência dos sons que compõe o ruído em análise) (25). O
ruído pode trazer sérias perturbações funcionais ao organismo. Afeta o sistema
nervoso, os aparelhos digestivo e circulatório, traz desconforto e fadiga. Fatores
que influem sobremaneira na produtividade do profissional. As consequências mais
imediatas são: - Redução transitória
da acuidade auditiva, que ocorre nos casos de exposição a níveis de ruídos variando
entre 90 a 120 dB, durante períodos de tempo relativamente curtos (minutos, horas
ou dias).
- Surdez
profissional em casos de exposição relativamente prolongada (meses ou anos) de
indivíduos suscetíveis a ruídos intensos (90 a 120 dB). Mesmo em exposições mais
curtas a ruídos excessivamente intensos (principalmente de impacto ou impulsivos)
pode ocorrer perda progressiva da audição, em geral irreversível.
- Reconhecimento do risco
Elevados
níveis de ruído podem ser encontrados no ambiente hospitalar, nas centrais de
compreensão de ar e geração de vácuo, nas oficinas de manutenção (uso do ar comprimido,
lixadeiras, esmeril e outros equipamentos), nas marcenarias (uso de serra circular,
desempenadeiras, etc.) e nas centrais de geração de energia elétrica auxiliar. Também
nas lavanderias, devido à grande quantidade de máquinas, encontram-se elevados
níveis de ruído. Esses níveis são bastante acentuados quando falta a manutenção
necessária (máquinas de lavar e centrífugas desbalanceadas, com partes frouxas,
etc.). Ruídos de menor intensidade, porém incômodos, podem ocorrer até nas unidades
de tratamento intensivo, devido à presença dos variados tipos de alarmes sonoros
integrados aos modernos equipamentos. Há que se considerar as impressoras matriciais
utilizadas no Centro de Processamento de Dados (CPD), que dependendo da quantidade
e do tempo que permanecem em processo de impressão, podem exigir isolamento acústico. Contudo,
poucos profissionais ou pacientes no hospital estão expostos a níveis suficientemente
altos que possibilitem a perda auditiva. De outro modo, o ambiente hospitalar
pode permitir riscos especiais devido à idade e condição do paciente, bem como
a tratamentos especiais à base de drogas (26). Falk (27) demonstrou que pacientes
sob tratamentos à base de antibióticos aminoglicosídeos estão expostos a um alto
risco de perda auditiva em presença de níveis de ruído semelhantes. Outros estudos
têm demonstrado que o ruído pode produzir um efeito adverso sobre o eixo pituitário-adrenal
(28), bem como sobre o sistema cardiovascular (29). Esses efeitos podem ser mais
pronunciados em presença de procedimentos terapêuticos realizados nestes órgãos. Há
evidências de que o ruído no interior de incubadoras seja surpreendentemente alto
(30). Estes níveis de ruído estão tipicamente abaixo dos níveis de risco comumente
aceitos, mas pouco se sabe sobre os efeitos nocivos do ruído quando da exposição
do recém-nascido. Habitualmente,
os níveis de ruído em hospitais são inferiores àqueles tidos como pertubadores.
Esta perturbação pode reduzir a eficiência das comunicações entre os profissionais
e impedir o descanso e a reabilitação de pacientes em fase de recuperação. Nesse
sentido, a existência de ruídos incômodos e mesmo potencialmente lesivos sugere
que um levantamento nas áreas hospitalares deva ser feito. - Avaliação
do risco
Os níveis de ruído
máximos permissíveis são legalmente estipulados pela NR-15 da Portaria nº 3214/78.Estes
níveis são determinados em função da intensidade do ruído no ambiente de trabalho
e do tempo que o funcionário fica exposto a ele. A
avaliação ambiental deve ser feita utilizando-se um "decibelímetro"
(medidor de pressão sonora). O instrumento deverá ser posicionado de modo a receber
o ruído que atinge o ouvido do trabalhador. - Controle
do risco
Uma
vez que a surdez causada pelo ruído ambiental é irreversível, ou seja, permanece
no nível em que se instalou, faz-se necessário o uso de rígidas medidas de controle.
Estas medidas são divididas em controle técnico (engenharia) e controle aplicado
ao homem: Controle
de engenharia: São basicamente três as
medidas de controle aplicadas ao ambiente de trabalho; a redução do ruído na fonte,
modificação da metodologia de produção para outra mais silenciosa e a redução
ou prevenção da propagação. Controle
aplicado sobre o homem: São medidas que
se aplicam sobre as pessoas. - Redução
do tempo de exposição do trabalhador ao ruído, em conformidade com a legislação
vigente.
- Uso de equipamentos de proteção
individual (EPI) nos casos em que o ruído não possa ser controlado.
O
controle médico visa prevenir a ocorrência de surdez profissional ou a progressão
da perda já detectada. É feito através da avaliação das respostas do ouvido humano
a determinados estímulos. Esta avaliação é denominada de audiometria.
3.2.7 Radiações não-ionizantes
As radiações não-ionizantes
causam excitação dos átomos do material absorvente mas não possuem energia suficiente
para retirar seus elétrons das órbitas que ocupam.
- Reconhecimento do risco
No
ambiente hospitalar, seu reconhecimento primário pode ser apresentado através
do processo de esterilização que faz uso da luz ultra-violeta (UV) (31,32), a
luz infra-vermelha empregada em fisioterapia e em procedimentos cirúrgicos na
forma de LASER. Ambas as formas de radiação podem trazer riscos ao paciente e
funcionários. O risco
mais comum atribuído ao ultra-violeta é a exposição à luz solar, com conseqüente
queimadura. Este efeito é obtido através dos raios UV, cujo comprimento de onda
esteja entre os valores de 4000 a 3000 angstrons. A região entre 2800 a 2200 angstrons
é conhecida pelo seu efeito bactericida ou germicida. As lâmpadas germicidas emitem
luz a 2537 angstrons, sendo um risco aos indivíduos expostos a ela periodicamente.
A região de 2200 a 1700 angstrons produz diferentes tipos de risco devido à produção
de ozônio no ar. Assim sendo, o tempo de exposição permitido ao ultra violeta,
depende principalmente do comprimento da onda e da potência da fonte de UV. O
laser é o mais novo tipo de radiação introduzido no ambiente hospitalar. O laser
pode ser perigoso quando utilizado em unidades cirúrgicas de corte, pois faz uso
de potentes fontes de calor. Pode com facilidade causar queimaduras na pele e
olhos. A radiação infra-vermelha
é usada para aquecimento e representa um risco no ambiente hospitalar por causa
de seus aquecedores e o potencial para produzir queimaduras (33).
b) Avaliação do risco A
avaliação quantitativa pode ser feita através de equipamentos especiais destinados
a este fim. Essa avaliação é útil para determinar se a energia emitida está dentro
dos limites propostos pelo fabricante. c)Controle
do risco As
formas de controle são aquelas que visam proteger o trabalhador contra a exposição
direta destas formas de radiação, dentre elas o uso de óculos de segurança. As
regras de segurança específicas para os raios laser são: - Ajustar
o laser em baixa potência para a fase de preparação. Ajustar a alta potência somente
após determinar a direção de uso;
- Assegurar
precisão através da calibração preventiva;
- Manter
superfícies refletivas afastadas do campo onde o laser será utilizado, que previne
reflexões acidentais;
- Proteger as tubulações
de borracha ou plástico contra incidência acidental dos raios;
- Evitar
o uso de laser em conjunto com anestésicos inflamáveis ou oxigênio em concentrações
maiores que 40%;
- Usar o vácuo para remover
a fumaça do campo cirúrgico;
- Eliminar cortinas
inflamáveis e cubrir as janelas com material opaco;
- Instalar
tecidos úmidos ao redor do campo cirúrgico, de modo a evitar queimaduras acidentais
por raios mal direcionados;
- Identificar
a área através de simbologia internacional que irá indicar a existência do risco
naquele ambiente.
Relativo
à radiação ultra-violeta, quando utilizada para induzir a pigmentação, é essencial
proteger os olhos. A exposição direta dos olhos a este tipo de radiação pode provocar
conjuntivite temporária ou cegueira permanente. Neste caso óculos especiais (lentes
opacas à radiação UV) devem ser utilizados.
3.3 Riscos químicos no
ambiente hospitalar Os
produtos químicos são largamente utilizados em hospitais com diversas finalidades,
como agentes de limpeza, desinfecção e esterilização (quartenários de amônio,
glutaraldeído, óxido de etileno, etc.). São
empregados também como soluções medicamentosas (drogas quimioterápicas, psicotrópicos,
gases medicinais, etc.). Podem, ainda, ser utilizados como produtos de manutenção
de equipamentos e instalações (óleo diesel, graxas, óleos lubrificantes, colas,
solventes, mercúrio, etc.). a)Reconhecimento
do risco O
vasto número de produtos químicos utilizados impede que se discorra sobre todos
eles em um manual deste tipo. Entretanto, o reconhecimento deve ser feito de acordo
com a característica de cada instituição hospitalar.Neste sentido, o SESMT do
hospital deverá possuir a ficha de segurança de cada produto que entra no hospital.
Isso pode ser conseguido através de exigências e avaliações feitas antes da opção
de compra. Deste modo, todos os produtos químicos e seus riscos podem ser conhecidos
pelos profissionais da área de segurança, permitindo que adequadas medidas de
controle possam ser adotadas. - Avaliação
do risco
A avaliação do
risco químico pode ser feita no ambiente e com o próprio trabalhador. As avaliações
aplicadas ao ambiente são aquelas que medem a concentração do gerador do risco
químico no mesmo e verificam se as medidas de controle adotadas no ambiente são
eficazes com relação à finalidade a que se destina. Da mesma forma, analisam o
comportamento físico-químico do produto em relação às condições ambientais. As
avaliações aplicadas ao trabalhador são complementares. Elas verificam, através
de exame de fluídos corpóreos, a susceptibilidade do indivíduo ao produto. - Controle
do risco
São
medidas de controle que visam educar e treinar o trabalhador para as atividades
necessárias ao serviço. Estas medidas envolvem a proteção do trabalhador através
do uso de EPI, o controle de sua saúde através de exames médicos periódicos e
a limitação do tempo de exposição do trabalhador à fonte do risco. São
medidas empregadas ao ambiente de trabalho a substituição do produto tóxico ou
nocivo, a mudança do processo ou o encerramento da operação, o uso de ventilação
geral exaustora ou diluidora, a concepção adequada do projeto e a manutenção das
medidas de controle adotadas. A
seguir são apresentadas práticas de controle de riscos químicos em locais e tipos
de serviços hospitalares.
- Esterilização
Os
processos químicos de esterilização são abundantemente usados nos hospitais. Pode-se
fazer o uso de gases ou líquidos, sendo que ambos os casos podem ser prejudiciais
à saúde. O controle de riscos químicos associados a assuntos de esterilização
referem-se a pacientes e funcionários. -
A esterilização a gás, a mais difundida
no Brasil, utiliza o óxido de etileno e suas misturas diluídas. A Portaria Interministerial
nº 1510 de 28 de dezembro de 1990, do Ministério da Saúde e Ministério do Trabalho
e Previdência Social, trata do assunto. Entretanto, tal legislação nada menciona
sobre o uso de outros gases como óxido de propileno, formaldeído, beta-propilactona,
ozônio, peróxido de hidrogênio, na fase de vapor, plasma gasoso e outros processos
em fase de desenvolvimento. O
exemplo mais comum de risco ao paciente devido ao uso de óxido de etileno foi
primeiramente estudado por Dyro (34). As formas de controle dos riscos para trabalhadores
de centro de material esterilizável no Brasil são tratadas pela Portaria Interministerial
número 1510 de 28.12.90. - Quimioterapia
(35, 36, 37)
Os produtos
químicos empregados nos tratamentos quimioterápicos são ministrados ao paciente
com finalidades específicas. Seu objetivo principal é inibir o crescimento de
tumores malignos (células cancerígenas). Por analogia às drogas bacteriostáticas
(que detém o crescimento dos germes), são denominadas de citostáticos, pois detêm
o crescimento de células. A aplicação inadequada dessas substâncias (citostáticos
ou citotóxicos) podem trazer sérias consequências aos pacientes e mesmo aos funcionários
que executam esse tipo de serviço. A
seguir são mencionadas as medidas de controle de riscos que envolvem o uso de
citostáticos no ambiente hospitalar. - Recepção
e armazenamento
- Deverá
ser realizada por pessoal com conhecimento dos riscos inerentes aos mesmos;
- Deverá ser feito o uso de etiquetas que indiquem
o conteúdo das embalagens, tal como "Contém Medicamento Citostático";
- O local de armazenamento deverá ser tal que evite
a queda e ruptura dos recipientes, não esquecendo que tais medicamentos podem
necessitar de condições especiais de armazenamento;
- Os
funcionários responsáveis pelo armazenamento dos medicamentos devem ter conhecimento
dos procedimentos a serem tomados em caso de ruptura dos frascos;
- O
cuidado no armazenamento de quimioterápicos é de muita importância, pois são medicamentos
de alto custo e têm vida útil limitada.
- Transporte
- A circulação de citostáticos no ambiente
hospitalar, tanto em embalagem original como em preparações para uso, deve ser
tal que garanta a proteção de quem transporta e evite a contaminação do ambiente.
Deve haver instruções precisas para estes procedimentos.
5)Pessoal responsável pelas
doses - A iluminação
do ambiente de trabalho deve seguir as necessidades ergonômicas requeridas para
esta atividade;
- Na manipulação de quimioterápicos,
devem ser utilizados recursos como os de ventilação e exaustão ambiental, mais
especificamente capelas de fluxo laminar, cujo sentido do fluxo deve ser avaliado
de acordo com o procedimento a ser desenvolvido. Deste modo o controle ao se espalhar
vapores de tais substâncias será mais eficiente. A proteção de ambientes com ventilação
natural não é recomendada, devido a mudanças aleatórias no fluxo de ar, o que
impede um controle eficaz;
- O pessoal que
prepara a medicação deverá ter conhecimento dos riscos associados a citostáticos,
cuidar para que a esterilidade da solução seja mantida, bem como estar ciente
dos riscos a que a pacientes oncológicos estão sujeitos em caso de receberem solução
contaminada.
- O pessoal terá formação suficiente
para realizar essas atividades e será avaliado pelo responsável do treinamento;
- As mulheres gestantes não deverão manusear citostáticos,
em período de lactância, mães de crianças com malformação congênita ou com histórias
de aborto, de alergia a tratamentos prévios com citostáticos;
- O
pessoal que maneja citostáticos não deve ser exposto a um nível de radiação ionizante
que supere os 15 msv por ano, devido ao efeito sinérgico citotóxico de ambos agentes;
- Ao selecionar o pessoal que fará a manipulação,
se levará em consideração que os riscos de manejo afetam tanto homens quanto mulheres;
- Deve ser certificado que todo o material necessário
às atividades estão no local desejado. Isso evita repetidas paradas durante a
execução dos serviços;
- A área de trabalho
deve ser limpa com álcool a 70%, antes e após início das atividades. O álcool
reage com o quimioterápico, quebrando suas moléculas e tornando-o menos agressivo
ao ser humano;
- Deve ser certificado que
o medicamento a ser usado é realmente aquele que o paciente necessita. O rótulo
e as instruções pertinentes ao produto devem ser cuidadosamente observadas;
- As ampolas de vidro dos medicamentos devem ser
manipuladas com muito cuidado, devido à sua fragilidade;
- Durante
a diluição do quimioterápico, faça uso de algodão ou gaze para envolver o frasco
de água destilada e ampola;
- Somente o material
necessário à operação deve ser colocado sobre a mesa ou campo de trabalho empregado.
Esta medida organiza o trabalho e evita acidentes;
- A
saída da área de trabalho deve ser feita somente após o término das operações;
- Uma vez terminada a preparação, o citostático
deve ser perfeitamente identificado: nome do princípio ativo, nome registrado,
quantidade, concentração, volume, ficha de preparação, ficha de validade e condições
especiais de conservação, se houver;
- A
limpeza das mãos deve ser feita de acordo com as normas assépticas (38).
- Vestuário
- O material do vestuário deve ser impermeável;
- Durante a manipulação de quimioterápicos
deve-se usar luvas e avental de manga comprida, pois o contato de quimioterápicos
com a pele pode causar queimaduras.;
- Devido
ao risco de lesão da córnea, o uso de óculos de proteção individual é sempre recomendado;
- As luvas a serem utilizadas não devem ser permeáveis
aos citostáticos, entretanto na impossibilidade de realizar testes eficazes, pode-se
fazer o uso de luvas de látex (as luvas de cloreto polivinila – PVC têm maior
resistência, porém proporcionam menor sensação de tato). Neste caso, devem ser
trocadas a cada 30 minutos, tempo a partir do qual a proteção diminui; mesmo assim
deverão ser trocadas cada vez que se produza contato com o medicamento;
- O uso de máscaras também se faz indispensável,
pois têm o objetivo de prevenir a inalação ou ingestão de aerosóis na fase do
manejo. Obviamente que o manuseio correto de citostáticos não permitirá a formação
de aerosol, principalmente, se o uso obrigatório de Cabines de Fluxo Laminar Vertical,
Classe II, Tipo B, for feito;
- Quando não
se dispuser de Cabine de Fluxo Laminar, ouso de máscaras é obrigatório, e sua
seleção deverá ser feita de modo a obter a maior capacidade de retenção de citostáticos
e proporcionar conforto ao usuário.
6)Material
utilizado nas preparações - O
material utilizado no preparo da medicação (tais como máscaras, frascos, agulhas,
seringas, luvas, etc) devem ser recolhidos em um recipiente, com tampa, provido
de dupla bolsa de material plástico suficientemente consistente, que deve estar
presente nas unidades de enfermaria. As bolsas plásticas devem ser seladas e etiquetadas
segundo a norma do hospital, desde que indiquem o risco potencial existente.
7) As técnicas de processamento
destes materiais podem ser: - Incineração:
a uma temperatura não inferior a 1000ºC, pois em temperaturas inferiores as moléculas
não são destruídas;
- Aterro: em um lugar
destinado especificamente para este fim e seguindo a legislação vigente;
- Contratação de empresa especializada e reconhecida
na eliminação de material tóxico. É recomendado o uso de materiais descartáveis
sempre que não houver medidas já padronizadas para a reciclagem de materiais.
De qualquer modo, o descarte de materiais deve ser feito em local apropriado,
segundo orientações específicas de órgãos especializados.
8)Excretas A
maior parte dos medicamentos citostáticos são excretados como tais ou em forma
de metabólicos ativos, fundamentalmente em urina e fezes. Neste sentido deve-se:
- Evitar a manipulação indiscriminada;
- Utilizar vestuário adequado, o mesmo utilizado
na preparação da dose;
- Evitar procedimentos
que contaminem o ambiente.
9)Medidas frente a uma contaminação
- Em caso de contaminação direta do manipulador
com o medicamento, lavar imediatamente a zona afetada com água e sabão por um
tempo mínimo de 10 minutos;
- Se o contato
for feito com os olhos, lavar imediatamente com água abundante, durante ao menos
15 minutos, utilizando-se para isto um lava-olhos que, obrigatoriamente, deve
existir no local de trabalho. A seguir, procurar um oftalmologista, levando consigo
o maior número de informações sobre o produto;
- Se
as luvas ou roupas forem contaminadas, deve-se trocá-las imediatamente;
- Diante de uma contaminação ambiental (ruptura,
derrame, etc.), o pessoal responsável pela higiene se vestirá com avental, máscara
e luvas de PVC (uma vez que proporcionam maior proteção que as de latex) e se
o produto for suscetível de ser neutralizado, a solução específica deverá ser
utilizada. A seguir, com o uso de panos absorventes, limpará cuidadosamente a
área contaminada seguindo-se de limpeza com água e detergente. O material utilizado
sofrerá o mesmo tratamento daquele utilizado nas preparações de medicamentos;
- Tomar cuidado com vidros quebrados.
10)Cabine de Fluxo Laminar
(CFL) - Deve ser
instalada de modo a prevenir a dispersão de aerosóis;
- Deve
ser do tipo escoamento vertical descendente, classe B, tipo II;
- Dez
minutos antes de se iniciar as atividades, ligar a CFL;
- A
pressão negativa utilizada na CFL deverá ser de 12 mmHg;
- Diante
da impossibilidade de se verificar a vida útil dos filtros, troque os pré-filtros
a cada 500 horas. Os filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) devem sofrer
testes microbiológicos a cada 5000 horas. A partir dos resultados, será decidida
a troca ou uso por mais 1000 horas, situação em que serão testados novamente.
Saliente-se que vida do filtro depende da pureza do ar captado e do uso da CFL.
É aconselhável o uso de um horímetro que marcará automaticamente o número de horas
de uso da CFL;
- A velocidade de escoamento
do ar deverá ser de 29 a 32,5 metros por minuto;
11)Farmácia Os
agentes químicos produtores de risco formam um grande grupo, o que torna impossível
relacioná-los em um manual deste porte. Entretanto, os laboratórios de manipulação
devem ser adequadamente construídos, visando minimizar os riscos destes produtos
para o ser humano e para as instalações. O emprego de cabine de fluxo laminar
é um dos equipamentos indispensáveis para esse tipo de trabalho; devem ser de
escoamento vertical, classe II e tipo B. O SESMT, dentro de suas atribuições,
deve avaliar os riscos existentes no local de trabalho. A
farmácia, como parte de suas atividades, trabalha frente às operações de AEMTM
(Armazenamento, Estocagem, Manuseio e Transporte de Materiais). Neste sentido,
estocar e administrar um almoxarifado de medicamentos não é como estocar alimentos
– apesar da importância das duas atividades para a saúde humana. O alimento estragado,
na maioria das vezes, é facilmente identificável. No caso dos medicamentos, a
realidade é outra: se eles têm o seu estado normal alterado, tornam-se inativos
ou nocivos à saúde e, o que é pior, são de difícil reconhecimento (39). Assim
sendo, o manuseio de medicamentos pode significar a diferença entre saúde e doença,
e em casos extremos, entre a vida e a morte. Algumas informações relativas à segurança,
tanto do pessoal quanto dos medicamentos, são: - Descartar
medicamentos e psicotrópicos quando vencidos; não reutilizar;
- Não
reutilizar antibióticos; descarte em aterros sanitários minimizando seus efeitos
no meio ambiente;
- Instalar equipamento
contra incêndio e treinar o pessoal;
- Comunicar
à CIPA e ao SESMT, os riscos que você conhece dentro do seu ambiente de trabalho;
- Realizar a inspeção no almoxarifado, utilizando
para isso o roteiro de referência.
. Visando
de controle destes riscos, maiores informações podem ser obtidas nas referências
(39,40). O mais importante é ter certeza que o SESMT do hospital tenha todas as
informações pertinentes aos produtos e atividades a serem desenvolvidas na farmácia.
Para tanto, o SESMT deve ser convidado a participar de todas as ações de controle
de risco no ambiente hospitalar, ou a convite do responsável pelo setor ou mesmo
da CIPA. 12)Manutenção O
serviço de manutenção faz uso frequente de agentes químicos em suas atividades.
Para exemplificar, apresentamos a relação seguinte:
Sabões e detergentes:
nos sabões temos a presença preponderante de álcalis (hidróxido de sódio ou de
potássio), ácidos graxos, perfumes, corantes, abrasivos, agentes germicidas (fenol,
cresol, timol, iodeto de mercúrio, hexaclorofeno, etc.);
Solventes e plastificantes
: os solventes representam um grupo muito conhecido e perigoso. Os principais
são o benzeno, acetona, formaldeído, derivados de glicóis, chumbo e outros;
Tintas e vernizes:
são utilizados pigmentos inorgânicos, na maioria metálicos (titânio, chumbo, zinco,
cromatos, cádmio, ferro, etc.) e os orgânicos (derivados de naftilamina, betanaftol,
toluidina, etc.). Também são utilizados endurecedores, secantes, emulsificantes,
plastificantes, fungicidas, antioxidantes, etc.);
Derivados de petróleo e óleos:
entre eles citamos os derivados aromáticos (benzeno, tolueno e xileno), os alifáticos
(etileno, butileno, acetileno e propileno). Os óleos de corte e lubrificantes
recebem aditivos como anti-oxidantes, anticorrosivos e modificadores de viscosidade,
os quais são na realidade os causadores de sensibilização da pele. Eles podem
ser solúveis e insolúveis, naturais e ou sintéticos;
Resinas e plásticos:
as resinas naturais (lacas) têm sido utilizadas em menor escala, sendo que as
sintéticas têm seu poder sensibilizante cada vez menor. As resinas causadoras
de dermatites de contato são as epóxi e fenol-formaldeídicas. De
um modo geral, os agentes químicos mais manipulados pela manutenção são os gases
medicinais e esterilizantes, gasolina, querosene, aguarrás, thinner, óleo diesel,
óleos lubrificantes diversos, álcool, benzina e outros mais específicos. O
risco inerente dependerá da atividade adotada pelo serviço de manutenção do hospital.
Cabe ao SESMT determinar a medida de proteção adequada a cada caso, visando proteger,
principalmente, o contato direto com a pele e as vias respiratórias.
3.4. Riscos biológicos
no ambiente hospitalar O
risco biológico é intensivamente encontrado no ambiente hospitalar. Neste tópico,
ele foi tratado diferentemente dos anteriores. Assim, optou-se pelo tratamento
setorial, ou seja o estudo dos setores onde esses riscos estão marcadamente presentes. A
necessidade de proteção contra um risco biológico é definida pela fonte do material,
pela natureza da operação ou experimento a ser realizado, bem como pelas condições
de realização. Não há controvérsias sobre o risco de contaminação quando se trabalha
com patógenos conhecidos. Existem normas e classificações que regem os níveis
de contenção adequados para os seus manuseios (41, 42, 43). Entretanto,
as instituições devem possuir meios de tratar novos riscos, o que deve ser efetuado
pelo SESMT e pelos profissionais da área. A implementação de novas técnicas de
segurança deve ser adotada sempre que as medidas existentes se mostrarem ineficazes.
3.4.1. Laboratório de
análises clínicas É
apresentado a seguir um conjunto de recomendações gerais, para servirem como guia
de manipulação em laboratório de análises clínicas. Estas orientações foram estabelecidas
em acordo com o NIH – National Institutes of Health (Institutos Nacionais de Saúde),
CDC – Centers for Desease Control (Centros para Controle de Doenças), o NCCLS
– National Committee for Clinical Laboratory Standards (Comitê Nacional para Normas
de Laboratórios Clínicos) e Laboratory Safety Manual – WHO – World Health Organization
(43). As maiores fontes
de contaminação são o contato mão-boca, o contato mão-olho, os cortes e feridas
superficiais na pele exposta e a perfuração cutânea. Para prevenir contaminação
acidental por riscos biológicos, devem ser observadas as seguintes orientações:
- Usar luvas quando as atividades a serem desenvolvidas
exigirem contato com fluidos corpóreos (soro, plasma, urina, ou sangue total);
- Usar protetor facial, como óculos de segurança,
principalmente quando houver possibilidade de espirros de fluidos;
- Usar
vestimentas de proteção, como aventais, quando o risco biológico for reconhecido;
- Lavar as mãos antes de retirar as luvas e antes
de sair da área contaminada;
- Minimizar
a formação de aerossóis durante as manipulações laboratoriais;
- Evitar
o contato das mãos com a face;
- Não comer,
beber ou aplicar cosméticos na área do laboratório;
- Não
pipetar qualquer líquido, incluindo água, através da boca;
- Não
permitir o contato de ferramentas ou qualquer peça de laboratório com a boca;
- Não usar pias de laboratórios para lavar as mãos
ou outras atividades de higiene pessoal;
- Cobrir
todos os cortes superficiais e ferimentos antes de iniciar os trabalhos no laboratório;
- Seguir os protocolos de biossegurança para o laboratório
e para o depósito de materiais contaminados;
- Usar
soluções desinfetantes adequadamente preparadas, sempre que necessário;
- Manter os frascos que contêm material infectante
fechados, toda vez que não estiverem em uso;
- Não
levar luvas para áreas externas do laboratório e lavar as mãos quando sair do
laboratório;
- Especial atenção deve ser
dada ao uso de centrífugas que, manuseadas erroneamente, produzem partículas respiráveis
e podem ser ejetadas durante o uso do equipamento, devendo ser operadas de acordo
com as instruções do fabricante;
- Para as
operações de homogeinização e mistura, dê preferência para os homegeinizadores
de "teflon", pois os de vidro são quebráveis e podem liberar material
infectado repentinamente. O recipiente deve ser aberto, após a operação, em cabine
de segurança biológica;
- Deve-se tomar cuidado
especial durante a abertura de ampolas contendo material seco e resfriado. Estes
materiais são condicionados a vácuo e, ao abrirem, produzem um influxo de ar que
poderá ser suficiente para dispersá-los na atmosfera. Abra-os em cabine apropriada;
- O manuseio de geladeiras e "freezers",
deve ser feito com cuidado. Devem ser limpos e degelados regularmente. Verificar,
atentamente, a existência de material ou ampolas quebradas. Use luvas de borracha
durante estas operações;
- Todo laboratório
deve elaborar um plano de procedimentos de emergência e utilizá-lo adequadamente
quando necessário. Este plano deve conter informações referentes a: avaliação
do biorisco, gerenciamento e descontaminação para cada acidente possível, tratamento
médico de emergência para o pessoal lesado, levantamento médico e acompanhamento
clínico do pessoal exposto e investigação epidemiológica;
- Dentre
outros tipos de acidentes, devem ser incluídos nos planos o seguinte: quebra de
recipiente com material em cultura; infecção acidental por injeção, corte e abrasão,
ingestão acidental de material contaminados no interior de centrífuga, fogo, vandalismo,
equipamento de emergência, serviços de emergência para contatos externos ao laboratório,
etc;
- Outras recomendações podem ser obtidas
na referência (44).
Os
profissionais da área devem ter plena consciência da segurança em seu local de
trabalho. Normalmente, por ainda não terem sido infectados, alguns profissionais
podem achar que seu trabalho é inócuo. Entretanto, basta lembrar que acidentes
acontecem em qualquer ambiente e, neste caso específico, as conseqüências podem
ser sérias, inclusive fatais.
3.4.2. A qualidade da
água O
fornecimento de água não contaminada é essencial para várias operações no hospital.
Além de ser necessária à vida, é utilizada para procedimentos de limpeza, desinfecção
e esterilização, para preparo de banhos para hemodiálise e diálise peritoneal,
no preparo de alimentos; em compressores e bombas de vácuo selados à água. Obviamente
os requisitos de pureza irão variar para cada tipo de consumo. De
um modo geral, a qualidade da água é estabelecida por autoridades locais, comitês
de saúde e outras agências de saúde da comunidade, as quais estabelecerão parâmetros
que podem incluir amostragem e análises periódicas. Devido
ao fato da água ser um veículo de contaminação que atinge rapidamente uma grande
quantidade de indivíduos, o hospital deve determinar uma política própria para
o controle de qualidade da água. Além
dos testes e análises da água, para verificação de sua qualidade, um conhecimento
mais profundo sobre todo o sistema de abastecimento de água deve ser obtido. Assim
sendo, apresentamos um "check list" com o objetivo de permitir a obtenção
de maiores informações sobre o abastecimento. - Qual
a origem da água de abastecimento? (poço artesiano, município, empresas especializadas)
- Que tipo de tratamento é dado á água?
- Com
que freqüência são feitas as análises na água?
- O
acesso aos reservatórios de água são restritos?
- O
reservatório de água possui tampas adequadas, para impedir o contato direto com
a atmosfera?
- Com que freqüência é feita
a desinfecção dos reservatórios de água?
- Existe
no hospital qualidades de água diferenciadas? Quais?
- A
rede de esgoto recebe algum tratamento especial?
Outras
informações sobre a qualidade da água para uso no ambiente hospitalar é dado no
Capítulo 4, item 6, sob o seguinte título: O uso de água no ambiente hospitalar.
3.4.3. O ar condicionado
como agente de contaminações Recentemente,
a Legionella pneumophila foi reconhecida como um patógeno hospitalar comum, respondendo
por quase 4% dos casos fatais de pneumonia hospitalar, em uma série (45, 46).
Este microrganismo, um delgado bacilo Gram-negativo, foi reconhecida como patógeno
hospitalar no famoso surto da Doença dos Legionários em Filadélfia, nos EUA, em
1976. Sua importância como patógeno hospitalar tem sido cada vez mais entendida
(46, 47). A prevalência
deste microrganismo depende de sua presença em um reservatório de água do hospital,
em particular as torres de refrigeração de sistemas de ar condicionado (45, 48)
ou caixas d’água (49, 48) e sua subseqüente disseminação por aerossolização (50). A
epidemiologia dos surtos de legionelose depende da prevalência do microorganismo
no suprimento de água local, dos meios técnicos pelos quais os hospitais são aquecidos
e resfriados (51) e dos tipos de pacientes expostos aos inócuos aerossolizados. Assim
sendo, o setor de Engenharia Clínica e SESMT do hospital devem considerar este
importante aspecto de contaminação, quando da realização de projetos desses sistemas,
bem como na determinação das rotinas de manutenção e verificação da qualidade
da água. Usualmente,
a Legionella pneumophila é encontrada com as seguintes dimensões: 0,3 a 0,4 m
m de largura por 2 a 3 m m de comprimento (48). Este fato permite adorar como
medida de controle, o uso de filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air), pois
estes filtros, quando adequadamente instalados, possuem uma eficiência mínima
de 99,97% na remoção de partículas de 0,3mm. Entretanto,
como medida preventiva, a análise de água de torres de resfriamento e água condensada
e trocadores de calor tipo "fan-coil", utilizados comumente em centrais
de ar condicionado, deve ser realizada. Dentre as técnicas empregadas, inclue-se
a cultura em meio sólido (52). Este método tem sido feito, empregando meio sólido
suplementado por L-cisteina e sais férricos, como por exemplo agar Mueller-Hinton
enriquecido com pirofosfato férrico e L-cisteina (FG agar) (53) e agar de levedura
de extrato de carvão vegetal (CYE – Charcoal Yest Extract) (54).
3.4.4. Higiene hospitalar
O setor de higiene
hospitalar, através de suas atividades, é bastante exposto aos riscos biológicos.
Muito comum são os acidentes com materiais perfuro-cortantes ou corto-contusos
(contaminados) encontrados displicentemente depositados em recipientes inadequados,
ou seja, sem resistência mecânica suficiente para impedir acidentes. Assim
sendo, a coleta de lixo no ambiente hospitalar deve ser seletiva. Deste modo será
possível definir quais os recipientes que deverão ser utilizados para coleta de
resíduos. Tais procedimentos são necessários, pois além de promover a segurança
dos trabalhadores, proporcionará redução de custos envolvidos no tratamento de
resíduos hospitalares. Esta
prática só terá validade se acompanhada por um programa de educação continuada,
visando treinar, principalmente, os novos funcionários da instituição hospitalar
no modo correto de se descartar o lixo. Não raro, se encontram agulhas hipodérmicas,
agulhas de sutura, lâminas de bisturi e outros materiais como pinos e parafusos
acondicionados em sacos de pano destinados ao transporte de roupas cirúrgicas
contaminadas para a lavanderia hospitalar. Devido à possibilidade de acidente,
a velocidade de produção deste setor é diminuída, e o que é mais grave, aumenta
o número de acidentes entre o pessoal que desenvolve atividades nas áreas contaminadas
deste setor, principalmente quando desembalam os artigos a serem lavados.
3.5. Riscos mecânicos
Vários estudos têm
demonstrado os acidentes de natureza mecânica que ocorrem com pacientes (escorregões
e quedas quando tentam fazer uso de sanitários e durante o banho), quando se movimentam
em macas cujo centro de gravidade foi inadequadamente dimensionado e mesmo com
funcionários que, na tentativa de movimentar ou posicionar pacientes, passam a
sofrer de problemas relativos à coluna vertebral. Um
deles mostra que, nos EUA 10% das ações legais que representaram custos para os
hospitais, durante um período de 3 anos (1975 a 1978), envolveram quedas (55).
Outro estudo mostrou que, de 875 reinvindicações por parte de pacientes, durante
um período de 4,5 anos, 20% foram devidas a quedas e escorregões (56). Há
ainda os casos de crianças lesadas por ficarem presas às grades de berços (57,
58) ou sofrerem quedas de incubadoras (59). Outros casos descrevem quedas de monitores
fisiológicos sobre pacientes acamados, lesões associadas a procedimentos de anestesia,
como quebra de dentes e cordas vocais durante a intubação de pacientes (60). Associado
aos centros de radiologia, outro estudo realizado pela Fundação de Gerenciamento
de Risco das Instituições Médicas Harvard (Risk Management Foundation of the Harvard
Medical Institutions), durante um período de 9 anos, mostrou que, de 29 reinvindicações
de pacientes, aproximadamente 7% (2) dos casos envolviam lesões de natureza mecânica
relacionadas a equipamentos. Um deles associado à quebra de um cabo de sustentação
de um intensificador de imagens, o qual ao cair, provocou fratura da pelve do
paciente. No outro caso, o paciente teve o dedo fraturado quando foi atingido
pela parte móvel da mesa de raios-X (61).
4. COMPLICAÇÕES DEVIDAS
AOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS Ambos,
Engenheiros Clínicos e Enfermeiros, devem compreender as complicações causadas,
ou no mínimo fortemente influenciadas, pelos avanços tecnológicos relativos a
equipamentos médicos. As seguintes complicações podem ser imediatamente reconhecidas
e compreendidas para que medidas de prevenção possam ser tomadas: complicações
iatrogênicas, responsabilidade legal, ansiedade, "burn-out" e desumanização
(4). Complicações iatrogênicas:
vários termos têm sido usados para descrever os danos causados a pacientes, quando
relacionados a equipamentos médicos. Iatrogênese é um termo que se refere aos
danos causados por médicos, e esta definição tem sido transportada para intervenções
médicas e de enfermagem. A complicação iatrogênica é definida como qualquer desordem
(enfermidade) que resulta de um procedimento de diagnóstico ou terapêutico (62).Esse
estudo, sobre ocorrências adversas identificadas em um hospital universitário,
mostrou que 35% delas eram relacionada ao uso de equipamentos médicos, dos quais
42% eram relacionadas a drogas. Isto se refere aos equipamentos que controlam
doses de substâncias medicamentosas como: bombas de infusão, perfusores, nebulizadores,
equipamentos de anestesia gasosa,... As
complicações iatrogênicas não fazem parte de um fenômeno recente, tampouco é restrito
a áreas de cuidados intensivos. Há trinta e sete anos atrás (63), as complicações
resultantes dos avanços da tecnologia médica foram descritas. Entretanto, a maioria
dos equipamentos médicos são encontrados nas áreas de cuidados intensivos. Nesse
sentido, o interesse pela identificação e estudo de complicações iatrogênicas
tem aumentado (64, 65, 62), bem como o interesse em analisar as complicações relacionadas
a equipamentos médicos. O resultado dos estudos mostrou que o erro humano faz
parte significante destes. Em uma análise de145 incidentes ocorridos durante um
período de 5 anos (1974 – 1978), em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) médico-cirúrgica,
mostrou que: - 30% das complicações
foram devidas ao mau uso dos equipamentos médicos;
- 34%
das complicações foram devidas a erros de comunicação (49);
- de
96 incidentes relacionados a equipamentos médicos, 48% lesaram o paciente;
Esse
estudo, além disso, mostrou que os acidentes estavam associados como fluxo sazonal
de enfermeiros e médicos inexperientes na UTI (77, 78, 79). Daí se conclui que
a inadequação desses funcionários está relacionada com a falta de treinamento
formal no uso de tecnologia médica e que a solução para esse tipo de problema
é, sem dúvida, um adequado programa de treinamento (69, 70, 71, 72).
- Responsabilidade legal: é uma complicação
adicional em resposta ao avanço da instrumentação médica. Em adição à proliferação
da instrumentação, três outros fatores influenciam fortemente a responsabilidade
da enfermagem: novas regras, a impessoalidade dos sistemas de saúde e as mudanças
dos aspectos legais (73);
- Hoje,
os monitores cujo funcionamento é baseado na tecnologia dos microprocessadores
proporcionam mais informações e mais exatidão. A menos que essa informação seja
assimilada e a ação apropriada seja tomada, as enfermeiras serão responsáveis
por as terem rejeitado (74). No recente clima das responsabilidades legais, a
enfermagem tem a obrigação de utilizar a tecnologia aceita como padrão de cuidados
com o paciente. Incorrerá, portanto, em responsabilidade se uma tecnologia disponível
não for utilizada ou se determinada informação não for executada (4). O tribunal
não olha à enfermagem como uma arrumadeira ou trabalhador braçal, mas como um
profissional da área da saúde responsável por ministrar cuidados padronizados
(74, 75);
- Ansiedade:
o "stress" é uma complicação adicional devido aos avanços tecnológicos.
Psicose de UTI, o impacto psicológico adverso nos grupos de trabalhos de UTIs
foi identificado nos fins dos anos 50 e início dos anos 60 (76). O impacto emocional
recebido pelos membros de UTIs nunca havia sido considerado. No início, se pensava
que o fato das equipes de UTIs estarem administrando cuidados de nível a pacientes,
reduziria a tensão e aumentaria a moral da equipe como um todo. Foi necessário
que se passasse mais de 15 anos, desde a primeira publicação sobre os efeitos
psicológicos originados em pacientes de UTIs, para se perceber que o mesmo problema
(periontogênse – desordens devido ao ambiente), acomete os profissionais da equipe
que trabalha na UTI (77, 78, 79). Em adição aos efeitos do ambiente, esses profissionais
estão sujeitos a outros problemas que geram o "stress", como: equipes
inadequadas, tomar decisões relacionadas à vida e morte o convívio com a nova
tecnologia (80) e finalmente a natureza ativa do trabalho, que impondo uma sobrecarga
física ao trabalhador, compõe as situações geradoras de "stress" (81).
Para maiores informações, leia (82).
- Burn-out:
outra situação que vem chamando a atenção é o que se chama de "burn-out",
o qual atinge diferentes grupos que compõem os profissionais da área da saúde
(83). Um estudo realizado em 11 diferentes grupos que compõem os profissionais
da área da saúde (84) mostrou que apesar dessas profissões oferecerem benefícios
sociais e financeiros, não proporcionam melhorias na vida pessoal, como anteriormente
o faziam. O interesse em ganhos econômicos, prestígio e poder substituem a idéia
do serviço. O "stress" no trabalho, tensão, humilhação e ansiedade crônica,
levam não só ao "burn-out" como à doença, aos problema de relacionamento
familiar e conjugal, alcoolismo e mudança de carreira. Dois fatores identificados
podem contribuir para controlar este fenômeno: a falta de uma educação especializada
que glorifica os benefícios da carreira, e a educação em serviço, que remove o
idealismo do profissional. Em outras palavras, "burn-out" pode ser entendido
como os efeitos danosos do exercício profissional, sob situações continuadamente
stressantes. Mais especificamente, desilusão com a profissão escolhida, acompanhado
de um trabalho estressante.
Este
fenômeno é também observado em outras categorias profissionais.
- Desumanização: a quinta complicação, originada
devido aos avanços na tecnologia (85, 86). Seus primeiros sinais foram provenientes
dos relatórios relativos à psicose de UTI. A desumanização pode levar a neuroses,
psicoses como depressão, rejeição e dependência seguidas de infarto do miocárdio
(87). Na tentativa de utilizar a perfeita técnica, a interação entre pacientes
e profissional é freqüentemente esquecida. A desumanização causa um impacto adverso
tanto no profissional como no paciente. Por isso é mais provável que o paciente
mova uma ação legal, caso venha ser, lesado ou não tenha recebido um tratamento
adequado durante sua estadia no hospital (88,89).
CAPÍTULO II
Tópicos de Segurança Aplicados
INTRODUÇÃO
Este capítulo tem como
objetivo informar aos profissionais do ambiente hospitalar, em especial aqueles
da área de segurança e medicina do trabalho, sobre as questões de segurança aplicada.
Procura fornecer subsídios básicos para as atividades desenvolvidas no ambiente
hospitalar.
- ATIVIDADES DE CONSTRUÇÃO E REFORMA
O ambiente hospitalar constantemente
sofre reformas provenientes das necessidades de adequação de áreas de serviços,
ampliações, manutenção, instalações de novos equipamentos e sistemas. Estas
atividades podem ser executadas por equipe interna normalmente consciente da rotina
hospitalar e dos cuidados intrínsecos que esse ambiente necessita, radicalmente
diferentes de um canteiro de obras tradicional. Outra opção bastante utilizada
é a contratação de empresas de construção civil para a execução dos serviços desejados. Neste
último caso maiores cuidados são necessários. Em um hospital as atividades de
construção ou reforma nem sempre podem ser realizadas como e quando se deseja.
É preciso planejá-las antecipadamente, para minimizar sua interferência nas atividades
hospitalares. Normalmente,
não se encontram no mercado empresas com especialização nessa área. Assim, todas
as normas e regras do ambiente são novidades para as pessoas envolvidas na construção.
Portanto, deve-se assegurar que essas informações sejam passadas e assimiladas
rapidamente pelos novos trabalhadores. Inclui-se junto com estas informações as
normas referentes às características físicas das instalações como as referidas
em (40, 90) e outras. Nessas
situações, o SESMT do hospital, independentemente do seu dimensionamento, deve
participar ativamente com os organizadores das atividades visando minimizar os
efeitos nocivos que as mesmas possam vir a causar ao ambiente e a seus ocupantes,
funcionários e visitantes). As seções seguintes apresentam diversas orientações
sobre os cuidados necessários em obras de construção civil realizadas no ambiente
hospitalar.
- Orientações gerais
Os
responsáveis pelas atividades de construção e reformas devem ter sempre em mente
que: - as
obrigatoriedades legais relativas à Segurança e Medicina do Trabalho, impostas
pela Lei nº 6.514 de 22 de dezembro de 1977, e pela Portaria do Ministério do
Trabalho nº 3.214 de 08 de junho de 1978, devem ser cumpridas visando manter a
integridade física e a saúde do trabalhador;
- o
ambiente hospitalar é um local onde as pessoas necessitam de descanso. Portanto,
as operações ruidosas devem ser minimizadas e sua realização devem ser feita em
horários apropriados;
- a poeira gerada em
obras de construção civil pode danificar equipamentos sensíveis e carrear microorganismos,
contaminando os pacientes. Portanto, deve ser minimizada. Como medidas práticas
de minimizar poeira em atividades de construção civil, pode-se adotar o emprego
racional de tapumes para separação de ambientes de trabalho; acondicionar produtos
como pedra, areia e cimento em locais fechados; utilizar a pulverização de água
com frequência em partes da obra que produzam maior quantidade de poeira;
- Orientações para segurança na obra
Este item traz algumas
informações sobre segurança que devem ser seguidas para reduzir riscos de acidentes,
durante as várias atividades que compõem as obras de construção civil.
2.2.1 A segurança nas
atividades de demolição - Na
demolição de edificações com pintura à base de chumbo, amianto, substâncias radioativas
ou que causem poeiras ou fumaças nocivas à saúde, devem ser usadas máscaras especiais
e vestimentas protetoras;
- Os
ruídos devem ser minimizados, limitando-se o uso de compressores e outros equipamentos
de maior ruído a horários adequados;
- Todos
os locais de trabalho e acesso deve ter iluminação (natural ou artificial) de
acordo com a NBR 5413;
- Todas
as peças de madeira atacadas por insetos (cupins) ou apodrecidas devem ser queimadas.
Os cupins são muito comuns em restos de madeiramento de obras e podem se tornar
um sério problema para a futura instalação hospitalar;
- Quando for permitida a queima de madeiras
em áreas construídas, devem ser tomadas medidas que evitem a propagação de chamas;
- É proibida a permanência de trabalhadores
ou outras pessoas no pavimento imediatamente abaixo daquele que está sendo demolido;
- Os escombros devem ser removidos o mais rápido
possível, procurando-se evitar que seu acúmulo excessivo gere condições satisfatórias
para sobrevivência e proliferação de vetores de doenças.
2.2.2 Proteção contra
incêndio no canteiro de obras O
trabalho da construção civil emprega vários tipos de materiais e artigos de características
combustíveis, principalmente madeiras. Desta forma, algumas recomendações relacionadas
à proteção contra incêndio no canteiro de obras são apresentadas a seguir:
- Deve ser instalado um sistema de alarme,
capaz de dar sinais perceptíveis em todos os locais do canteiro;
- Quaisquer chamas ou dispositivos de aquecimento
devem ser mantidos afastados de construções de madeira. A cozinha ou aquecedor
de marmitas deve ser instalado em local apropriado e de fácil controle. Quando
o hospital estiver em funcionamento, deve-se usar a infra-estrutura do Serviço
de Nutrição e Dietética (SND) existente;
- A
administração da obra deve manter no escritório uma relação dos extintores, controlando
seu prazo de validade da carga, localização, número e equipe responsável pela
sua conservação.
2.2.3 A segurança na
atividade de escavação - O
terreno deve ser cuidadosamente avaliado por profissional competente antes da
escavação, principalmente, em trabalhos de abertura de valas. Não esquecer de
verificar a existência de tubulações de gases, de esgoto de instalações elétricas
antigas;
- A estabilidade
do terreno deve ser verificada, de modo a evitar desabamentos de escavações. Escoramentos,
em acordo com as exigências legais, devem ser utilizados;
- Observar o risco de veiculação de microorganismos
através de poeiras originadas das escavações. Estas devem ser minimizadas, principalmente
se forem executadas escavações nas proximidades de sistemas de captação de ar
para condicionamento (48).
2.2.4 Proteções
(internas e externas) e andaimes As
proteções internas são dispositivos instalados para evitar quedas em níveis inferiores.
São mais conhecidos corrimões e guarda-corpo. Redes e proteções devem ser utilizados
tanto para conter a queda de trabalhadores como de ferramentas e materiais. Proteções
contra contato com redes elétricas devem ser feitas sempre que houver a possibilidade
de contato acidental, direto ou indireto. O
adequado uso de andaimes traz grandes benefícios ao trabalhador e facilita o desenvolvimento
das atividades. A negligência em sua utilização representa uma fonte potencial
de risco de queda, principalmente quando associadas a riscos elétricos. Deve-se
dispor de normas de uso e de proteção nas atividades que desempenha.
2.2.5 A segurança em
escadas, passagens e rampas A
transposição de diferenças de nível acima de 40 centímetros deve ser feita através
do uso de degraus, rampas ou escadas. Devem ser usados na confecção dos mesmos
materiais de boa qualidade e grande resistência. Portas
ou janelas não devem abrir diretamente para locais de escadas, passagens ou rampas.
Ao construir escadas ou rampas, utilize ângulos de inclinação recomendados. As
escadas de madeira deverão ser pintadas somente com verniz, de modo a revelar
as condições de insegurança do material (rachaduras, trincas, etc.). O reparo
em escadas deve ser feito com muita responsabilidade e segurança. Escore ou amarre
escadas sempre que a situação o exigir.
2.2.6 A segurança em
instalações gerais
- Instalações elétricas
Os
riscos inerentes a instalações elétricas devem ser reduzidos através de dispositivos
de proteção, sinalização, uso de equipamento de proteção e treinamento. Os reparos
em instalações elétricas devem ser feitos somente por profissional especializado.
As instalações elétricas não devem ser sobrecarregadas com equipamentos elétricos.
O uso de duplicadores em tomadas ("benjamim" ou "tês") deve
ser expressamente proibido. As instalações elétricas, equipamentos e instrumentos
devem estar adequadamente aterradas. O terceiro fio (fio terra) de alimentação
de equipamentos e instrumentos deve ser sempre utilizado.
b) Instalações hidráulicas e sanitárias São
dois os aspectos de segurança aplicados a instalações hidráulicas e sanitárias:
os aspectos construtivos e os de higiene na obra. Os aspectos construtivos são
aqueles que visam garantir a segurança da obra no futuro. Constituem-se da verificação
adequada das instalações durante o processo construtivo. Uma boa fiscalização
poderá evitar uma série de problemas futuros, tais como entupimentos, vazamentos
ou infiltrações. Os aspectos
de higiene na obra são relativamente fáceis de ser implantados. Para tanto, uma
boa integração deve ser feita entre os funcionários da empresa contratada e o
novo ambiente de trabalho. Por exemplo, o uso das próprias instalações sanitárias
do hospital pelo pessoal contratado é uma prática que facilita o controle de riscos
biológicos. Não sendo possível esse procedimento, as práticas de higiene aplicadas
ao hospital devem ser as mesmas aplicadas ao canteiro de obras.
c) Instalações de gases Muitos
acidentes com aparelhos médicos que fazem uso de sistemas pneumáticos para sua
operação (aparelho de anestesia ou de suporte ventilatório) têm sua origem em
obras de construção e reforma. A interrupção acidental do fornecimento de determinado
gás medicinal ou a troca de conexões entre dois ou mais tipos de gases, originadas
por aquelas atividades, pode resultar em acidentes. Assim, antes de realizar operações
com esses sistemas, deve ser certificado que as tubulações estejam perfeitamente
identificadas e que os gases que elas contêm sejamos mesmos das identificações
que devem ser encontradas ao longo das linhas de distribuição de gases medicinais.
d) Instalações de elevadores Os
elevadores de obra só devem ser operados por pessoal adequadamente treinado. Os
poços de elevadores devem dispor de fechamentos provisórios todas as vezes em
que forem liberados para uso. O uso de cintos de segurança em reparos de elevadores
deve ser obrigatório sempre que a situação envolva risco de queda.
e)Instalações de ar condicionado,
de exaustão e insuflação Estas
instalações são importantes no que diz respeito ao controle do conforto térmico
e ao controle de riscos biológicos transmitidos pelo ar. Basicamente existem dois
tipos de instalações de ar condicionado: a de escoamento turbulento e a de escoamento
laminar. Cada qual tem suas vantagens e desvantagens. O SESMT, a CIPA e a Comissão
de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) devem determinar, em conjunto, o tipo
a ser utilizado em cada área. Outros
aspectos a considerar no ambiente hospitalar é o reaproveitamento do ar à baixa
temperatura. Isso será determinado pelo tipo de atividade desenvolvida no ambiente
a ser condicionado. Quanto maior a pureza exigida pelo ambiente menor será a taxa
de reaproveitamento do ar. Em todos os casos, o reaproveitamento de ar deverá
ser feito com filtragem adicional do mesmo, o que acarretará uma sobrecarga biológica
nos filtros destinados a esse fim. Outros
conceitos importantes são o de insuflação (pressão positiva) e exaustão (pressão
negativa). Em ambientes que só devem receber ar adequadamente tratado (por exemplo,
lavanderias hospitalares de área limpa) são empregados sistemas de ventilação. Sendo
pressurizados positivamente, o ar proveniente do sistema de ventilação sai pelas
frestas ou aberturas especialmente projetadas para tal fim. A entrada de ar externo
não tratado no ambiente é impedida, dificultando a penetração de microorganismos. A
pressão negativa é utilizada em locais onde os contaminantes são gerados (por
exemplo, lavanderia hospitalar de área contaminada). Neste caso o contaminado
é retirado do local onde é gerado, protegendo o trabalhador da área e fazendo
com que a carga biológica possa ser tratada (filtros ou energia fornecida por
lâmpadas (ultra-violeta) antes de ser lançada no meio ambiente. Este procedimento
permite um perfeito controle do risco biológico.
2.2.7 Cuidados na alvenaria,
revestimentos e acabamentos Em
cada pavimento, a alvenaria deve ser iniciada pelas caixas de elevadores, câmaras
de exaustão, escadas e fachadas. Esta providência reduz o risco de quedas com
diferença de nível. No
ambiente hospitalar devem ser empregados revestimentos laváveis, de boa durabilidade
e facilidade de conservação. Revestimentos que possibilitem aderência de sujeira
não são aconselháveis para uso em ambiente hospitalar, mesmo havendo facilidades
no controle de infecção.
2.2.8 Máquinas, equipamentos,
veículos e ferramentas Com
relação ao uso de máquinas, equipamentos e veículos na obra, os seguintes aspectos
devem ser considerados: a)Instrução
operacional O treinamento
tem como finalidade básica instruir o funcionário com relação aos modos de operação
e riscos associados ao equipamento. São demonstrados ao funcionário os EPI necessários,
bem como os danos que o uso inadequado dos equipamentos podem provocar. Antes
de colocar o equipamento em uso, deve-se verificar se as condições ergonômicas
para o trabalho são seguras,.proporcionando proteção para o operador e outros
funcionários. b)Instalação Embora
muitos equipamentos sejam de instalação simples, outros requerem maiores cuidados
como elevadores de obra e guindastes. A instalação adequada destes equipamentos,
além de facilitar consideravelmente as atividades na obra, evitam sérios acidentes
com envolvimento de funcionários e terceiros. Para
estes equipamentos, devem ser verificados todos os tipos de dispositivos de proteção
necessários ao equipamento (alarmes sonoro e visual, chaves de partida e parada,
etc.).
c)Manutenção A
manutenção adequada irá assegurar a diminuição do risco de acidentes, evitar a
parada intempestiva do equipamento e garantir a eficácia dos dispositivos de segurança
implementados no equipamento. A
manutenção deverá ser realizada de acordo com as recomendações do fabricante do
equipamento. Após paradas prolongadas do equipamento, uma especial atenção deve
ser dada à manutenção do mesmo. - Ferramentas
Trabalhos
especializados sempre exigem ferramentas especiais, o que significa riscos especiais.
É preciso certificar se os operadores sabem manusear adequadamente o equipamento
e se o mesmo dispõe dos dispositivos de segurança necessários. Várias causas de
acidentes ocorrem por imperícia ou negligência.
2.2.9 Armazenagem, estocagem,
manuseio e transporte de materiais (AEMTM) Os
cuidados mais comuns com AEMTM são considerar as seguintes características dos
materiais: peso, forma, reatividade química, ficha técnica contendo dados de primeiros
socorros, equipamentos de transporte, locais, passagens, enfim os riscos a ele
associados.
- Cuidados durante a concepção arquitetônica
de hospitais
Os
antigos hospitais (séc. IX AC – Bagdá, séc. IX – China – dinastia Hang e Tang,
séc. XIII – Cairo – Hospital Mansur e no mesmo século aqueles edificados por Asoka,
grande legislador da Índia, com alas separadas em maternidade, aprendizado, farmácia
e armazenamento) exigiam durante sua construção características especiais como
iluminação, decoração, facilidade de movimentação, fornecimento de água, (2) etc. Os
hospitais mais modernos têm sido construídos, nos últimos tempos, em diversos
sistemas de edificações (pavilhão, satélite, em "U",...) e têm se modificado
cada a dia que passa com o objetivo de dar suporte aos equipamentos e instalações
que devem abrigar. É
nessa fase que vários erros, acidentes e prejuízos ocorrem. As vezes são prejuízos
que serão sentidos em um futuro próximo, durante a inauguração, outras imediatamente
em acidentes durante a obra. Com relação ao paciente, vários cuidados devem ser
tomados, como a escolha adequada de áreas para a implantação de instalações de
gases medicinais, centrais de compressão e vácuo. Iluminação, centrais de ar condicionado
e de ventilação, distribuição de eletricidade, instalação de sistemas de alarme,
entre outros. A diversidade
de infra-estrutura de construção civil existente no ambiente hospitalar é originada
através das mudanças tecnológicas sentidas a partir do início do século. Atualmente
a construção de salas para uso de raios-X, radioterapia, tomografia computadorizada,
salas de cirurgia, entre outras, exige medidas específicas e atenção especial,
pois alguns fatores pode comprometer o objetivo final do ambiente. Para
informações específicas sobre as necessidades de infra-estrutura para os hospitais,
além das contidas neste manual, utilize as referências (40, 90).
- O USO DA ELETRICIDADE NO AMBIENTE HOSPITALAR
- Fundamentos
e requisitos
No
ambiente hospitalar a energia sob forma de eletricidade é fonte de vida. São vários
os equipamentos que têm esta finalidade: centrais de ar comprimido e oxigênio
medicinal, aparelhos de suporte ventilatório, lâmpadas cirúrgicas, bombas para
infusão de drogas e medicamentos, centrais de geração de energia auxiliar e outros. Entretanto,
o mau uso e a manutenção deficiente nos sistemas elétricos podem trazer conseqüências
desastrosas para os funcionários, visitantes e pacientes, até mesmo à própria
instituição hospitalar. Neste sentido, a compreensão dos assuntos referentes ao
bom uso da eletricidade é necessária aos profissionais do ambiente hospitalar.
Por esses motivos, é justificável um programa de reciclagem e treinamento para
uso de eletricidade . Uma
vez que os profissionais que mais fazem uso da eletricidade em seu dia a dia são
os eletricistas e eletromecânicos, descrevemos aqui uma série de orientações para
um primeiro reconhecimento dos riscos elétricos no ambiente hospitalar.
3.1.1 Fundamentos e requisitos
no setor de manutenção Deve
ser verificado se estão disponíveis no hospital:
- óculos de proteção individual e luvas de proteção
individual com isolamento elétrico adequado para os valores de tensão elétrica
empregados no hospital, além disso verificar se os sapatos dos eletricistas são
do tipo sem ilhós metálico e com biqueira de plástico resistente;
- programas de treinamento em primeiros socorros
e reanimação cardiorespiratória, bem como programas de reciclagem;
- fio terra como parte dos circuitos elétricos
e nos cabos de alimentação de equipamentos e instrumentos;
- dispositivos de proteção, como disjuntores,
fusíveis, relés térmicos e outros, indispensáveis a determinados tipos de instalação;
- ferramentas adequadas para as necessidades
de trabalho;
- material
técnico essencial para a realização de reparos de urgência, como plantas elétricas
de força e luz, fusíveis e disjuntores reservas;
- etiquetas de identificação pessoal para serviços
em eletricidade.
3.1.2 Fundamentos e requisitos
nas cabines primárias de energia elétrica
Deve ser verificado se existem
na cabine primária: - piso
isolante para operação de circuitos que operam em alta tensão (13.800 volts);
- luvas isolantes compatíveis com os valores
de tensão de trabalho;
- luva
de couro sobre a luva de borracha, para evitar microfuros na luva isolante, prolongando
sua vida útil;
- haste
isolante para operação em alta tensão (troca de fusíveis em instalações de alta
tensão);
- proteção
que evite religamento acidental de circuitos desenergizados;
- iluminação suficiente para os trabalhos a
serem ali realizados;
- disjuntores
compatíveis com as correntes elétricas de trabalho;
- potência de transformadores adequada a potência
instalada no hospital.
3.1.3 Distribuição de energia
Com relação à distribuição de energia
verifique se existe: - aterramento
elétrico de todos os quadros de distribuição;
- identificação
dos circuitos elétricos de modo a facilitar seu manuseio;
- espelhos protetores que evitem o contato
com condutores de eletricidade;
- partes
aquecidas dentro do painel, o que indica a existência de mau contato elétrico.
3.1.4 Geração de energia auxiliar
Quanto ao sistema de geração de
energia auxiliar, deve ser verificado a existência de: - painel
de transferência automático, responsável pela entrada automática do grupo de geração
de energia elétrica auxiliar em caso de interrupção do fornecimento normal. O
tempo de transferência deve ser menor que 10 (dez) segundos;
- bacia
de contenção ao redor do tanque de combustível e se a mesma está aterrada;
- controle do nível do reservatório de combustível;
- painel de controle de frequência e tensão gerado
pelo grupo, com indicação da temperatura da água de refrigeração e da pressão
do óleo;
- manuais de operação da unidade.
3.1.5
Centrais de ar condicionado e ar refrigerado Os
sistemas de refrigeração, ventilação, exaustão e ar condicionado para uso hospitalar
visam a proteção e o conforto dos pacientes e funcionários. Embora não difiram
muito das instalações industriais, cumpre lembrar que: - ambientes
refrigerados são diferentes dos ambientes que empregam ar condicionado. Os primeiros,
por não controlarem a umidade, fazem com que o ar ambiente se torne seco, causando
sensação de desconforto para os usuários;
- em
ambientes como UTI, onde os pacientes podem passar longos períodos de tempo, deve-se
empregar o ar condicionado. A umidade do ar deve ser mantida em níveis favoráveis
à manutenção das perdas de líquidos, via transpiração e respiração;
- em
ambientes onde existam grande probabilidade de contaminação por vias respiratórias,
o ar tratado termicamente (frio ou quente) não deve ser reaproveitado diretamente.
Em outras palavras, a massa de ar envolvida não deve ser reutilizada. Em áreas
menos críticas pode-se usar a recirculação de ar.
3.1.6 Máquinas de lavanderia e
equipamentos de esterilização Os
equipamentos de esterilização e lavagem empregam motores e resistências elétricas
de potência elevada, bombas de água e de vácuo. Utilizam, ainda, complexos comandos
elétricos que servem para controlar o processo desejado. Algumas
características ambientais desses setores potencializam riscos elétricos no local
de trabalho. Um exemplo é o uso frequente de água associada ao processo produtivo
frente aos circuitos elétricos. Muitos
dispositivos eletromecânicos podem ser utilizados nestes ambientes para aumentar
a segurança contra riscos elétricos e de explosão. Assim, são asseguradas a integridade
do funcionário e a qualidade dos produtos oferecidos aos pacientes.
3.2
O choque elétrico O
choque elétrico é uma resposta fisiológica indesejável e desnecessária à passagem
de corrente elétrica através do corpo humano. Os efeitos do choque elétrico produzidos
no corpo humano podem ser divididos nos seguintes fenômenos patofisiológicos críticos:
a tetanização, a parada respiratória, queimaduras e fibrilação ventricular. A
tentanização é caracterizada pelo descontrole muscular causado pela interferência
que a corrente do choque elétrico produz nas correntes elétricas de controle do
corpo humano. Quando ocorre a tetanização, o acidentado pode perder o controle
de membros ou órgãos do corpo, independentemente da consciência ou vontade. Na
parada respiratória ocorre contração violenta dos músculos peitorais, fazendo
com que a atividade dos pulmões seja bloqueada. Consequentemente, ocorre perda
da função vital da respiração. Trata-se de uma situação de emergência. As
queimaduras ocorrem devido à liberação de energia térmica pelo corpo humano, quando
da passagem de corrente elétrica pelo mesmo (efeito Joule). São críticas nos pontos
de entrada e saída da corrente elétrica do corpo humano, devido à maior resistência
dessa corrente provocada pela pele. Manifestam-se como queimaduras profundas e
de cura mais difícil, e dependendo da intensidade, podem ocasionar a morte. A
fibrilação ventricular ocorre quando uma corrente elétrica de fonte externa passa
pelo miocárdio (coração). Os impulsos periódicos que em situação normal regulam
as contrações e expansões do coração são alterados pela ação da corrente elétrica.
O coração vibra desordenadamente, perde o compasso e sua função de bombear o sangue
através do corpo humano. O indivíduo é levado a óbito por falta de oxigenação
cerebral. A ocorrência
de fibrilação ventricular depende de quatro fatores principais: o percurso da
corrente elétrica pelo corpo humano, a intensidade da corrente que circula, o
tempo de duração do choque e a frequência com que a corrente se propaga. A
importância do percurso se deve ao fato de que a resistência que o corpo humano
faz à passagem da corrente depende do caminho que esta percorre. Além de determinar
a intensidade da corrente, o percurso sugere a gravidade do choque em função dos
órgãos que são percorridos por ela. Por exemplo, o percurso braço-braço sugere
que a corrente elétrica passa diretamente sobre o músculo cardíaco, aumentando
muito a probabilidade de fibrilação ventricular. A
intensidade da corrente e o tempo de duração do choque são aspectos importantes
na gravidade de um choque elétrico. A probabilidade de fibrilação ventricular
é diretamente proporcional a estes fatores. A freqüência da corrente também é
importante, sendo que as correntes alternadas (50 e 60 Hz) são mais perigosas
do que as correntes contínuas. Com relação as correntes alternadas, o perigo aumenta
com a diminuição da freqüência. A
ocorrência da fibrilação ventricular é um caso crítico mas reversível. É um fenônemo
que se mantém mesmo quando a corrente que a originou cessa. Pode ser anulada através
do uso do equipamento chamado de "desfibrilador", disponível em todos
hospitais e prontos socorros.
3.3 O macro e micro-choque
Os riscos de choque elétrico estão
presentes em todas as áreas do ambiente hospitalar, inclusive naquelas destinadas
a pacientes. Estas exigem um método de controle de riscos mais eficiente. Muitas
vezes os pacientes, em áreas de tratamento intensivo, estão em sentidos e não
podem demonstrar reações a determinados valores de corrente elétrica. O
mesmo pode ocorrer em salas cirúrgicas ou sob qualquer forma de monitoração cardíaca,
de caráter invasivo ou não. Para diferenciar os riscos a que pacientes e funcionários
estão sujeitos com relação ao choque elétrico, algumas definições são dadas a
seguir:
3.3.1 Macro-choque
É a resposta fisiológica indesejada
à passagem de corrente elétrica através da superfície do corpo humano, que produz
estímulos desnecessários e indesejados, contrações musculares ou lesões dos tecidos
(23). De outro modo, é aquele relacionado aos contatos elétricos estabelecidos
externamente com o corpo humano estando a pele íntegra. Pode atingir tanto o paciente
quanto o pessoal médico (91).
3.3.2 Micro-choque
É a resposta fisiológica indesejada
à passagem de corrente elétrica através da superfície do coração, a qual produz
estímulos desnecessários e indesejados, contrações musculares ou lesão dos tecidos
(23). De outro modo, é classificado como devido aos contatos elétricos provocados
dentro do organismo, através de catéteres ou eletrodos aplicados no coração ou
próximo dele.
3.4 Controle de riscos elétricos
3.4.1
Introdução A compreensão
do choque elétrico é importante para todos aqueles que trabalham com ou próximos
de equipamentos elétricos. Pacientes e funcionários que lidam diretamente com
equipamentos do hospital são especialmente susceptíveis ao choque elétrico, pois
são obrigados a manter contato com a carcaça (chassis) do mesmo. Assim, medidas
de controle devem ser tomadas para minimizar todos os riscos de acidente por choque
elétrico no ambiente hospitalar. Algumas destas medidas são citadas a seguir.
3.4.2 Aterramento
Todos os recintos para fins médicos
devem possuir um condutor de aterramento para proteção (identificado pela cor
verde ou verde-amarela), conectado de forma permanente nas tomadas, sendo que
a tensão de contato convencional é limitada a 25 V em corrente alternada. Esse
condutor deve ser comum a todas as partes condutivas expostas. Próximo
ao ponto de origem da instalação (serviço–secundário do transformador) deve existir
uma ligação equipotencial principal, com uma barra de aterramento principal, sendo
que devem ser feitas conexões através de condutores de ligação para as seguintes
partes: Condutores
de proteção de pára-raios: - aterramento
do sistema de distribuição de energia elétrica;
- sistema
de aquecimento central;
- partes condutivas
dos encanamentos de água, gás e esgoto;
- estrutura
metálica do edifício, se aplicável.
Cada
recinto para fins médicos ou conjunto de salas médicas deve possuir sua própria
barra de distribuição do condutor de proteção, localizada no quadro de distribuição
de energia. A impedância entre tal barramento e cada terminal de terra nas tomadas,
não deve ultrapassar 0,2 ohm. A área de secção transversal dos condutores de proteção
é determinada pela tabela abaixo. Em certas condições pode ser necessário dispor
o condutor de proteção separado dos condutores de fase, a fim de evitar problemas
de medição ao se registrar biopotencias (92).
| ÁREA
DA SECÇÃO TRANSVERSAL DO CONDUTOR FASE S (mm2) |
MÍNIMA ÁREA DE SECÇÃO TRANSVERSAL
DO CONDUTOR DE PROTEÇÃO
CORRESPONDENTE(mm2) | |
S < 16 |
S |
| 16
< S < 35 | 16 |
| S
> 35 | S/2 |
3.4.3 Interruptores de corrente
de fuga É um dispositivo
que interrompe a corrente elétrica de um determinado circuito antes que seus efeitos
danosos aos seres humanos ou a equipamentos possam ocorrer. Os interruptores de
corrente de fuga recomendados para ambientes hospitalares devem ter seu tempo
de desligamento da ordem de 200 milisegundos ou menos. Na
instalação de interruptores de corrente de fuga, as seguintes observações devem
ser consideradas: - instale
um interruptor para cada barramento de energia elétrica a ser utilizado, evitando
que outros circuitos sejam desligados sem necessidade;
- não
aterre o fio neutro após o interruptor de corrente de fuga, evitando a fuga corrente
pelo novo aterramento, o que impede o funcionamento do dispositivo;
- o
interruptor de fuga somente deve ser aplicado em chuveiros e torneiras elétricas
blindadas. A natural fuga de corrente pela água existente em chuveiros e torneiras
que permitem contato direto entre as resistências elétricas com a água, desligará
indevidamente o circuito.
3.5
Política de segurança em eletricidade
3.5.1 Escopo A
política de segurança deve cobrir a segurança dos pacientes, visitantes, funcionários
e as instalações hospitalares. Deve promover informação em segurança elétrica
e relacioná-las ao uso de aparelhos pessoais, instrumentação médica, equipamentos
não-clínicos e instalações elétricas em geral.
3.5.2 Classificação das áreas hospitalares
com relação à segurança elétrica São
divididas conforme segue: - Áreas
administrativas são as áreas não permissíveis
a pacientes, ou áreas onde os mesmos têm pouco ou nenhum contato direto com equipamentos
eletro-eletrônicos;
- Área de cuidados
gerais com o paciente são áreas onde o
paciente tem ou pode ter contato direto com terapia não invasiva e ou com equipamento
de monitoração eletro-eletrônico;
- Áreas
de cuidado intensivo (críticas) são as
áreas que possuem pacientes os quais estão, ou poderão estar, sob monitoração
invasiva ou terapia que utilize contato direto com o músculo cardíaco.
3.5.3 Novos equipamentos
Antes da compra de qualquer equipamento,
uma revisão sobre a requisição de compra será feita pelo setor de Engenharia Clínica.
Na falta deste setor de engenharia, o setor de manutenção deve fazer esta revisão,
desde que capacitado para este fim. Todo
equipamento recebido pela primeira vez no hospital deverá ser enviado ao setor
de Engenharia Clínica (33) (ou manutenção de equipamento médico), para que sejam
inspecionados quanto à compatibilidade com as normas referentes ao mesmo (no Apêndice
H, apresentamos as normas referentes a equipamentos médicos). Deve ser verificado
se atende às especificações técnicas do pedido de compra antes da liberação para
o usuário. Neste sentido, o uso de equipamentos para a análise do desempenho de
equipamentos médicos faz-se indispensável.
3.5.4 Programa de manutenção preventiva
Todo equipamento eletro-eletrônico
a ser utilizado em áreas críticas (ocupadas por pacientes) deverá ser inspecionado
periodicamente pelo setor de engenharia clínica (ou manutenção de equipamento
médico). Entre outros ensaios, deverá ser realizada a medição de corrente de fuga.
As inspeções deverão ser efetuadas de acordo com o especificado pelo fabricante,
antes do uso inicial, após reparos ou modificações, e no mínimo, anualmente (23,
33, 94), ou semestralmente (áreas de cuidados gerais como o paciente (33,94).
Estes testes deverão obedecer os requisitos e recomendações das Normas IEC 601
E e VDE 751. Os equipamentos
da área de apoio logístico deverão ser inspecionados anualmente, sendo que os
fatores determinantes da periodicidade da inspeção, independente da categoria
do equipamento são: recomendação do fabricante, padrões de outras reconhecidas
organizações técnicas e freqüência de uso (94). Para os dois tipos de equipamentos,
os resultados dos testes realizados devem ser armazenados pelo Setor de Engenharia
Clínica ou de Manutenção. As conclusões deverão ser apresentadas para o responsável
do setor onde o equipamento é utilizado (33). Um
programa de uso de etiquetas nos equipamentos deve ser implantado. Estas deverão
indicar entre outras coisas, a data da inspeção, a identificação do técnico responsável
e a data da próxima inspeção. O
usuário do equipamento deverá verificar as seguintes condições de risco do equipamento
antes da sua utilização: - plugues
danificados ou quebrados;
- fios desgastados;
- qualquer outra operação anormal do equipamento;
- danos visíveis no chassis;
- sobreaquecimento
das partes do equipamento;
- a etiqueta do
equipamento.
Se
alguma das condições acima for detectada, o setor de Engenharia Clínica (ou manutenção)
deve ser informado e o equipamento colocado fora de uso pelo setor usuário.
3.5.5 Restrições referidas aos
equipamentos As
modificações na instalação deverão ser feitas em acordo com as indicações dos
serviços de Engenharia Clínica, os quais utilizarão as normas técnicas aplicáveis
para o melhor desempenho e segurança do equipamento. Sempre que possível, adaptadores
especiais deverão ser omitidos, evitando complicações para o paciente. Caso seja
necessário usar adaptadores para o pino terra, pois os mesmos nunca deverão ser
eliminados, ao contrário, deverão ser testados pelo Serviço de Engenharia Clínica,
visando a verificação da continuidade dos condutores, e resistência do aterramento. Os
pacientes de áreas críticas devem ser proibidos de operar equipamentos eletro-eletrônicos
(TV, rádio, barbeadores elétricos, etc). Tal procedimento deve ser possível somente
mediante autorização expressa do médico responsável e após delicada inspeção pelo
Setor de Engenharia Clínica (ou manutenção), do referido equipamento (33). Os
seguintes equipamentos devem possuir o terceiro fio do aterramento: lâmpadas de
beira de leito, refrigeradores, aquecedores elétricos de água, aspiradores de
pó, freezers, aparelhos de ar condicionado e refrigerado, lavadoras de roupa,
secadoras de roupa, bombas d’água e ferramentas operadas com motores elétricos
(furadeiras, cortadores de grama, esmeris, serra circular, compressores, etc.).
3.5.6
Sistemas de potência Todas
as tomadas das áreas críticas deverão ser polarizadas com sistema de 3 fios (terceiro
fio para aterramento). A construção desses sistemas deverá seguir rigorosamente
as normas de segurança. Entre elas citamos: - NFPA
70: National Eletric Code;
- NFPA 76A: Essential
Electric Systems for Hospitals;
- NFPA 76B:
Electricity in Patient Care Areas of Hospitals;
- NFPA
76C: Use of High Frequency Eletricity in Health Care Facilitites;
- AAMI
SCL-P: Safe Current Limit Standard;
- UL
544: Standard for Safety; Medical and Dental Equipment;
- VA
Specification X-1414: Specification for Medical Monitoring Systems
Cuidados
especiais devem ser tomadas com relação ao sistema de aterramento. Para tanto,
consulte as normas citadas acima, o apêndice H, ou as referências (92, 193). As
normas técnicas pertinentes à área hospitalar podem ser encontradas na ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas) e no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
em São Paulo- Capital. 3.5.7
Programa de testes em tomadas As
tomadas deverão ser inspecionadas periodicamente para verificar polaridade (devem
ser padronizadas em todo o hospital), integridade do condutor terra, tensão de
contato e a segurança global. As tomadas defeituosas deverão ser substituídas
imediatamente. Os analisadores
de Segurança Elétrica deverão ser utilizados para facilitar o trabalho, bem como
minimizar os erros, e dentre os testes, deverão ser realizados os que seguem (26,
95): - tensão de linha;
- resistência de aterramento;
- integridade
do fio terra;
- fuga de corrente;
- interações entre equipamentos;
- resistência
entre os fios terra e fase;
- testes de tomadas;
- testes de pisos antiestáticos;
- testes
de sistemas isolados;
- testes de superfícies
condutoras.
Testes
de isolamento em chaves elétricas em monitores serão elaborados mensalmente. Os
testes em sistemas de isolamento devem ser feitos semestralmente (33). Relatórios
escritos deverão ser feitos após cada inspeção, contendo as principais conclusões.
Estes relatórios devem ser enviados ao diretor de engenharia ou equivalente.
3.5.8 Treinamento
Os funcionários que mantêm contato
rotineiro com eletricidade em áreas de cuidados com os pacientes, deverão ser
instruídos acerca dos riscos elétricos presentes. Isto deve ser feito durante
o período de integração do novo funcionário ao ambiente de trabalho e periodicamente
(reciclagem). Pessoal de cuidados intensivos deverá receber instruções especiais
em segurança elétrica, inclusive sobre primeiros socorros.
3.6 Utilização de equipamento eletromédico
A utilização de equipamentos eletromédicos
traz riscos ao operador e ao paciente. Muitos equipamentos médicos são capazes
de trazer danos irreparáveis se utilizados inadequadamente. Os cuidados com seu
uso devem ser bem compreendidos e justificados para aqueles que operam com equipamentos
desta natureza.
3.6.1 Treinamento
O treinamento deve ser considerado
de modo semelhante à manutenção preventiva. Pode-se deixar de fazê-lo e economizar
dinheiro por um período de tempo, porém os custos decorrentes da falta de treinamento
ficarão muito caros num futuro próximo. A
confecção de um modelo de treinamento deve ser feita cuidadosamente, de modo que
sua eficácia não seja diminuída por desconsiderar alguns fatores (96). Visando
facilitar a confecção de um bom programa de treinamento, são relacionadas algumas
considerações para serem analisadas. - Por
que ter um programa de treinamento?
- os
funcionários estão incapacitados de fazer algo;
- os
funcionários estão incapacitados de fazer algo de modo satisfatório;
- os
funcionários estão fazendo algo errado;
- Pré-requisitos para o programa de treinamento:
- determinação dos conhecimentos básicos necessários
para os treinandos;
- determinação da experiência
necessária por parte dos treinandos;
- avaliação
das capacidades individuais;
- determinação
das necessidades de treinamento para novos treinandos;
- determinação
das necessidades de treinamento para os atuais funcionários;
- decisão
sobre quais os métodos de treinamento que serão utilizados;
- investigação
da disponibilidade dos materiais de treinamento;
- estabelecimento
de um ambiente próprio para o treinamento;
- Questões a serem respondidas antes
de se iniciar o treinamento
- qual
o número de elementos que participarão do treinamento;
- com
que frequência serão ministradas as aulas;
- qual
a duração de cada aula;
- as instruções serão
ministradas durante o horário de trabalho;
- onde
serão ministradas as aulas;
- em que período
do dia as sessões serão programadas;
- qual
será o dia de início e o do final do treinamento;
- quais
são os objetivos do programa;
- Estabelecimento de um guia administrativo compatível
com a política do hospital:
- criação
de método de seleção dos treinandos;
- elaboração
de um programa específico para o treinamento;
- programação
de experiências práticas;
- elaboração de
uma revisão ou testes para avaliação do progresso dos treinandos;
- estabelecimento
de uma forma de reconhecimento do final do curso (certificado);
- Avaliação do programa de treinamento:
- uma avaliação integral do programa de treinamento
deverá ser elaborada;
- os instrutores e
treinandos deverão saber os métodos pelos quais serão avaliados;
- deverá
ser questionado se os objetivos foram alcançados;
- deverá
ser avaliado se o método de instrução e administração do programa foi satisfatório;
- deverá ser determinado se houve mudança comportamental
dos treinandos.
Estas
questões e análises permitirão um maior controle sobre as propostas de treinamento.
Permitirá, também, avaliar os benefícios que o treinamento trouxe à instituição
hospitalar com relação a segurança de pacientes, visitantes e funcionários.
3.6.2
Cuidados na aquisição A
avaliação da instrumentação médica tem muitas facetas e estas são realizadas de
diferentes modos e em diferentes tempos. Ela toma forma de documentação (revisão
e avaliação) e de inspeções e testes no equipamento. A
parte relativa à documentação está ligada à necessidade do equipamento dentro
do ambiente hospitalar (especificação), custos envolvidos, garantias, fornecimento
de peças, manuais de operação, de manutenção e treinamento do usuário e pessoal
de manutenção, etc. A
parte relativa à inspeção visa, sobretudo, verificar a segurança do equipamento
com relação a sua proposta como aparelhagem médias. Neste sentido, os equipamentos
a serem inspecionados devem ser pontuados de acordo com as seguintes definições:
- Imperfeição crítica: é aquela que,
através de uma análise e posterior julgamento, indica o que provavelmente o equipamento
trará às condições de risco para os indivíduos que o usam, mantém ou dependem
do produto. Pode ser, ainda, uma imperfeição que a experiência irá impedir o uso
total do equipamento;
- Imperfeição importante:
é aquela que não é crítica, mas provavelmente resultará em falha ou reduzirá materialmente
o uso do produto, dentro do que fora proposta.
- Imperfeição
menor: é aquela que não se inclui nas categorias acima;
O
maior cuidado na aquisição é não deixar de determinar e esclarecer quais os novos
riscos que tais equipamentos introduzirão no ambiente hospitalar. Isto permitirá
o desenvolvimento de políticas de controle de riscos mais adequadas.
3.6.3 Manutenção realizada pelo
operador Todo equipamento
médico deve possuir no mínimo dois manuais. O primeiro servirá de guia para o
operador e o segundo se destina às atividades preventiva e reparos. Entre outras,
estes manuais trazem as informações necessárias a cada parte (operador e técnico
de manutenção), com relação as atividades a serem realizadas sobre o equipamento. O
manual de operação traz as atribuições rotineiras do operador, que visam manter
o equipamento funcionando apropriadamente. É imperativo que os operadores não
intervenham no equipamento, nos assuntos que não dizem respeito as suas áreas
de trabalho. Os cuidados especiais que não estejam claramente descritos no manual
da operação devem ser realizados pelo pessoal técnico de manutenção, especializado
em tais atividades. Algumas
técnicas modernas incentivam a realização de tarefas de manutenção pelos próprios
operadores, entretanto, neste casos os operadores recebem treinamento adequado
para tal fim. Na falta deste treinamento, a execução da manutenção pelos operadores
pode trazer sérios riscos aos mesmos e aos pacientes. O procedimento recomendado
é a utilização do serviço especializado do hospital ou mesmo do fabricante do
equipamento.
3.6.4 Segurança no manuseio
A segurança total no manuseio do
equipamento provém do conhecimento profundo da sua finalidade, dos riscos associados
a ele e da prática supervisionada antes da sua utilização rotineira. Estes dados
devem ser levantados no período da aquisição do equipamento. A
política do manuseio seguro deve estar relacionada com a política de treinamento
e reciclagem de conhecimentos. A melhor forma de reduzir riscos de acidentes com
operação de equipamentos é permitir que somente pessoas certificadas (capacitadas)
operem os equipamentos, principalmente os mais complexos e de suporte à vida.
- EQUIPAMENTOS E SISTEMAS DE NATUREZA MECÂNICA
NO AMBIENTE HOSPITALAR
Os
equipamentos de natureza mecânica prestam-se a atender as necessidades de pacientes,
visitantes e funcionários. Dentre eles, citamos os de geração de vapor e energia
elétrica de emergência, produção, armazenamento e distribuição de gases medicinais
(vasos de pressão). Neste item menciona-se a importância de comandos elétricos
na segurança de equipamentos e instalações e dispõe-se sobre treinamento.
4.1 Manuseio, armazenagem e uso
de cilindros de gases Devido
à larga utilização de gases no ambiente hospitalar, muitos riscos são associados
a esta atividade. A eliminação e controle destes riscos depende fundamentalmente
de medidas simples e fáceis de executar. O
treinamento é o principal fator proporcionador de segurança, tanto para o funcionário
como para o paciente. O manuseio seguro de cilindros ou instalações centralizadas
de gases medicinais pode ser a diferença entre a vida e a morte de pacientes.
Deste modo, são apresentadas a seguir informações básicas relativas à utilização
(manuseio, movimentação e armazenagem) de gases no ambiente hospitalar, principalmente
os de alta pressão de fornecimento.
4.1.1 Manuseio
- Oxigênio e óxido nitroso são poderosos
oxidantes. Alimentam fortemente a reação de combustão, portanto, não se deve permitir
o contato de óleos, graxas e outras substâncias combustíveis com válvulas, reguladores,
manômetros e conexões;
- Não
manusear cilindros com as mãos ou luvas contaminadas com graxa ou óleo;
- Não utilizar oxigênio como forma de substituir
o ar comprimido em sistemas pneumáticos. Esta prática, além de ser extremamente
perigosa, representa um alto custo para o hospital, pois utiliza um gás medicinal,
para realizar uma função pneumática. Este tipo de uso se refere á movimentação
do fole de aparelhos de anestesia ou aparelhos de suporte ventilatório. Para se
ter uma idéia de custo, considere um consumo médio de 15 litros por minuto;
- Quando pequenos cilindros são preenchidos
com gás proveniente de cilindros maiores (com gás à alta pressão) ocorre rápida
recompressão. Além de perigosa e ilegal, esta recompressão no cilindro pequeno
causa elevação de temperatura, podendo resultar em explosão (97);
- Cilindros usados para um tipo de gás
podem ser carregados acidentalmente com gás de outro tipo, o que pode ocasionar
sérios acidentes. Quando se mistura ciclo-propano com oxigênio ou óxido nitroso,
a mistura resultante é altamente explosiva (98);
- As características dos cilindros não devem ser
removidos. Decalques, adesivos, etiquetas ou marcas não devem ser removidos. Todos
trazem informações fundamentais para diversos profissionais dentro do ambiente
hospitalar;
- As cores
dos cilindros não devem ser alteradas. As cores padronizadas identificam seu conteúdo;
- Cilindros sem identificação ou com identificação
duvidosa devem ser devolvidos ao fabricante;
- Os
cilindros devem ser mantidos distantes de chamas, fagulhas ou outras fontes de
calor. Locais quentes aumentam a pressão interna dos cilindros;
- Equipamentos específicos para cada tipo
de gás devem se usados;
- O
cilindro deve estar sempre acorrentado;
- Somente
ferramentas e equipamentos adequados devem ser usados para abrir as válvulas dos
cilindros;
- A válvula
de abertura é a parte mais susceptível a danos em um cilindro. Só remova o capacete
protetor da válvula quando o cilindro for entrar em uso;
- O uso e manuseio de cilindros somente
devem ser feitos por pessoal qualificado. Esta qualificação deve ser avaliada
por pessoal habilitado dentro do próprio ambiente hospitalar;
- Quando o cilindro estiver em uso, a válvula
deve estar completamente aberta. A válvula deve ser vagarosamente aberta (99).
A rápida passagem do gás pelo espaço existente entre a válvula do cilindro e a
conexão ou regulador de pressão provocará uma recompressão instantânea neste espaço,
gerando uma grande quantidade de calor. Deste modo, partículas de poeira, de graxa
ou óleo presentes neste espaço podem sofrer ignição pelo calor gerado, causando
fogo ou explosão (100, 101);
- Não
faça adaptações em conexões de cilindros. Elas são padronizadas de modo a evitar
acidentes com fornecimento do gás inadequado ao uso a que se destina;
- Os cilindros, como artigos não-críticos,
devem ser limpos antes de serem levados para centros cirúrgicos;
4.1.2
Armazenagem - Os
cilindros devem ser armazenados em locais secos, limpos e bem ventilados. É recomendado
um ambiente à prova de explosão. O piso deve ser condutivo para gases inflamáveis,
evitando acúmulo de eletricidade estática;
- Ventilação
forçada deve ser usada para evitar que o gás proveniente de vazamentos se acumule
no ambiente. Os motores para acionamento destes ventiladores devem possuir características
especiais. Os cilindros não devem ser armazenados em salas de cirurgia, corredores,
áreas de tráfego intenso ou em locais que possam sofrer choques e quedas (102);
- Informações como "REMOVA PARA UM LOCAL
DISTANTE DO CALOR EM CASO DE INCÊNDIO" NÃO FUME", "NÃO USE GRAXA
OU ÓLEO", "NÃO ARMAZENAR JUNTO COM MATERIAIS COMBUSTÍVEIS", devem
ser fixadas na área onde os cilindros serão armazenados;
- Cilindros podem ser armazenados em ambientes
abertos, desde que sejam protegidos da chuva e ação direta dos raios solares.
Deve-se assegurar que as etiquetas não sejam perdidas ou estragadas;
- Os cilindros não devem ser expostos a condições
extremas de calor e frio. Não deve-se permitir que se tornem úmidos ou sujos.
Devem ser mantidos distantes de fontes de calor, como por exemplo ,caldeiras,
faíscas ou chama. Nenhuma parte do cilindro deve ser submetida a temperaturas
superiores a 54°C;
- Se
a válvula do cilindro for congelada, o descongelamento deve ser feito com água
à temperatura ambiente ou aquecida com temperatura não superior a 55°C;
- Cilindros pequenos são melhor armazenados
em posição vertical ou horizontalmente alojados em locais especialmente construídos,
isentos de material inflamável e que não danifiquem a superfície dos cilindros
quando forem retirados;
- Os
cilindros devem ser utilizados de acordo com a ordem de chegada do distribuidor
e agrupados de acordo com seu conteúdo. Cilindros vazios devem ser identificados
e armazenados em local separado, de modo a evitar confusão e demora em casos de
emergência;
- Cilindros
que contenham gases oxidantes, como oxigênio e óxido nitroso, não devem, em hipótese
alguma, ser armazenados no mesmo ambiente de cilindros que contenham gases inflamáveis.
A mistura destes gases pode ser facilmente incendiada;
- Cilindros que contenham dióxido de carbono
devem ser armazenados juntamente com os cilindros de gases inflamáveis. O dióxido
de carbono é um agente extintor de fogo;
- Os
cilindros com defeito ou com suspeita de funcionamento impróprio devem ser marcados
e devolvidos ao distribuidor;
4.1.3
Movimentação A movimentação
de cargas deve respeitar as seguintes regras: - usar
equipamentos especiais para o transporte de cilindros;
- manter
o cilindro acorrentado durante o transporte;
- evitar
choques mecânicos de qualquer espécie, inclusive de um cilindro contra outros;
4.1.4
Criogenia O termo
criogenia se refere a baixas temperaturas. Em hospitais, se refere a gases liquefeitos
como oxigênio e óxido nitroso. Estes são largamente utilizados em virtude de ocuparem
um menor volume no armazenamento e uma maior quantidade de produto. Por estarem
na forma líquida, devem ser mantidos a baixíssimas temperaturas, normalmente a
–196 ºC. Os cuidados necessários com operações em criogenia são apresentados no
Apêndice B. 4.2 Sistemas
de redução de pressão e distribuição de gases medicinais Gases
medicinais são fornecidos a hospitais em reservatórios cuja pressão interna é
variável, conforme tabela 4. Pressões
de Gases Medicinais
| GÁS |
PRESSÃO (kgf/cm) |
| OXIGÊNIO
LÍQUIDO | 17
A 4 | | OXIGÊNIO
GASOSO, NITROGÊNIO | 200
A 155 | | AR
COMPRIMIDO MEDICINAL | 155 |
| ÓXIDO
NITROSO (PROTÓXIDO DE AZOTO) |
50 | |
ÓXIDO NITROSO MISTURA 12% PESO |
4 |
| ÓXIDO
NITROSO MISTURA 10% PESO | 52 |
| HÉLIO |
203
A 154 | | DIÓXIDO
DE CARBONO | 58 |
| MISTURAS
ESPECIAIS PARA ANÁLISE SANGÜíNEA |
185 A 150 |
| MISTURAS
ESPECIAIS PARA LASER | 185
A 155 | | MISTURAS
ANAERÓBICAS | 168
A 42 | | MISTURAS
ESPECIAIS PARA DIFUSÃO PULMONAR |
140 a 125 |
Tabela 4 Pressão de gases
medicinais –Coletânea de catálogos de fabricantes As
variações dos valores de pressão dos gases estão relacionadas, principalmente,
com o volume do recipiente que os contém. Estes valores de pressão, nem sempre
são compatíveis com as pressões de trabalho dos equipamentos ou sistemas que deles
fazem uso (respiradores, equipamentos de anestesia). Existem
também equipamentos cujo consumo é mais elevado, como as lavadoras extratoras
e calandras (lavanderia hospitalar), que fazem uso de ar comprimido industrial
em valores de pressão superiores. De qualquer forma, as pressões devem ser reduzidas,
fazendo uso de válvulas reguladoras de pressão. Sua finalidade primordial é reduzir
e controlar a pressão dentro dos limites de uso seguro. Todo
o sistema que trabalhe com altas pressões deve possuir um dispositivo que permita,
em caso de aumento da pressão interna do interior deste, um sistema de alívio
para a atmosfera – válvula de segurança ou disco fusível (103).
4.3 Ensaios de perfomance em
pontos de distribuição de gases medicinais e controles de impurezas Testes
periódicos devem ser realizados no sentido de se determinar vazamentos, entupimentos
de válvulas e saídas, capacidades de fornecimento do gás no ponto (vazão) e pressões
nas saídas. Deve ainda ser determinado o grau de impurezas nestes gases. O Apêndice
C traz mais informações a respeito do assunto.
- Dispositivos de controle e
segurança em geradores de energia elétrica auxiliar
Os
equipamentos de geração de energia elétrica auxiliar são compostos de um motor
de combustão interna, usando como combustível o óleo diesel, acoplado a um gerador
de eletricidade. Assim sendo, os dispositivos de controle para um fornecimento
seguro de energia elétrica, devem ser aplicados aos dois tipos de equipamentos
(motor gerador). As medidas de segurança que devem ser empregadas junto a este
sistema são: - Estabelecer um
programa mensal de manutenção preventiva, que permita o funcionamento da unidade
em situações emergenciais. Deve-se utilizar a tecnologia disponível para garantir
que os parâmetros técnicos do equipamento estejam dentro dos valores seguros de
funcionamento.
- Dentre
as funções específicas de cada equipamento, deve ser levado em conta a verificação/revisão
dos seguintes parâmetros:
- nível do eletrólito,
tensão das baterias e alarme para baixa tensão;
- nível
de óleo diesel no tanque de combustível e alarme de baixo nível de combustível;
- nível de água do radiador de calor do motor e
alarme de baixo nível de água;
- acoplamento
mecânico do motor e gerador, verificar aperto nos parafusos;
- revisão do sistema elétrico de aquecimento
do motor;
- revisão do sistema de carga nas
baterias;
- revisão nas tensões das correias
e do ventilador;
- revisão e reaperto das
mangueiras e conexões;
- revisão dos instrumentos
de medição (manômetros, termômetros, horímetro);
- realizar o teste de funcionamento manual periodicamente
e deixar o equipamento operando em vazio por pelo menos 15 minutos;
- medir, durante o teste, tensões, freqüência,
temperaturas e pressões;
- estabelecer o
funcionamento do equipamento uma ou duas vezes por semana;
- garantir
que a transferência de fornecimento de energia da concessionária para grupo gerador
(emergência) seja automática, com duração menor que 10 segundos;
- manter a água do radiador aquecida a uma
temperatura controlada em torno de 40 graus, de modo a garantir a partida do motor
diesel em dias frios;
- deve ser acoplado
dispositivo de controle de temperatura máxima da água, devendo os limites serem
sinalizados através de informação sonora e visual em painel centralizado;
- manter controle do nível de óleo (máximo e mínimo)
no reservatório de combustível;
- as informações
do controle de nível devem ser apresentadas sob forma de alarme sonoro e visual,
juntamente com o controle de pressão de gases e centrais de geração de vapor;
- implantar o uso de horímetro para controle das
horas trabalhadas e determinação de períodos específicos para troca de óleo, filtros
e outros elementos orgânicos de máquinas que necessitem de reposição periódica;
- deve existir controle periódico de pressão e da
temperatura do óleo, com informações de valores máximos e mínimos apresentados
em painéis centralizados.
- Alarmes de alta pressão utilizados
em sistemas de geração de vapor
Os
geradores de vapor são largamente utilizados em hospitais com os fins de esterilização,
lavagem e secagem de roupas, para aquecimento de água e processamento de alimentos.
O tipo de uso é que determinará a pressão de trabalho, normalmente maiores que
6 Kgf/cm2, o que acarreta risco de explosão. Para
evitar que tais riscos originem problemas reais de acidentes, devem ser empregados
dispositivos de controle. Para tanto, são empregados pressostatos, válvulas de
alívio, alarme sonoro e alarme visual. - Riscos
na operação de equipamentos de solda
No
ambiente hospitalar são usados diversos tipos de equipamentos e dispositivos para
solda de peças e materiais. São exemplos comuns a solda a estanho para circuitos
e componentes eletrônicos, solda oxiacetilênica, solda elétrica, solda acrílica
ou resina. Cada qual com seus riscos inerentes. Os
riscos a que os trabalhadores estão sujeitos vão desde a intoxicação até queimaduras
de pele e olhos. Cabe ao SESMT do hospital determinar as medidas de proteção necessárias
a cada procedimento de solda a ser efetuado. Algumas orientações para segurança
em solda serão dadas a seguir:
- Solda oxiacetilênica
- Informações gerais
- não
esfregar o bico do maçarico sobre qualquer superfície com objetivo de desobstruí-lo.
Usar uma agulha adequada para tal fim;
- não
usá-lo como ferramenta ou alavanca;
- usar
pressões de oxigênio e acetileno recomendadas pelo fabricante do equipamento;
- não usar o bico do maçarico de corte para a realização
de solda e vice-versa;
- não permitir que
pessoas leigas manuseiem o equipamento;
- não
usar fósforo ou chama direta para acender o maçarico;
- usar
sempre luvas de proteção, pois as peças quentes não podem ser percebidas visualmente.
- Informações relativas à área de trabalho
- verificar se o piso é a prova de fogo;
- utilizar anteparos de amianto ou outro material
resistente ao calor para proteger ambientes vizinhos;
- utilizar
ventilação local para retirar os gases principais e subprodutos da combustão (vapores
de solda e gases tóxicos);
- bancadas ou
mesas de trabalho em solda devem ser à prova de fogo;
- os
cilindros de oxigênio e acetileno devem ser firmemente fixados em paredes ou no
carro de transporte
- Equipamentos
de proteção individual
- o
operador deve estar protegido contra fagulhas, escória e brilho de chama durante
todo o tempo. Usar óculos de proteção, com lentes (filtros de luz) temperadas,
com tonalidade 5 ou mais escura para proteger os olhos contra ferimentos e proporcionar
boa visibilidade;
- luvas, mangas, aventais
e perneiras de proteção devem ser usadas para proteger a pele e as roupas contra
fagulhas e escória;
- deve-se conservar toda
a roupa e equipamento de proteção individual livre de óleo e graxa.
- Prevenção contra incêndio
- nunca utilizar óleo ou graxa nas proximidades
ou sobre equipamentos de solda oxi-acetilênica;
- conservar
a chama ou fagulhas longe dos cilindros e mangueiras;
- não
permitir que o maçarico aceso fique suspenso através da válvula reguladora, nem
ser colocado de modo que atinja o cilindro;
- usar
válvula contra retrocesso no regulador de pressão de oxigênio e no de acetileno,
para impedir que refluxo de gases ou ondas de pressão atinjam o regulador ou o
cilindro;
- as fagulhas de solda podem espalhar-se
num raio de até 10 metros, portanto, manter materiais combustíveis a uma distância
segura das áreas onde as operações de solda estejam sendo executadas;
- usar
anteparos protetores;
- manter na área de
trabalho um extintor de incêndio e inspecioná-lo conforme legislação vigente;
- usar o equipamento de solda apenas com os gases
apropriados;
- manter a chave na válvula
do cilindro, de modo que o mesmo possa ser fechado rapidamente quando necessário;
- usar líquido apropriado para detecção de vazamentos;
- quando o trabalho for interrompido, inspecionar
a área procurando possíveis focos de incêndio.
CAPÍTULO III Planos
de Emergência para o Ambiente Hospitalar
- INTRODUÇÃO
Devido
à importância que a água e a energia elétrica têm no ambiente hospitalar, principalmente
quando se fala na segurança do paciente, as instituições hospitalares devem ter
como princípio a confecção de planos de emergência que permitam lidar com situações
deste tipo. A maioria
dos equipamentos médicos (respiradores, carros de anestesia, monitores e unidades
eletrocirúrgicas) necessitam de eletricidade para funcionar. Não podem deixar
de funcionar abruptamente, sob pena de trazer sérias conseqüências ao paciente,
inclusive a morte. A água, por sua função saneadora (limpeza, desinfecção e a
esterilização de artigos e áreas hospitalares), não é menos importante. Nesse
sentido, são traçadas medidas neste manual para minimizar os riscos nocivos que
podem ocorrer em conseqüência da falta de energia elétrica e água. Além destes
planos, descrevemos os gerais de segurança relativos a incêndio e a proteção radiológica,
possibilitando ao profissional da área a verificação das variáveis que envolvem
estas questões de segurança. -
PLANO DE EMERGÊNCIA PARA FALTA D’ÁGUA
2.1
Objetivo A água
é empregada nas operações de limpeza, desinfecção e esterilização de áreas e artigos
hospitalares em todas as unidades sujeitas ao risco biológico, no preparo de alimentos,
no preparo de substâncias e reagentes em farmácia de manipulação e laboratórios
de análise clínica. É
usada para o consumo humano, em circuitos de equipamentos de suporte ventilatório,
para umidificação de sistemas de ar condicionado, em lavanderias, em equipamentos
de diálise e hemodiálise. Enfim, é primordial nos cuidados com a população hospitalar.
Para evitar conseqüências indesejáveis causadas pela falta repentina de água no
hospital, devemos nos preparar para enfrentarmos situações desse tipo.
- Confecção do plano
O
primeiro passo para a confecção do plano é determinar o consumo médio de água
no hospital, o que pode ser feito através de leituras nos rotâmetros instalados
pela empresa de abastecimento de água. Para um melhor controle dos setores consumidores
de água, rotâmetros individuais podem ser instalados nas prumadas de cada reservatório
de água e suas ramificações. Este tipo de levantamento servirá para determinar
quantidades e previsões de consumo em situações de emergência. O
segundo passo é determinar a política de abastecimento de água relativa a hospitais,
em caso de paralização generalizada ou parcial no abastecimento d’água. Normalmente
existe uma prioridade estebelecida pelas companhias fornecedoras de água. Deve-se
ainda verificar no mercado, a existência de empresas especializadas no transporte
e distribuição de água potável. Como última alternativa, o hospital deve recorrer
a estes serviços. Outra
opção é a construção de um poço artesiano, que em situações críticas ou mesmo
em abastecimento rotineiro, tem um papel fundamental. Contrate uma firma especializada
para fazer uma análise geológica do terreno e verificar as reais possibilidades
da construção do poço artesiano, cujo fornecimento de água seja compatível com
o consumo do hospital. Um estudo da relação custo e benefício deve ser feito. Estabeleça
dentro do hospital um programa de conscientização para o consumo de água. Este
programa deve ser realizado em conjunto com as gerências. As prioridades de consumo
devem ser identificadas e analisadas por todos, tornando possível uma decisão
mais acertada. Estas decisões devem incluir as seguintes respostas:
- os setores que terão prioridade no consumo
de água;
- as atividades que terão o ritmo
de consumo diminuído ou paralisado;
O
programa deve ser divulgado para toda a população hospitalar. Em emergências,
a colaboração de todos os grupos envolvidos é essencial.
- Sistemas de disparo das medidas
de controle
Uma
vez estabelecidas as medidas de controle, faz-se necessário um dispositivo que
tenha como finalidade dar início aos procedimentos adotados para a falta d’água.
Isto pode ser facilmente conseguido através da instalação de comandos elétricos
indicadores dos níveis mínimos de água. A
forma mais comum e prática de se realizar a distribuição de água para o ambiente
hospitalar é através de reservatórios inferiores em conjunto com reservatórios.
A água recebida é armazenada primeiramente em reservatórios superiores. A água
recebida é armazenada principalmente em reservatórios situados no piso mais baixo
do hospital, sendo então bombeadas para os reservatórios superiores (normalmente
de menor capacidade). A partir destes, são finalmente distribuídos para os setores
do hospital. Assim, a
monitoração da reserva d’água do hospital deve ser feita em dois níveis distintos:
- 1º nível – O reservatório inferior é o primeiro
a sentir a falta d’água. Eletrodos de nível d’água devem ser instalados em alturas
determinadas, conforme a natureza do programa. Estes eletrodos terão a finalidade
de gerar alarmes sonoros e visuais em quaisquer pontos do hospital. Através desses
dispositivos pode-se monitorar os níveis atuais do reservatório inferior, o que
possibilitará um melhor controle da situação;
- 2º
nível – Visa o controle de situação mais crítica, ou seja, quando o reservatório
inferior está esgotado, restando para o hospital somente o volume de água do reservatório
superior e a reserva para incêndio. O dispositivo de controle é similar ao anterior.
Neste caso é preferível a indicação contínua da redução de volume de água ainda
disponível;
Como
medida de prevenção, nunca utilize o volume d’água destinado ao combate contra
incêndio. Isto é ilegal e extremamente perigoso. É preferível recorrer ao abastecimento
com caminhões pipa.
- PLANO DE EMERGÊNCIA PARA FALTA DE ENERGIA
ELÉTRICA
3.1.
Objetivo Os problemas
de falta repentina de eletricidade afetam toda a população hospitalar. Os pacientes
são os primeiros a sofrerem com isto. Podem estar sob intervenções cirúrgicas
ou recebendo tratamentos intensivos, dependendo de unidades de suporte respiratório,
sendo transportados em elevadores ou mesmo realizando exames diagnósticos de emergência. Os
funcionários de laboratórios de análises clínicas podem estar processando exames,
cuja conclusão depende de energia elétrica. Assim, podem perder amostras e exames,
que, muitas vezes, levam tempo considerável de trabalho para serem concluídos.
Situações de pânico podem ser geradas dentro de elevadores de transporte de visitantes. O
centro de processamento de dados do hospital pode perder grande quantidade de
informações e tempo de trabalho. Enfim, esses e outros problemas específicos podem
ser criados com a falta de energia elétrica. Para minimizar essas situações, deve
ser desenvolvido um plano de emergência, nos moldes descritos a seguir.
3.2. Descrição das necessidades
básicas de um hospital Frente
aos problemas mencionados, o hospital deve dispor de mecanismos de suprimento
de energia auxiliar. Esses dispositivos são: - no
mínimo um grupo gerador de energia auxiliar para atender as áreas de pacientes
onde a dependência de eletricidade é reconhecidamente importante (centros cirúrgicos
e unidades de tratamento intensivo);
- é
desejável que o grupo gerador alimente os sistemas de transporte vertical por
elevadores, tanto os elevadores de paciente como os de visitantes;
- centrais
computadorizadas de monitoração de pacientes deverão dispor de sistemas denominados
comercialmente de "no break", que alimentam esses equipamentos em frações
de segundo, evitando sua desprogramação; o mesmo dispositivo deve ser empregado
em centro de processamento de dados (CPD) do hospital;
- um
sistema de baterias com autonomia de várias horas deve ser implantado, visando
substituir o grupo gerador em caso de falha. Esse banco de baterias deve ser destinado
somente àquelas áreas onde a vida do paciente depende de energia elétrica;
- a falta de energia elétrica durante a noite traz
problemas de deslocamento de pessoal dentro do hospital. Esta situação deve ser
contornada com fontes alternativas de iluminação, como lanternas ou mesmo lampiões
a gás;
3.3.
Descrição do plano O
plano para contornar a falta de energia elétrica pode enfrentar duas possibilidades,
ausência total e a ausência parcial de energia elétrica. Estas situações vão requerer
tomadas de decisões diferenciadas, como descrito adiante.
3.3.1. Ausência parcial de energia
elétrica Neste caso,
consideramos que a falta do fornecedor principal é suprida pelo grupo de geração
de energia auxiliar. As seguintes atitudes devem ser tomadas:
- informar automaticamente a todos os setores que
consomem energia elétrica auxiliar que a mesma está operando. Assim, os funcionários
dessas unidades estarão em prontidão para o caso de falha no gerador;
- o
aviso automático pode ser feito através da instalação de circuitos elétricos especiais,
que acendem lâmpadas especiais (vermelhas) na unidade consumidora . Esse aviso
pode ser dado também por telefonemas, o que é mais demorado e sujeito a falha
humana;
- informar imediatamente ao fornecedor
principal a ausência de energia elétrica e solicitar informações sobre o tempo
aproximado para a normalização do fornecimento;
- essas
informações são importantes para providências adicionais, como por exemplo, a
compra de mais combustível para o gerador;
- os
consumidores de energia auxiliar deverão reduzir ao máximo os seus consumos, ligando
somente os circuitos indispensáveis. Isso poupará energia elétrica e combustível;
- o sistema de megafonia (sonorização ambiental)
deverá informar a todo o hospital o fato ocorrido e a previsão de normalização;
3.3.2 Ausência total de energia
elétrica É a situação
mais grave, pois existe a falha no fornecimento de energia auxiliar, tanto pelo
gerador como pelo banco de baterias de emergência. Nesse caso, o plano deverá
prever as seguintes medidas: - comunicação
imediata ao serviço de manutenção corretiva. Dependendo do hospital, esse serviço
pode realizar plantão local ou à distância;
- após
a causa da falha haver sido solucionada, um relatório da anormalidade deverá ser
confeccionado e enviado para a diretoria do hospital;
- nesses
casos é necessário ter na retaguarda o apoio de outros serviços de manutenção
especializada, realizados por terceiros. Deve haver um modo rápido e eficiente
de acioná-lo;
- caso a falha não possa ser
solucionada imediatamente, o hospital deverá entrar em contato com outras instituições
hospitalares, caso serviços de remoção de pacientes sejam necessários.
3.4. Treinamento da população hospitalar
Um bom plano de emergência para
falta de energia elétrica só terá êxito quando todas as partes envolvidas forem
adequadamente treinadas para que suas funções sejam desempenhadas corretamente.
Para tanto, o hospital deve criar meios de treinar cada elemento integrante do
plano, nas atividades de sua competência. Para
que seja evitado o pânico, pacientes e visitantes devem ser informados rotineiramente
sobre os procedimentos em caso de ausência total e parcial de energia elétrica.
3.5. Informações gerais
Quando ocorre o retorno de energia
por parte do fornecedor principal, pode acontecer oscilações transitórias da tensão
elétrica que sobrecarregam os dispositivos de proteção, fazendo com que os disjuntores
de potência desarmem, cortando novamente a energia elétrica. Neste caso, o grupo
gerador auxiliar não irá ser acionado, pois os comandos elétricos recebem informações
de que a energia elétrica do fornecedor principal está presente. Situações
como esta podem ser resolvidas instalando-se na cabine de recebimento de energia
elétrica disjuntores que possuem rearmamento automático. Isso possibilitará que
a situação seja regularizada automaticamente, sem a intervenção humana. Entretanto,
se repetidas tentativas de religamento automático forem feitas sem sucesso, o
corpo técnico do hospital deverá ser acionado para realizar os procedimentos necessários.
- A IMPLANTAÇÃO DA BRIGADA CONTRA INCÊNDIO
O ambiente hospitalar é um
local onde situações de incêndio podem ser de difícil solução. Não sendo feito
um estudo adequado das medidas preventivas necessárias, as conseqüências do incêndio
em uma instituição hospitalar poderá ser desastrosa. A
primeira preocupação da instituição deve ser a obediência às imposições estabelecidas
por leis locais, estaduais e municipais. Para a confecção de um plano de combate
a incêndio, considere as disposições legais feitas pela Portaria nº 3214/78, aquelas
feitas pelo serviço de bombeiros do município e as feitas pelos profissionais
de engenharia de segurança da instituição hospitalar.
- Verificação das necessidades
É a parte do plano que tem o objetivo
de determinar as características da instituição, com relação aos riscos de incêndio.
Os riscos de início de incêndio, riscos à vida humana e de danos à propriedade
devem ser determinados. Um
conjunto de precauções que visem evitar o início do incêndio, limitar seu crescimento
e propagação, permitir sua extinção no estágio inicial, a evacuação segura do
edifício e outras, devem ser tomadas. A rapidez, a eficiência e a segurança das
operações de combate ao fogo e resgate devem ser asseguradas. -
Construção do Organograma
Uma
equipe de combate a incêndio deve ser composta de elementos do próprio hospital,
escolhidos cuidadosamente. O organograma da Brigada Contra Incêndio (BCI0 pode
ser basicamente composto de quatro partes: coordenação, grupo de retaguarda, grupo
de brigadistas e grupo de informações. A
coordenação deve cuidar dos assuntos que se referem ao fornecimento de subsídios
para a efetivação de treinamento teórico, treinamento prático e simulado. Deve
ser composta por um membro da diretoria e profissionais especializados em segurança
do trabalho. O grupo
de retaguarda deve manter contatos internos e externos ao hospital: setores hospitalares,
corpo de bombeiros, outros hospitais e os que se fizerem necessários. Deve também
informar aos bombeiros as rotas mais adequadas para se atingir o foco de incêndio
e fazer parte do programa de comunicações. O
grupo de brigadistas executa o combate ao incêndio nos primeiros instantes. Não
tem finalidade de combater incêndios de grandes proporções. Em caso de perda de
controle da situação, acionará o serviço de retaguarda para os contatos exteriores
e se encarregará de orientar a população hospitalar sobre as rotas de fuga viáveis
em cada situação. O grupo
de informações é responsável pela manutenção dos dados relativos à brigada contra
incêndio do ambiente hospitalar. Promoverá treinamento da população hospitalar
e, sobretudo, divulgará todas as informações necessárias aos funcionários, pacientes
e visitantes. Também tem a atribuição de orientar os usuários sobre as rotas de
fuga mais seguras, em cada situação. O
organograma apresentado para composição da brigada contra incêndio é básico. Caso
a instituição hospitalar encontre outras necessidades de implementação, o organograma
poderá ser ampliado ou modificado. -
Visita a outros hospitais e instituições
Uma prática muito utilizada por
hospitais mais organizados é a visita a outros hospitais para verificar como estes
controlam o risco de incêndio. Essas visitas são bastante proveitosas. Via de
regra, revelam condições e medidas especiais, não observadas anteriormente. A
visita a outras empresas, como grandes centros empresariais, também enriquece
em muito a compreensão dos riscos inerentes ao incêndio, proporcionando outras
formas de entender o problema. O
contato com o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil pode ser feito na própria instituição
hospitalar. Através de convites formais, uma visita pode ser feita à instituição
hospitalar que deseja elaborar um plano para enfrentar incêndios. -
Descrição do plano e documentação
A
descrição do plano deverá ser minuciosa, procurando alcançar todos os pontos necessários
para o sucesso das operações. Após sua confecção, o mesmo deverá ser apresentado
às gerências e chefias de diversos níveis, solicitando um parecer sobre a praticabilidade
das operações. O sucesso das operações depende de quanto a população hospitalar
está integrada ao problema. O
plano deverá se tornar um documento cujo conteúdo deve ser conhecido por toda
a população hospitalar. Essa documentação sofrerá modificações sempre que necessário.
- Treinamento
teórico
Selecionados
os elementos da BCI, o próximo passo é a realização de um treinamento teórico.
O curso deverá ser elaborado dentro das características de cada instituição. Deverá
ter uma carga horária adequada aos problemas que serão enfrentados pelos brigadistas. Tão
logo o treinamento seja concluído, testes de avaliação devem ser aplicados com
o intuito de verificar o aproveitamento e a compreensão dos temas apresentados
por parte dos brigadistas, bem como para avaliação da eficácia do treinamento
ministrado. A maior dificuldade para a realização de um treinamento desse tipo
é determinar o que os brigadistas precisam conhecer. -
Incêndios simulados
Os
incêndios simulados têm basicamente três finalidades: avaliar a eficiência do
plano, conhecer as dificuldades dos brigadistas e proporcionar à população hospitalar
a familiarização com as atitudes a serem tomadas em caso de incêndio. As
simulações devem ser feitas com aviso à população (quanto à evacuação) e sem aviso
à população (treinamento dos brigadistas), visando verificar a rapidez e a eficiência
nas operações de combate a incêndio. O incêndio simulado deve procurar refletir
as situações e os resultados esperados para uma situação real de incêndio. A
comunicação aos brigadistas pode ser feita através de telefones internos ou através
dos sistemas de megafonia. Em qualquer dos casos, os simulados só devem ser efetuados
com anterior conhecimento da chefia imediata ou funcionário brigadista.
- Treinamento prático e reciclagem
A prova final do brigadista
será feita durante o treinamento prático, realizado em pista de treinamento especificamente
construída para tal fim. Enfoque especial deverá ser dado aos tipos de incêndio
característicos do hospital em questão. O objetivo do treinamento prático, enfim,
é o de colocar obrigadista em contato com o fogo e analisar suas reações. É a
fase final da seleção do mesmo. A
reciclagem também faz parte do plano de combate a incêndio. Com o passar do tempo,
informações importantes poderão ser esquecidas pelos brigadistas. O treinamento
de reciclagem é igualmente importante para dar instruções aos novos brigadistas
que por ventura venham a substituir funcionários desligados da instituição.
- PLANO GLOBAL DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA
- Introdução
A
proteção radioativa ou a proteção da saúde contra as radiações ionizantes é um
ramo da segurança do trabalho. Por razões históricas adiantou-se em relação a
outros ramos, desenvolvendo um conjunto de objetivos, princípios, critérios e
conceitos. Essas idéias, convenientemente articuladas e ordenadas, podem denominar-se
"Filosofia da Proteção Radiológica". Constituem o fundamento da disciplina,
sobre as quais se elaboram métodos efetivos de proteção contra radiação, com os
quais se analisam e resolvem os diferentes problemas práticos. Historicamente,
os motivos que serviram de base vieram com a necessidade de ajustar um marco conceitual,
de que certos riscos não podem ser eliminados completamente de algumas atividades
humanas. Esses riscos apareceram pela primeira vez com a própria radiação ionizante.
Atualmente, eles estão bastante determinados. Consistem na possível aparição de
tumores malignos em algumas pessoas irradiadas e com conseqüências hereditárias
a seus descendentes. A
radioproteção trata da proteção dos indivíduos, de sua descendência e do conjunto
da humanidade. Sem dúvida, permite que se realizem atividades sem a exposição
a radiações. Os efeitos prejudiciais derivados da radioatividade se classificam
em somáticos e hereditários. Somáticos são aqueles que afetam ao próprio indivíduo
que se expôs à radiação e hereditários aqueles que afetam também seus descendentes. Nesse
sentido, o objetivo da radioproteção deve ser o de assegurar que os níveis de
radiação no ambiente de trabalho sejam aceitáveis, isentos, portanto, de riscos
à saúde das pessoas.
- Proteção contra raios-X e raios Gama
Os raios X e Gama são encontrados
com freqüência no ambiente hospitalar. Embora sejam distintos em sua geração,
ambos têm as mesmas propriedades físicas, logo devem ser tratados do mesmo modo.
5.2.1 Controle do tempo de exposição
e distância de irradiação Os
principais métodos de proteção contra radiação constituem-se em reduzir o tempo
de exposição, aumentar a distância entre a fonte de radiação e os pontos de riscos
e a utilização de uma blindagem da fonte com um material protetor. A
dose absorvida é inversamente proporcional ao quadrado da distância da pessoa
à fonte de radiação. Por esse motivo, mesmo em se tratando de fonte de baixa intensidade,
podem ocorrer taxa de absorção extremamente elevadas na superfície das fontes
de raios-X ou Gama.
5.2.2 Blindagem
Diferentes tipos de materiais são
empregados para a absorção de radiação, uma vez que a matéria absorve maior ou
menor quantidade. Dependendo de suas características. Esses materiais são empregados
no revestimento de salas, portas, misturados com vidro, de forma a impedir que
a energia irradiada alcance o ser humano. A
proteção necessária para uma fonte de radiação depende de fatores como a energia
de radiação, a duração da utilização e da distância em que se encontram das áreas
circundantes, ocupadas por pessoas. Essas são as informações básicas para os cálculos
do grau de blindagem requerido. As
literaturas citadas no Apêndice G fornecem maiores esclarecimentos sobre o assunto;
entretanto, cabe ressaltar que a questão da blindagem é complexa e diversificada,
exigindo, portanto, um profissional especialmente qualificado e credenciado (Supervisor
de Proteção Radiológica) para a solução do problema. -
ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA
- Legislações
municipais, estaduais, federais e normas
Os
objetivos da iluminação de emergência para o ambiente hospitalar vão além daqueles
destinados a instalações comerciais, residenciais, industriais. Devem permitir
o evacuamento do ambiente e a manipulação de medicamentos, bem como sua administração
ao paciente. O Centro Cirúrgico deve sempre dispor de iluminação de emergência
auxiliar, de modo que intervenções cirúrgicas não fiquem comprometidas por falta
de luz. As normas e legislações
que definem os parâmetros mínimos devem ser seguidas cuidadosamente para a obtenção
de produtos ou sistemas com uma qualidade aceitável. Tendo o conhecimento técnico
especializado, pode-se obter resultados bem melhores e específicos, indo além
do mínimo necessário sem alterar os custos. -
Energia para iluminação de emergência
Além do gerador de energia elétrica
auxiliar, deve-se dispor de unidades autônomas de baterias. Estas serão extremamente
úteis ao suprir iluminação em situações de ausência total de energia elétrica.
Nunca devem ser utilizadas baterias chumbo-ácidas com baterias níquel-cádmio no
mesmo ambiente. Os tipos de bateria mais comumente utilizadas são mostradas na
Tabela 5.
Tipos de Baterias
|
ELETRÓLITO |
MATERIAL
DO ELETRODO | BATERIA |
| Ácido
Líquido | Chumbo | automotiva,
estacionária, chumbo-ácido ou chumbo-antimônio | |
Gel Ácido | para
equipamentos portáteis, chumbo antimônio | |
Alcalina Líquido |
Níquel-Cádmio | estacionária |
| Selados
Hermeticamente | equipamentos
portáteis, eletrodos tipo folha para equipamentos portáteis de baixa corrente,
eletrodos tipo sinterizado para equipamentos de alta corrente |
- Fatores
que diminuem a capacidade nominal da bateria
Os
fatores que diminuem a capacidade nominal da bateria devem ser considerados no
projeto do sistema, pois se relacionam ao tempo real de funcionamento da iluminação.
Os principais são os que seguem: - temperatura
ambiente elevada;
- sobrecargas;
- limitações
na carga máxima da bateria;
- limitação da
tensão de descarga sem entrar na área crítica;
- proximidade
do tempo de vida útil da bateria.
- Iluminação de sinalização
A iluminação de sinalização
deve marcar todas as mudanças de direção, obstáculos e saídas. A menor distância
entre dois pontos de sinalização não pode ser superior a 15 metros. Em qualquer
caso, mesmo havendo obstáculos como curvas, escadas e outros, as sinalizações
devem ser dispostas de forma que de cada ponto seja possível visualizar o próximo,
na direção da fuga. A
função da iluminação deve ser explicitada através de textos escritos, associados
a símbolos gráficos que devem ser colocados adequadamente nas luminárias, de forma
visível e desobstruída.
- ELEVADORES PARA TRANSPORTE DE PESSOAL E PACIENTE
O uso de elevadores é largamente
feito em hospitais verticais. Isto justifica um plano que considere ações a serem
tomadas, que previnam incidentes como a parada repentina de elevadores. O seguinte
conjunto de instruções básicas deve ser seguido: - o
elevador não deve ser utilizado em caso de incêndio. O fogo pode acionar indevidamente
o botão e chamada no andar incendiado (curto-circuito nos fios), o que irá levar
o elevador para o andar incendiado;
- o incêndio
poderá cortar a alimentação de energia elétrica (normal e/ou de emergência) dos
circuitos do elevador;
- pacientes em estado
crítico devem ser acompanhados por um médico em todas as situações;
- a
instituição deve promover o treinamento de um grupo, junto ao fabricante do elevador,
sobre manuseio de elevadores em paradas repentinas;
- o
interfone e alarmes do elevador deverão funcionar, mesmo em ausência total de
energia elétrica;
- deve ser indicado no
elevador a capacidade de carga do mesmo;
- ruídos
estranhos ou qualquer anomalia no funcionamento do elevador devem ser comunicados
ao serviço de engenharia ou de manutenção do hospital;
- devem
ser instalados nos elevadores fontes autônomas de iluminação de emergência;
Os
elevadores são equipamentos muito seguros, desde que um programa de manutenção
preventiva seja levado a efeito. Caso contrário, o mesmo pode ser uma fonte de
graves acidentes no ambiente hospitalar.
CAPÍTULO IV Engenharia
Versus Controle de Infecção Hospitalar INTRODUÇÃO
A necessidade da atuação de equipes
multiprofissionais no controle de infecção hospitalar é óbvia. Neste capítulo
veremos as áreas de intersecção que existem entre as equipes que compõem o controle
de infecção no ambiente hospitalar, como o corpo clínico, engenharia, higiene,
serviço de nutrição e dietética, enfermagem, lavanderia hospitalar, farmácia,
almoxarifado, etc. São
informadas aos profissionais envolvidos, as situações nas quais, em seus trabalhos,
o controle de infecção hospitalar pode ser melhorado. Por exemplo, nas atividades
de engenharia e manutenção há a responsabilidade sobre a calibração de instrumentos
como autoclaves, estufas,, câmaras frias, balcões térmicos, geladeiras, etc. Estas
informações relacionadas às atividades de reconhecimento, avaliação e controle
de riscos, permitirão um posicionamento real das Comissões de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH’s) frente às instalações, e sobre a responsabilidade dos vários
setores envolvidos no ambiente hospitalar.
- DEFINIÇÕES
O
bom desempenho de equipes multiprofissionais depende de um vocabulário mínimo,
que possa uniformizar e facilitar a comunicação entre os membros que as compõem.
Citamos a seguir duas definições básicas, necessárias ao tratar-se do assunto.
Outras definições são apresentadas no glossário geral. -
Infecção:
invasão do organismo por agentes infecciosos, que interagem imunologicamente e
se multiplicam;
- Infecção hospitalar
(institucional ou nosocomial): qualquer
infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante sua
estadia no hospital ou mesmo após sua alta, quando puder ser relacionada com a
hospitalização.
- CLASSIFICAÇÃO DOS ARTIGOS E ÁREAS HOSPITALARES
COM RELAÇÃO AO CONTROLE DE INFECÇÃO
À
enorme variedade de artigos e áreas hospitalares destinados a diferentes finalidades,
está associada um potencial específico de transmissão de infecção. Pode-se inferir
que o risco potencial de transmissão de infecção está ligado principalmente à
utilização, ao grau de contato ou de exposição do paciente a estes artigos e áreas,
bem como ao seu grau de contaminação. Para
facilitar a operacionalização de antimicrobianos, classificam-se esses artigos
e áreas em três categorias: críticas, semicríticas e não-críticas.
- Artigos
Refere-se
aos vários materiais utilizados no ambiente hospitalar, dentro e fora da área
de pacientes.
- Artigos críticos
São
todos aqueles que penetram nos tecidos subepteliais, no sistema vascular e em
outros órgãos isentos de flora microbiana própria, bem como todos os que estejam
diretamente conectados a eles. Incluem-se
neste caso, por exemplo: instrumentos de corte ou ponta; instrumentos cirúrgicos
(pinças, afastadores, catéteres venosos, drenos, etc.); soluções injetáveis; roupas
utilizadas nos atos cirúrgicos e obstétricos, em unidades de queimados e berçário
de alto risco. Os artigos
críticos devem estar totalmente livres de microrganismos (bactérias, fungos, vírus
e esporos) ao serem utilizados. -
Artigos semicríticos
São
aqueles que entram em contato apenas com a mucosa íntegra, capaz de impedir a
invasão dos tecidos subepteliais. Entre outros, destacamos os equipamentos de
anestesia gasosa e de assistência ventilatória, alguns endoscópios, medicamentos
orais e inaláveis, pratos, talheres e alimentos Os
artigos semicríticos também deveriam estar totalmente livres de quaisquer microrganismos
(estéreis) ao serem usados. Todavia, nem sempre é possível submetê-los a processos
capazes de destruir esporos sem danificá-los. Exige-se contudo, que os mesmos
sejam isentos de bactérias, fungos e vírus. Os
catéteres vesicais, traqueais e nasogástricos, embora entrem em contato com a
mucosa íntegra, devem estar isentos de quaisquer microorganismos (estéreis) para
uso. Há elevada incidência de infecções urinárias e respiratórias associadas à
cateterização.
- Artigos não-críticos
São
todos aqueles que entram em contato com a pele íntegra e ainda os que não entram
em contato com o paciente. Por exemplo: mesas de aparelhos de raios-X, equipamento
de hidroterapia, incubadoras sem umidificação, microscópios cirúrgicos, telefones,
mobiliário em geral. Os
artigos não-críticos devem estar isentos de agentes transmissíveis de doenças
infecciosa (microorganismos não encontrados na flora normal da maioria das pessoas).
Admite-se, contudo, a presença em pequeno número de microrganismos encontrados
na micro-flora humana. 3.2.
Áreas Segundo o
mesmo princípio, os diferentes ambientes que compõem a planta física de um hospital
podem ser classificados em três categorias: críticas, semicríticas e não-críticas.
3.2.1
Áreas Críticas São
aquelas que oferecem maior risco de infecção, seja pela imunodepressão do paciente
que as ocupa ou devido às particularidades que aí se desenvolvem. Dividem-se as
áreas críticas em dois grupos: - Áreas
de risco aumentado devido à depressão da resistência anti-infecção do paciente.
São exemplos: salas de operação ou parto; salas de recuperação pós-anestésica;
nos isolamentos hospitalares tipo "isolamento protetor modificado",
unidade de diálise; unidade de tratamento intensivo; unidade de queimados; berçário
de alto risco.
- Áreas de risco aumentado
dado a possibilidade de transmissão de infecções pelas atividades alí desenvolvidas.
São exemplos: isolamentos hospitalares relativos a doenças transmissíveis, cujo
diagnóstico foi comprovado; laboratório de anatomia patológica e de análise clínicas;
unidade de hemodinâmica; sala de necrópsia; cozinha, lactário e lavanderia de
hospitais de doenças transmissíveis.
3.2.2 Áreas semicríticas
São todas as áreas que apresentam
menor risco de infecção, como as ocupadas por pacientes de doenças não-infecciosas,
doenças infecciosas não transmissíveis, central de esterilização de material e
lavanderia de hospitais gerais.
3.2.3 Áreas não-críticas
São todas as áreas hospitalares
que teoricamente não apresentam risco de transmissão de infecção. São as áreas
não ocupadas por pacientes ou cujo acesso lhes é vedado, por exemplo: serviço
de administração hospitalar, manutenção, vestiários e sanitários públicos, depósitos
em geral e almoxarifado. As
áreas críticas e semicríticas requerem limpeza e desinfecção (terminal e concorrente).
As áreas não-críticas apenas limpeza.
- PROCEDIMENTOS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO
A conscientização das variações
dos riscos de transmissão de infecções, das dificuldades de cada método perante
a natureza dos artigos é importante a fim de que possam ser tomadas as precauções
necessárias para torná-las invariavelmente eficientes. Essa conscientização se
inicia pelo conhecimento dos conceitos de limpeza, desinfecção, esterilização,
antissepsia e assepsia, de modo a torná-los compreensíveis e utilizáveis na prática. Desse
modo, os procedimentos anticrobianos utilizados podem ser classificados em três
grupos, representando níveis diferentes de exigência de descontaminação.
4.1.
Limpeza É o procedimento
antimicrobiano de remoção de sujidades e detritos para manter em estado de asseio
os artigos e áreas. A limpeza constitui o núcleo de todas as ações referentes
aos cuidados de higiene com os artigos e áreas hospitalares. É o primeiro passo
nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. Os
métodos de limpeza devem ser determinados pelo tipo de superfície, quantidade
e o tipo de matéria orgânica presente, e o propósito da área ou artigo. As operações
de limpeza, propriamente ditas, compreende escovação com água e sabão, fricção,
esfregação e passar pano. A varredura e espanação seca devem ser evitadas, pois
estas práticas espalham para o ar e par as superfícies limpas, poeira, matéria
estranha e microorganismos. Nesse
ponto, convém ressaltar que independentemente da grande rotatividade de pessoal
que existe nos setores de higiene hospitalar, programas de treinamento específicos
devem ser mantidos (Educação Continuada) de modo a garantir a eficácia dos procedimentos
de limpeza. Esses programas de treinamento devem ser aplicados aqueles hospitais
que contratam serviços de terceiros, e devem ser melhor monitorados, objetivando
um melhor controle de qualidade nos procedimentos de limpeza.
4.2. Desinfecção
É o processo de destruição de agentes
infecciosos em forma vegetativa, potencialmente patogênicos, existentes em superfícies
inertes, mediante a aplicação de meios físicos e químicos. Os meios químicos compreendem
os germicidas (líquidos ou gasosos). Os meios físicos compreendem o calor em suas
formas seca e úmida (vapor). A desinfecção normalmente se aplica a áreas e artigos
semicríticos e não-críticos. Os
desinfetantes mais comumente utilizados são: hipoclorito de sódio, formaldeído,
compostos fenólicos e iôdo (43).
- Hipoclorito de sódio
É um desinfetante universal ativo
contra microorganismos, sendo normalmente encontrado na forma de hipoclorito de
sódio, com várias concentrações de cloro ativo. Pode
ser encontrado em diferentes concentrações. Para uso na limpeza geral de laboratórios,
a concentração de cloro ativo deve ser no mínimo de 1g/litro (1000 ppm). Para
uso em desinfecções que envolvem material espirrado ou grossa matéria orgânica,
a concentração de cloro ativo deve ser maior, 10 g/litro (10.000 ppm). O
hipoclorito é corrosivo, irrita a pele, olhos e sistema respiratório, além de
tóxico. Sua principal aplicação é na desinfecção de superfícies de trabalho, materiais
de vidro sujos e na descontaminação de superfícies de equipamentos, quando não
houver indicação contrária. -
Formaldeído
O
formaldeído é usado como desinfetante na concentração de 50 g/litro (5%). É usualmente
encontrado no mercado a concentrações de 370 g/litro (37%). Recomenda-se contra
o vírus da hepatite B. É
tóxico e irritante das vias aéreas, pele e olhos. Possui natureza corrosiva e
entre outros usos, entretanto, ainda é utilizado para desinfecção de superfícies
de trabalho, vidrarias e descontaminação de superfícies de equipamentos. -
Compostos fenólicos
Muitos
compostos fenólicos fazem parte das formulações de desinfetantes. Podem ser usados
em substituição ao hipoclorito de sódio quando este não for possível. Seu uso
deve ser feito de acordo com as recomendações dos fabricantes. Com relação aos
efeitos lesivos, são os mesmos do hipoclorito de sódio.
- Iodo
Sua
ação e aplicação são similares às do hipoclorito de sódio e é viável para o tratamento
de superfícies se em concentrações de 0,075 g/litro (75 ppm) e se em ausência
de proteínas. Para a lavagem das mãos, ou como esporicida, podem ser diluídos
em álcool etílico. É
tóxico e irritante das vias aéreas, pele e olhos. Possui natureza corrosiva e
entre outros usos, entretanto, ainda é utilizado para desinfecção de superfícies
de trabalho, vidrarias e descontaminação de superfícies de equipamentos.
- . Esterilização
A esterilização é o processo
de destruição ou eliminação total de todos os microrganismos na forma vegetativa
e esporulada, através de agentes físicos ou químicos. Aplica-se especificamente
a artigos críticos e semi-críticos.
4.4. Procedimentos de manutenção
frente ao controle de infecção hospitalar O
serviço de manutenção, como responsável pelo bom funcionamento dos equipamentos
e instalações, é obrigado a circular por todas as áreas do hospital, inclusive
nas áreas críticas e semicríticas. E, como integrante dos setores hospitalares,
tem como responsabilidade adicional, o controle de infecção. Assim sendo, devem
seus funcionários: - receber
treinamento em forma de educação continuada, visando compreender os assuntos referentes
ao controle de infecção hospitalar;
- comunicar
ao chefe do setor no qual irá desenvolver atividades e pedir orientações específicas
sobre procedimentos de controle de infecção necessários;
- proceder
a rigorosa desinfecção dos equipamentos de trabalho, quando entrar em áreas críticas
e semi-críticas;
- ao manusear equipamentos
com possibilidade de estarem contaminados, usar luvas protetoras e descartá-las
após os trabalhos;
- lavar as mãos antes
e após a colocação das luvas;
- usar luvas,
avental e óculos toda vez que seu trabalho for realizado com equipamentos que
possam gerar gotículas ou provenientes de partes contaminadas com sangue ou fluídos
corpóreos;
- cobrir pequenos ferimentos e
lesões, toda vez que for manusear equipamentos ou instalações que apresentem riscos
de transmissão de infecção.
- SEGURANÇA NA COLETA DE RESÍDUOS HOSPITALARES
5.1. Introdução
A coleta de lixo no ambiente hospitalar
é um assunto polêmico, muitos associam o lixo hospitalar com o risco de infecção.
No entanto, não há comprovação de que o lixo hospitalar transmita infecção, pois
o mesmo ainda não foi avaliado racionalmente (105, 106). O
risco de infecções está nos resíduos perfuro-cortantes, presentes em qualquer
tipo de lixo. Tanto no lixo hospitalar quanto no lixo doméstico esses resíduos
constituem uma parte insignificante. Com
uma seleção e acondicionamento adequados, o risco proporcionado por esses materiais
desaparece. Quanto aos outros resíduos hospitalares, não existe comprovação de
que possam transmitir doenças para as pessoas que os manipulam. No entanto, o
lixo radioativo deverá fazer parte de uma política especial para seu tratamento. Segundo
a EPA Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental – Estados
Unidos) (107), são três os tipos de resíduos sólidos: hospitalar, médico e infeccioso
O termo resíduo hospitalar abrange todos os resíduos produzidos (administrativos,
alimentares e médicos), exceto os infecciosos. Resíduos
médicos são todos aqueles decorrentes do diagnóstico e tratamento de qualquer
doença, bem como os de imunização de doenças infecciosas. Resíduo infeccioso é
qualquer um capaz de causar doença infecciosa (107, 108). Segundo
as normas do CDC – Center for Diseases Control (Centro de Controle de Doença -–Estados
Unidos) (109), apenas os resíduos de microbiologia, patologia, banco de sangue,
carcaças de animais de laboratório, peças anatômicas e todos os fragmentos de
corte ou de ponta são infectantes (108, 110). A
EPA, ao contrário do CDC, também inclui nessa categoria os resíduos das unidades
de isolamento de doenças infecto-contagiosas. Paradoxalmente, ambas agências consideram
os resíduos de necropsia não-infectantes e os de diálise opcionais, não obstante
terem classificado os de laboratório de patologia, as peças anatômicas e os resíduos
do banco de sangue como infectantes. Portanto,
é evidente a inconsistência dos conceitos e a discordância entre as duas agências
sanitárias norte-americanas (111). Enquanto esta questão não for respondida cientificamente,
cada autoridade sanitária tentará resolver o problema à sua maneira e usualmente
de forma arbitrária (112, 113. 114, 115). No
entanto, a principal medida de prevenção contra cortes é separar o que é perfuro-cortante
e evitar o contato direto entre o material descartado e a pele lesionada. Quanto
aos materiais biológicos, deve-se observar a legislação vigente.
- Recomendações e práticas de remoção de resíduos
hospitalares
A
remoção de resíduos sólidos no ambiente hospitalar é muito mais uma agressão sensorial
à vista e ao olfato do que um risco infeccioso. No entanto, esta constatação não
diminui a importância da coleta e do tratamento adequados desses resíduos, apenas
situa o problema racionalmente no cenário epidemiológico atual e impede o desperdício
de recursos na prevenção de perigos inexistentes. São
recomendações para coleta de lixo hospitalar as que seguem:
- os materiais e fragmentos perfuro-cortantes, independentemente
de estarem ou não contaminados, devem ser recolhidos em embalagens que impeçam
ferimentos acidentais. Embora a esterilização dos mesmo seja recomendada (106,
116), a prevenção efetiva consiste em torná-los incapazes de produzir ferimentos
no ambiente hospitalar e nos aterros sanitários (105, 106);
- os cuidados com resíduos patológicos dependerão
da natureza dos mesmos, feto, órgãos e membros devem ser recolhidos e sepultados
conforme a legislação; fezes, urina, secreções, sangue e outros líquidos orgânicos
deverão ser encaminhados para aterros sanitários;
- curativos e outros materiais sólidos sujos de
sangue, urina e outros líquidos orgânicos (secreções, pús e fezes), em princípio
poderão ser recolhidos em embalagens adequadas, autoclavadas e encaminhadas ao
aterro sanitário (105, 116). Algumas autoridades consideram que isso não é necessário,
pois eles não representam qualquer perigo à saúde pública e podem ser descartados
no aterro sanitário sem esterilização prévia (115);
- recipientes descartáveis contendo cultura
de microrganismos deverão ser autoclavados e encaminhados a aterro sanitário em
embalagens fechadas (105, 116);
- o
lixo especial não pode ser incinerado, deve ser coletado em recipientes adequados.
Seu tratamento ultrapassa a competência do hospital. A destinação de lixos radiativos
está regulamentada por legislação específica. Quanto aos resíduos químicos, particularmente
a dos metais pesados, ainda não foi estabelecida legislação oficial;
- o lixo comum deve ser recolhido em recipientes
adequados e tratado da mesma forma que os resíduos domésticos;
- em todos os casos, é recomendável seguir
os conceitos contidos no Manual de Norma Assépticas do Ministério da Saúde (117).
- O USO DA ÁGUA NO AMBIENTE HOSPITALAR
A água pode conter organismos nocivos
à saúde, como as bactérias entéricas causadoras da febre tifóide; organismos patogénicos
como a "Entamoeba histolytica", causadora da desinteria amebiana; vermes
(cercárias de esquistossomas); vírus e bactérias na forma esporulada. Assim,
é necessário que procedimentos relativos ao tratamento da água sejam feitos, tais
como esterilização e desinfecção. Os processos de esterilização devem ser executados
quando não puder existir nenhuma forma de vida na água que vai ser utilizada. Os
processos de desinfecção normalmente são feitos empregando-se um agente oxidante,
o qual oxida o sistema enzima-proteína e ainda paralisa o metabolismo da glucose,
determinando a morte do organismo. São exemplos de agentes oxidantes o hipoclorito
de cálcio, cloreto de cálcio, hipoclorito de sódio, ozônio, luz ultra-violeta,
prata e outros. Devem ser utilizados de acordo com as disponibilidades da instituição
hospitalar. 6.1.
Água para hemodiálise O
uso de água para hemodiálise é de fundamental importância para os pacientes crônicos,
uma vez que estes usam água com muita freqüência para seu tratamento. Os centros
para hemodiálises utilizam água proveniente de sistemas de abastecimento público,
os quais utilizam águas subterrâneas ou superficiais. As
águas superficiais (não provenientes de poços artesianos) podem conter significante
conteúdo de endotoxinas bacterianas, de bactérias gram-negativas, além de certos
tipos de algas azuis e verdes. O nível de endotoxinas não é reduzido significantemente
pelos processos convencionais de tratamento de água. Pode ocorrer a níveis altos,
o suficiente para causar reações pirogênicas em pacientes submetidos a diálise
(118). A tabela 6 apresenta
resumidamente os fatores que influenciam a contaminação microbiana em sistemas
de hemodiálise (119). Quanto ao nível de contaminação química da água usada em
hemodiálise, as complicações mais frequentes, que acometem pacientes crônicos,
são citadas a seguir: Alumínio:
O sulfato de alumínio tem sido utilizado como agente floculante (coagulante) das
impurezas mais grosseiras da água durante o seu processo de purificação desde
os tempos de Plínio (77 dC). Entretanto,
os seus efeitos tóxicos mais frequentes são: a complicação conhecida como Síndrome
de Demência Progressiva e a deterioração neurológica, as quais freqüentemente
causam a morte que são atribuídas à alta concentração de alumínio no cérebro (120,
121, 122, 123); Dureza:
É caracterizada através de altas concentrações de cálcio e magnésio na água e
é um problema comum na água de abastecimento de grandes centros. As complicações
mais comuns são a hipercalcemia e a hipermaganesemia (124, 125, 126). Estas síndromes
causam náusea, vômito, flacidez muscular, hiper e hipotensão;
Cloro: O
uso de cloro na água é muito usado com o objetivo de reduzir a contaminação bacteriana.
Entretanto, níveis não controlados de cloro na água causam um tipo de complicação
denominada de anemia hemolítica (127, 128); Cobre:
O cobre pode estar presente na água devido a causas naturais, tratando-se, portanto,
de um alto risco para a comunidade em geral. Sua presença na água do dialisado
também é proporcionada ao uso de tubulações de cobre no interior de equipamentos
para hemodiálise (129). Os sintomas de intoxicação aguda por cobre são: náusea,
dor de cabeça, danos ao fígado e hemólise fatal (130);
Fluor: É
amplamente utilizado nas águas de abastecimento com o objetivo de prevenir a cárie
dentária. Contudo, independentemente da controvérsia a respeito do acúmulo de
fluoretos nos ossos, há evidências sugestivas de que podem trazer, a longo prazo,
complicações ao paciente (131, 132); Nitratos:
Se presente na água é indicativo de contaminação por bactéria (independentemente
de culturas estéreis) ou contaminação devido a fertilizantes. Em altas concentrações
na água para uso em hemodiálise, causa ao paciente metemoglobinemia, hipotensão
e náusea; Sódio:
Em determinadas regiões, a concentração de sódio na água pode ser elevada (133).
Muitas vezes originado por abrandadores que são utilizados para remover cálcio
e magnésio da água. Em altas concentrações podem causar ao paciente, hipertensão,
convulsão, vômito, taquicardia e diminuição da respiração;
Outros elementos:
Cádmio, estanho, arsênio, chumbo, estrôncio e manganês podem estar presentes na
água de abastecimento de municípios. Embora em quantidade insuficiente para causar
complicações no uso de água para beber, pode ocorrer a acumulação destes, nos
tecidos de pacientas sob tratamento de hemodiálise. Citamos
na página seguinte uma tabela que indica as concentrações máximas de agentes químicos
em água para fins de diálise. Água
para Hemodiálise
| FATOR |
OBSERVAÇÕES |
| Fonte
Fornecedora de Água para Tratamento | |
Água subterrânea |
contém endotoxinas e bactérias. |
| Águas
superficiais | contém
altos níveis de bactéria endotoxinas. | |
Tratamento de Água para Hemodiálise
| | Ausente |
não recomendado. |
| Filtração
| | a)
pré-filtro | é
utilizado para proteger o equipamento, não remove microorganismos. |
| b)
filtro absoluto | remove
bactérias, mas requer trocas frequentes e/ou desinfecção. Caso contrário, bactérias
irão se acumular e proliferar no filtro. | |
c) filtro de carvão ativado |
remove matéria orgânica e cloro.
É um significante reservatório de bactérias. | |
Equipamento para tratamento de água
| | a)
trocadores de íons (softener) ou deionização |
ambos são reservatórios de bactérias
significantes e não removem endotoxinas. | |
b) osmose reversa |
remove bactérias e endotoxinas,
mas deve ser desinfetada. Opera com água à alta pressão. |
| c)
luz ultra-violeta | mata
algumas formas de bactérias, mas não há atividade germicida residual. Bactérias
resistentes. | | d)
ultra-filtração | remove
bactérias, endotoxinas e poeira, com a pressão normal da rede. |
Tabela 6-a – Resumo dos fatores
que influenciam a contaminação microbiana em sistemas de hemodiálise Fonte:
Association for the Advancement of Medical Instrumentation – AAMI National
Dialysis Standards Reference Book – 1986 Água
para hemodiálise
| FATOR |
OBSERVAÇÕES |
| Distribuição
Através de Tubulação | |
a) tamanho |
tamanhos superdimensionados em
diâmetro interno e comprimento aumentam o reservatório de bactérias. |
| b)
construção | juntas
rugosas, terminações cegas e ramificações não devem ser usadas, podem atuar como
reservatório de bactérias. | |
Tanques de armazenamento |
são indesejáveis pois atuam como
reservatórios de bactérias,. Se presentes devem ser desinfectados rotineiramente. |
| Equipamento
de Diálise | | Simples
passagem | o
desinfetante deve ter contato com todas as partes do circuito da máquina. |
| Banha
recirculante | o
projeto das bombas de recirculação e máquinas permite níveis de contaminação em
massa. É recomendada desinfecção durante a noite. |
Tabela 6-b – Resumo dos
fatores que influenciam a contaminação microbiana em sistemas de hemodiálise Fonte:
Association for the Advancement of Medical Instrumentation – AAMI, National Dialysis
Standards Reference Book – 1986
- Limpeza dos reservatórios de água
Os procedimentos
básicos para limpeza dos reservatórios de água são (135): - esvazie
o reservatório de água pelo encanamento até uma altura de 30cm, onde irão se concentrar
iodo, minerais, partículas pesadas e outros;
- remova
a água restante através de bombas de sucção, de modo que detritos e resíduos sejam
removidos;
- proceda a limpeza mecânica das
paredes, de preferência com água em alta presão. Deve-se tomar o máximo cuidado
para não remover a impermeabilização dos reservatórios de água;
- enxague
com jatos de água e aplique solução de hipoclorito de cálcio a 9,5% e ainda 50g
de sal para cada 20.000 litros de capacidade de reserva de água, deixando
um tempo de contato de até 15 minutos;
- enxague
com água limpa;
- encha o reservatório;
- a limpeza deverá ser feita a cada 6 meses, tanto
nos reservatórios superiores como inferiores;
- a
iluminação dentro da caixa d’água deverá ser feita utilizando-se fontes com tensão
de 14 volts (no máximo). Isto minimizará o risco de acidentes através de choque
elétrico.
Níveis
de Contaminantes Químicos Qualidade
da Água para Hemodiálise
| CONTAMINANTE NÍVEL
MÁXIMO SUGERIDO (mg/l) | |
| Cálcio |
2 (0,1 mEq/l) |
| Magnésio |
4 (0,3 mEq/l) |
| Sódio |
70 (3,0 mEq/l) |
| Potássio |
8 (0,2mEq/l) |
| Fluoreto |
0,2 | |
Cloreto |
0,5 | |
Cloraminas |
0,1 | |
Nitrato |
2 | |
Sulfato |
100 | |
Cobre.Bário e Zinco |
0,1 cada |
| Alumínio |
0,01 | |
Arsênio. Chumbo e Prata |
0,005 cada |
| Cádmio |
0,001 |
| Cromo |
0,014 |
| Selênio |
0,09 | |
Mercúrio |
0,0002 |
* O médico possui
responsabilidade última pela determinação da qualidade da água utilizada para
diálise ** 230 mg/l(10
mEq/l), onde a concentração de sóido do concentrado foi reduzida para compensar
o excesso de sódio na água, bem como a condutividade da água está sendo continuamente
monitorada (134). Fonte:
Association for the Advancement of Medical Instrumentation – AAMINational Dialysis
Standards reference Book – 1986
- CONTROLE DE VETORES
A
higiene é fundamental no ambiente hospitalar. Sua importância não deve se limitar
aos conceitos de limpeza, desinfecção e esterilização. Deve atingir conceitos
racionais mais amplos, como o de racionalização do lixo hospitalar e cuidados
especiais. Deve-se garantir que a alimentação no ambiente hospitalar exista somente
em ambientes próprios(S.N.D., copas e lanchonetes). Neste
sentido, é de extrema importância os programas de reciclagem de conhecimentos,
educação continuada e educação em serviço. Estes programas devem atingir funcionários,
pacientes e visitantes. Esta seção é destinada aos profissionais da saúde encarregados
do reconhecimento, avaliação e controle de vetores de doenças no ambiente hospitalar.
7.1.Mamíferos roedores
O rato é o mais prejudicial dentre
os roedores. As espécies mais frequentes são o rato calunga ou camundongo (Mus
muscullus), o rato de forro ou rato doméstico (Rattus rattus) e a ratazana de
esgoto (rattus norvegicus). Todos vivem muito próximos ao homem, nos lares, celeiros,
docas, navios e depósitos de lixo. São
notórios portadores de doenças, abrigando muitas vezes parasitas intestinais,
pulgas e são especialmente responsáveis pela transmissão de peste bubônica, leptospirose
(Leptospira sp), febre de Haverhill (Streptobacillus moniliformes). Transmite
ainda o "SODOKU" (Spirilum minus), caracterizado por uma úlcera endurecida
regional, febre recorrente e exântema cutâneo.
7.1.1 Reconhecimento
Para que o reconhecimento possa
ser feito, deve-se conhecer algumas características desses roedores: Por
ter a visão debilitada, movimenta-se em contato com as paredes, deixando marcas
nas mesmas devido à sujeira de seu corpo, obtidas nos ambientes em que vive. Tem
excelente olfato, de modo que não retorna a locais onde outros ratos tenham sido
mortos. Defeca no local
onde comeu, facilitando o reconhecimento do mesmo.
7.1.2 Avaliação
A avaliação da quantidade de roedores
existentes em determinado local é feita em função dos estragos, danos ou prejuízos
que causam. Pode ser melhor quantificada com auxílio de profissionais em controle
de vetores e saneamento. É concluída com a localização do ninho.
7.1.3 Controle Durante
a fase crítica (infestação), o controle é feito através do uso de raticidas em
forma de isca. Estes atuam pela inibição dos fatores de coagulação sanguínea,
provocando a morte dos ratos por hemorragias, dias após a ingestão. As iscas devem
ser racionalmente distribuídas, sempre próximas a paredes. Após a fase crítica,
o controle pode ser conseguido com a manutenção da higiene, uso da alimentação
em local adequado no hospital, bem como melhorando a qualidade de esgoto.
- Insetos
O
insetos são o grupos dominante de animais na Terra. Ultrapassam em número todos
os outros animais terrestres são encontrados em todos os lugares (136). Muitos
insetos são extremamente valiosos ao homem. Pelas suas atividades polinizadoras
possibilitam a produção de muitas colheitas agrícolas, incluindo a maioria das
frutas de pomares, as plantas forrageiras, muitas verduras e algodão. Fornecem
mel, cera de abelha, seda e outros produtos de valor comercial. Têm sido úteis
na medicina e em pesquisa científica. Entretanto,
alguns insetos são nocivos e causam enormes perdas em colheitas agrícolas produtos
armazenados, na saúde do homem e de outros animais. Possuem as seguintes características:
existem há mais de 300 milhões de anos; se adaptam a vários tipos de habitat,
muitos possuem organização social e elevada capacidade reprodutiva. Cada geração
pode durar de dias a anos.
- Reconhecimento e avaliação
- Baratas
Pertencem à ordem orthoptera e
à sub-ordem blattodea. Possuem as seguintes características: tem a forma oval
e são achatadas, são onívoras e têm hábitos domésticos. As espécies mais comuns
no Brasil são a Periplaneta americana e a Blatella germânica. As
baratas não são conhecidas como vetores específicos de doenças. Entretanto, alimentam-se
de grande variedade de produtos, contaminando alimentos, têm odor desagradável
e frequentemente se tornam pragas sérias. - Pulgas
Pertencem à ordem siphonaptera.
São insetos sem asas, hematófagos e muitas espécies são irritantes devido a picadas.
Algumas servem de vetores de moléstias, outras como hospedeiros intermediários
de certas tênias. Algumas espécies chegam a penetrar na pele de animais, inclusive
do homem. Seu corpo é
achatado lateralmente, possuindo olhos ou não. Não possuem hospedeiros específicos
e podem se alimentar de vários animais. Podem viver por até um ano. Sobrevivem
várias semanas sem se alimentar. Põem seus ovos no chão ou no ninho do hospedeiro. Transmite
ao homem três tipos de peste: a bubônica, a pneumônica e a septicêmica. A moléstia
mais importante transmitida por pulgas é a peste bubônica, moléstia infecciosa
causada pelo bacilo Pasteurella pestis. É basicamente uma doença de roedores e
transmite-se de um roedor para outro através das pulgas. São
transmitidas basicamente por três formas: regurgitação de bacilos na ocasião da
picada (pulga infestada), ao serem esfregadas sobre a pele e pela ingestão de
pulgas infectadas. - Piolho
Pertencem à ordem anoplura. São
ectoparasitas que se alimentam de sangue. Duas espécies parasitam o homem: o piolho
de cabeça (pediculus humanus capitis) e o piolho corporal (Pediculus humanus corporis). Esse
inseto possui as seguintes características: o comprimento dos adultos varia de
2,5 a 3,5 milímetros; o piolho de cabeça põe seus ovos nos fios de cabelo, nos
pelos do corpo e ao longo das costuras de roupas. O seu ciclo reprodutivo dura
cerca de um mês. Alimenta-se com freqüência e a refeição dura alguns minutos. O
piolho de cabeça é transmitido de pessoa a pessoa, pelo uso promíscuo de pentes,
escovas de cabelo e gorros. O piolho de corpo é transmitido através de roupas
pessoais ou de cama, podendo migrar durante a noite. É
um importante vetor de doenças do homem, sendo o tifo epidêmico a doença mais
importante. Muitas vezes assume proporções de epidemia grave e pode apresentar
uma taxa de mortalidade de até 70%. Outra doença importante é a febre recorrente,
cuja transmissão se faz quando o piolho é esmagado contra a pele. As fezes e as
picadas não são infectantes. A
moléstia, conhecida como febre das trincheiras, foi muito comum durante a I Guerra
Mundial. - Moscas, pernilongos e borrachudos
Pertencem
à ordem díptera. Constituem uma das maiores ordens de insetos e seus representantes
são fartos em indivíduos e espécies em quase todos os lugares. A maioria dos dípteras
compõe-se de insetos relativamente pequenos e de corpo mole, alguns têm grande
importância econômica. Os pernilongos, borrachudos, biriguis, mutucas, moscas
do estábulos e outros são hematófagos e constituem sérias pragas para o homem
e animais. Muitos dos
dípteros hematófagos e saprófagos, como a mosca doméstica e as varejeira, são
vetores importantes de doenças. Os organismos que causam a malária, febre amarela,
filariose, o dengue, a doença do sono, a febre tifóide e a desinteria são transportados
e disseminados por dípteros.
- Controle
O
controle de insetos pode ser feito principalmente através de boas práticas de
higiene no ambiente hospitalar. Podem ser conseguidos bons resultados através
do uso de telas nas janelas de cozinhas ou locais onde eles possam obter alimentação. É
possível o uso de produtos químicos, aplicados periodicamente nas diversas áreas
hospitalares, principalmente em frestas, locais escuros, cantos e rodapés. Estes
são os prováveis locais que os insetos utilizam como esconderijo. O produto químico
normalmente aplicado é o peritróide. Ele atua na membrana dos neurônios de animais
de sangue frio, provocando um desequilíbrio químico entre as concentrações de
sódio (Na) e potássio (K).
- Conclusões
O controle de vetores
no ambiente hospitalar deverá ser feito por uma equipe multiprofissional, especialmente
treinada, teóricamente e na prática. A colaboração de todos os setores, através
de informações precisas, é a base do sucesso do programa controle. Esta
equipe se relacionará solidamente com a CIPA, SESMT e CCIH. Deverá ser formado
um consórcio, formado por todas unidades hospitalares. Em caso de contratação
de empresas, todas devem ser especializadas e registradas em órgão estadual competente. Os
riscos referentes ao uso de produtos sem critério são: baixa eficiência no controle,
risco de intoxicações de seres humanos e aumento da resistência por parte dos
insetos. Contudo, o controle
de vetores no ambiente hospitalar está intimamente ligado com o conhecimento que
se possui da praga que se deseja controlar, seu habitat, hábitos alimentares,
ciclo reprodutivo e outros fatores que indiquem seu ponto de vulnerabilidade.
Desse modo, medidas eficazes de controle poderão ser melhor escolhidas e aplicadas.
- PROCESSOS DE ESTERILIZAÇÃO
Esterilização
em termos absolutos significa destruição de todas as formas de vida. A esterilização
pode ser realizada utilizando-se agentes físicos ou químicos, os quais podem ser
líquidos ou gasosos. Pode ainda ser obtida utilizando-se as radiações eletromagnéticas.
Agentes físicos podem induzir a formação de substâncias químicas letais, do mesmo
modo que substâncias químicas podem produzir calor e pressão osmótica responsáveis
pela destruição de microrganismos (104). O
mais antigo e mais conhecido agente esterilizante é o calor. O vapor e o calor
são os meios clássicos de esterilização, tendo sido usados desde o princípio da
história da transmissão de doenças. O vapor inclui ambos, vapor saturado e água
em ebulição. Embora a água em ebulição não seja um bom esterilizante devido à
sua baixa temperatura, sua principal vantagem é a facilidade com que é obtida.
O vapor sob pressão é barato e esteriliza materiais porosos e superfícies rapidamente. O
calor seco, de outro modo, é relativamente lento. Necessita altas temperaturas
para sua aplicação. Entretanto, o calor seco penetra em todos os materiais, como:
óleos, vaselinas e recipientes fechados, os quais não são penetrados pelo vapor.
8.1. Esterilização por calor seco
O calor seco é utilizado para aqueles
materiais que não podem ser esterilizados por vapor ou aqueles que suportam altas
temperaturas. Possui as seguintes vantagens: não é corrosivo para metais e instrumentos
de corte; não desgasta vidrarias; tem alto poder de penetração; pode-se esterilizar
vidros a temperaturas mais altas, consumindo menor tempo de esterilização. Possui
as seguintes desvantagens: o aquecimento é lento; requer longos períodos para
estabilização da temperatura; tem uma tendência de estratificação, ou seja, forma
camadas de ar com diferentes valores para a temperatura.
8.1.1 Riscos associados
Os riscos associados ao processo
de esterilização por calor referem-se a pacientes e funcionários. O único risco
a que estão sujeitos os pacientes é a não esterilização dos materiais que passaram
pelo processo. Para os funcionários, os choques elétricos, queimaduras e incêndios.
8.2. Esterilização pelo calor úmido
A esterilização pelo calor úmido
(vapor saturado) é um processo universalmente aplicado, exceto onde a penetração
do calor e da umidade sejam problemas. O maior inimigo da esterilização a vapor
é o ar. Sendo um bom isolante térmico, o ar impede a penetração do vapor nos materiais,
reduzindo vigorosamente a eficácia do processo. Deste modo, o que difere os vários
processos de esterilização é a forma como o ar é retirado.
- Alto vácuo
O
ar é retirado anteriormente à injeção de vapor na câmara, através de bombas de
vácuo. Isto gera uma série de possíveis problemas, como: desidratação de materiais
devido à reduzida pressão relativa dentro da câmara e consequente diminuição da
temperatura de vaporização da água, gerando a hipótese da queima de tecido e outros
materiais combustíveis. -
Pressão pulsante
A
concentração do ar é reduzida pela pressurização com vapor. Posteriormente, a
mistura é evacuada até que a concentração do ar dentro da câmara seja reduzida.
Através do uso de uma bomba de vácuo, a mistura é mais rapidamente removida, principalmente
do interior de cargas porosas. -
Deslocamento por gravidade
É
baseado na diferença de densidade entre ar e vapor. O último, injetado pela parte
superior, assume o ponto mais alto da autoclave, pressionando a camada de ar existente
para fora da câmara, quando então a pressão parcial de vapor d’água dentro da
câmara aumenta. Portanto, neste processo o controle da velocidade de entrada do
vapor é fundamental, pois a turbulência na entrada pode misturar ar ao vapor.
Este controle influirá, assim, no tempo de esterilização. -
Pressão pulsante com deslocamento por gravidade
É o mais eficiente método de remoção
de vapor da câmara de esterilização. O vapor é ministrado ao mesmo tempo que uma
bomba mantém um vácuo em valor pré-determinado. O ar é então removido por gravidade,
permanecendo com baixa pressão parcial no interior da carga. O
sistema é pressurizado novamente, aumentando a pressão do ar dentro da carga.
Ao evacuar a câmara mais uma vez, o ar no interior da carga se expande e o vapor
condensado dentro da carga evapora de novo, devido ao vácuo. É então retirado
por gravidade juntamente com o ar, quando nova injeção de vapor é efetuada. -
Riscos associados
O
risco aos pacientes é o mesmo da esterilização a calor seco. Para os trabalhadores,
tem-se o perigo aumentado, devido a possibilidade de explosão de geradores de
vapor, quando acoplados diretamente no equipamento.
- Teste de Bowie/Dick
Este
teste é aplicado a esterilizadores que fazem uso de vapor. Foi desenvolvido para
verificação da eficiência com que o vácuo é realizado. A cada semana o serviço
de Engenharia Clínica (ou de manutenção) deve realizar o Teste de Bowie/Dick (137,
138). Esta verificação deve ser feita para que se tenha certeza de que o vapor
esteja totalmente em contato com o material a ser esterilizado. Este teste é feito
conforme segue: - Material
utilizado
- 28 toalhas
(usadas) de no mínimo 24X30 cm, 100% em algodão, não passadas a ferro (a secagem
excessiva poderá afetar o resultado dos testes). Elas devem ser dobradas em 8
partes e colocadas em pilha até uma altura de 25 a 30 centímetros, o número de
toalhas pode variar desde que a altura seja mantida dentro do valor mencionado;
- fita indicadora para autoclave. Esta fita muda
de cor quando a temperatura do processo é alcançada. Cole-a em forma de "X"
numa folha de papel não encerado;
-
- Procedimentos
- coloque o papel no meio do pacote de toalhas
e embrulhe como se vê na figura 8.2.6.;
- coloque
o pacote na autoclave vazia, horizontalmente sobre a última prateleira (mais baixa),
na porção anterior da câmara, próximo à porta e em cima do dreno, conforme figura
8.2.6.2;
- efetuar a operação de pré-vácuo
da câmara, de acordo com as especificações do fabricante ou engenharia;
- autoclavar o material a 134-137 graus Celsius
durante exatamente três minutos e meio;
- Interpretação dos resultados
- se a fita indicadora apresentar-se com listras
colorida (a cor dependerá do fabricante), em geral negras, ou uniformes em toda
extensão do "X", significa que o ar foi removido do interior do pacote
permitindo a penetração do vapor;
- caso
a cor da fita na posição central do "X" apresentar-se mais clara em
relação à das bordas, teremos a indicação de que o ar no interior da carga impediu
a entrada do vapor e conseqüentemente que o equipamento está fora de especificação.
Nesse caso o serviço de manutenção fará os ajustes necessários e o equipamento
será liberado após a realização consecutiva de três testes de Bowie/Dick favoráveis.
- Esterilização por agentes químicos
A esterilização por agentes químicos
é bastante utilizada no ambiente hospitalar, principalmente porque permite a esterilização
de materiais que não suportam as altas temperaturas empregadas nos processos a
vapor e calor seco. Entretanto,
o uso destes produtos traz riscos para os profissionais da área da saúde e para
os pacientes. Com relação aos profissionais, estão sujeitos às agressões químicas
inerentes a cada produto, sendo que estas se caracterizam por irritações dos olhos,
da pele e mucosas. O
paciente, por sua vez, está sujeito a adquirir infecção hospitalar, bem como aos
efeitos lesivos das substâncias químicas esterilizantes, quando estas não são
retiradas adequadamente dos materiais ora esterilizados.
- Esterilização a óxido de etileno e suas misturas
O óxido de etileno também é conhecido
como epoxitano ou óxido de dimetileno. Ele é incolor e reage com vários produtos
químicos como álcoolis, aminas, ácidos orgânicos e amidas. É solúvel em água a
10°C e forma poliglicóis em presença de bases. Por ser altamente inflamável e
explosivo, embora seja também usado na forma pura, esse gás normalmente é utilizado
em misturas diluídas. Traz
consigo uma lista de efeitos nocivos ao homem, como: teratogenicidade, neurotoxicidade,
mutagenicidade e carcinogenicidade (139). É tão perigoso que no Brasil existe
a Portaria Interministerial número 4 de 31 de julho de 1991 para tratar especificamente
o assunto. A concentração
do gás, a temperatura da esterilização, a umidade no interior da câmara e o tempo
de exposição são fatores que afetam a atividade do óxido de etileno como esterilizante.
Para eficácia e economia dos processos onde são usados o óxido de etileno, esses
aspectos devem ser adequadamente determinados em função de cada tipo de carga
a esterilizar. Tem como vantagens a possibilidade do reaproveitamento de materiais
descartáveis sensíveis ao calor e a eficácia com que a esterilização é alcançada. Ao
paciente, conforme Dyro e Tai (34), traz riscos sérios de queimaduras, necrose
e inflamações dos tecidos, se os resíduos de óxido de etileno não forem retirados
dos materiais que estão sendo esterilizados (aeração da carga). Para determinar
o conteúdo de óxido de etileno nos materiais esterilizados, a AAMI recomendou
uma série de testes nos materiais através de análise de amostras e procedimentos
analíticos em laboratórios (140). Outros
gases têm sido utilizados como agentes esterilizantes, entretanto, não são habitualmente
empregados pelos hospitais brasileiros. Contudo, a título de informação, citamos
o óxido de propileno, beta-propilactona e dióxido de cloro.
- Glutaraldeído
São
utilizadas duas formulações aquosas a 2%: ativadas (alcalinas) e potencializadas
(ácidas). A solução ativada
(pH 7,5 a 8,5) é fornecida com pH ácido, se mantém estável quando armazenada em
locais frescos em recipientes fechados. No entanto, uma vez ativada, ou seja,
em pH alcalino, o glutaraldeído sofre polimerização gradual e em duas semanas
perde irreversivelmente suas propriedades germicidas. As
soluções de glutaraldeído são indicadas para a esterilização e desinfecção de
artigos críticos, instrumentos sensíveis ao calor como os de anestesia, suporte
ventilatório, fibroscópios e partes ópticas dos endoscópios. Os seguintes cuidados
devem ser tomados na utilização do glutaraldeído: - o
glutaraldeído, tanto na forma ativada como na forma potencializada, sofre polimerização
gradual, reduzindo seu poder esterilizante. Neste sentido verifique o prazo de
validade antes do uso;
- os materiais devem
ser imersos na solução, de modo que não forme bolhas sobre eles. Estas impediriam
o contato da solução com o material;
- mantenha
a solução em recipientes fechados;
- é tóxico,
portanto o pessoal que o manuseia deve usar luvas e óculos. Em caso de contato
com a pele, mucosa ou olhos, deve-se lavá-los com água em abundância com auxílio
de um lava-olhos e procurar socorro médico;
- Formaldeído
O
formaldeído é um gás incolor, de odor característico. É cáustico para a pele e
irritante para as mucosas. Em concentrações superiores a 20 mg/l, polimeriza-se
a temperatura ambiente, dando origem a um precipitado branco que conserva o odor.
Este polímero denominado paraformaldeído libera gradualmente o formaldeído, essa
liberação é acelerada pelo aumento de temperatura. A
utilização do formaldeído em soluções esterilizantes pode ser conseguida através
de dois modos: solução alcoólica a 8% e aquosa a 10%. Os seguintes cuidados devem
ser tomados: - os artigos devem
estar rigorosamente limpos e mantidos em cubas de esterilização fechadas em ambientes
adequadamente ventilados. A ventilação pode ser natural ou forçada, dependendo
das concentrações de formaldeído no ar;
- o
emprego de pastilhas de paraformaldeído na temperatura ambiente, mesmo em exposição
prolongada, não tem ação esporicida;
- após
a esterilização, o material deve ser enxaguado com água destilada ou soro fisiológico;
- durante o manuseio de artigos imersos nas soluções
de formaldeído devem ser usadas luvas e pinças o formaldeído sensibiliza e queratiniza
a pele;
- o emprego do formaldeído em solução
alcoólica não deve ser feito para esterilização de lentes. O álcool ataca o cimento
das lentes ópticas e o mesmo ocorre com os artigos de polietileno e borracha;
- manter a solução em cubas de esterilização bem
fechadas e em ambientes ventilados;
- manter
o teor de formaldeído no ar abaixo tolerável (22 ppm). Acima deste limite ocorre
intensa irritação das mucosas nasal e ocular, bem como bronquite e pneumonia;
- tomar leite em abundância quando houver ingestão
de qualquer aldeído. Não provoque vômitos, pois no retorno da substância ele atacará
a mucosa novamente;
- lavar as partes atingidas
com água em abundância, quando houver contato da substância com a pele.
- Ozônio
O
ozônio não é um novo esterilizante. Estudos a respeito de sua eficácia foram realizados
em Lille, França, em 1899 (esterilização da água de abastecimento da cidade) e
demonstrou-se que é um esterilizante efetivo (141). É
usado em tratamento de água, polpa de papel e esgoto. Devido ao seu alto poder
oxidativo (142), esse esterilizante é empregado na reesterilização de instrumentos
médicos compostos dos seguintes materiais: titânio, aço inox, borracha, cerâmicas,
silicone,cloro de polivinil e poliuretano.
- Esterilização por radiações ionizantes
A esterilização é alcançada pela
circulação do material ao redor de fonte ativa de cobalto 60, por exemplo, de
modo que as radiações sejam uniformemente recebidas pelo material.
- Raios gama
Os
raios gama são radiações de elevada energia, e limitada por isótopos radiativos
(cobalto 60, césio 137 e tântalo 182). Utiliza-se muito o cobalto na indústria
farmacêutica. As radiações gama possuem menor comprimento de onda que os raios
catódicos e ultravioletas, por isso são dotadas de maior poder penetrante, cerca
de alguns decímetros (143, 144). O
elevado poder de penetração dos raios gama torna difícil a sua centralização sobre
o objeto a esterilizar e evitar a radiação ao ambiente circunvizinho. Os locais
de trabalho devem ser protegidos com vidro contendo chumbo. Durante o processo,
a radiação não pode ser interrompida e as operações de exposição são controladas
à distância. Para evitar o escurecimento dos vidros, é incorporado césio aos mesmos. Embora
tenha poder esterilizantes, seu emprego é muito limitado, ele altera significantemente
a natureza química dos produtos.
8.5. Testes de comprovação de eficácia
São testes destinados a segurança
e controle dos processos de esterilização, devendo constituir-se em um procedimento
de rotina. Devem ser executados ao menos uma vez por semana. Isenta o Centro de
Esterilização de infecções decorrentes do manuseio técnico incorreto dos materiais.
8.5.1 Teste biológico
É o de maior
segurança, pois emprega microorganismos vivos em suspensão padronizada. Tem o
objetivo de indicar a ausência de microorganismos vivos nos pacotes (carga) em
que foram colocados. Normalmente,
devido à resistência específica que cada microrganismo apresenta a cada processo
de esterilização, se utilizam os seguintes indicadores biológicos:
- Bacillus stearothermophilus,
para autoclave (vapor) e estufa (calor seco). São colocados em envelopes ou polipropileno
com tampa permeável ao vapor e dispostos nos interiores dos pacotes em diferentes
pontos da câmara (137);
- Bacillus
subtilis van niger, para esterilização
a óxido de etileno (137, 145, 146). Em ambos os casos, é muito importante a contraprova
para verificar se os esporos estão vivos, testando dessa forma a eficácia do indicador
biológico.
Ambos
devem ser colocados nos locais onde o acesso do calor é mais difícil. A determinação
desse local é feita durante a qualificação do processo.
8.5.2 Teste químico
Os testes químicos são usados diariamente.
Sua finalidade é verificar a temperatura do local onde o indicador foi colocado.
Ou seja, se o indicador mudar de cor, notamos que a temperatura do local onde
permaneceu foi suficiente para ativá-lo quimicamente, de modo a ocorrer a mudança
de cor do mesmo. É mais empregado pelo serviço de engenharia para detecção de
falhas no equipamento ou processo. Os
mais utilizados são: - fita
adesiva: quando a temperatura onde foi
colocada atinge o valor de temperatura necessário ao processo, listas escuras
se revelam na superfície da fita. Estas fitas podem ser usadas para a realização
do teste de Bowie/Dick, para o teste de comprovação da eficácia do vácuo, no processo
de esterilização a vapor;
- ampolas
de vidro: o líquido em seu interior muda
de cor, indicando que a temperatura de 120°C foi alcançada no interior da câmara
ou da carga;
- fitas
indicadoras de esterilização a óxido de etileno:
a fita possui uma terminação pontiaguda, de uma coloração amarela que muda para
o azul quando a esterilização fica alcançada.
São
testes que complementam a validação do processo e dão maiores garantias de que
os materiais estão efetivamente esterilizados. É
importante ressaltar que estes testes se referem somente à temperatura, não indicam,
portanto, o tempo em que o local foi colocado permaneceu naquela temperatura.
Por isso esse teste nunca deve ser utilizado separadamente dos testes biológicos
semanais.
- Validação do processo
Validar é assegurar que
um processo cumpra os fins para os quais foi programado. Com esta finalidade são
definidos parâmetros do ciclo de esterilização, de acordo com as características
de penetração de calor e a natureza do material (termolábil ou termoestável).
Divide-se em:
8.6.1 Qualificação da instalação
Consiste da realização da qualificação
das áreas, certificação dos parâmetros de operação, da configuração e operação
do equipamento, da descrição da seqüência de operação do equipamento, da segurança
do sistema, dos procedimentos qualitativos (calibração e manutenção) e da documentação. A
documentação consiste em descrever os resultados da operação, da calibração, das
definições dos métodos de controle do processo, do espectro da distribuição da
temperatura, da segurança a ser empregada pelo sistema (termostatos, pressostatos,
alarmes sonoros e visuais para temperatura e pressão).
8.6.2 Qualificação do processo
Tem como finalidade estabelecer
a reprodutibilidade do processo. Deve incluir a configuração da carga mais difícil
de esterilizar, e outras necessidades específicas do processo com os locais onde
termopares e bioindicadores serão colocados, a distribuição de temperatura no
interior da câmara, avaliação das embalagens e a documentação dos resultados finais.
8.6.3 Certificação
É o documento final, obtido na
revisão de toda a documentação (qualificação do processo e da instalação). É necessário
à liberação da rotina de trabalho, devendo ser feita anualmente.
- CENTRAL DE AR COMPRIMIDO MEDICINAL
O ar comprimido é errado no
ambiente hospitalar com a finalidade de proporcionar ao paciente terapia respiratória.
O ar para fins médicos deve ser isento de micro-partículas e microorganismos (estéril).
Esta necessidade é justificada por seu uso direto em pacientes debilitados que
necessitam de aparelhos de suporte ventilatório. Também
é utilizado em centros cirúrgicos na diluição de anestésicos e outros gases. Um
dos riscos ao paciente é a infecção respiratória, muito comum em UTI’s. Outro
é o barotrauma, que ocorre quando a pressão no interior do pulmão do paciente
é excessivamente alta e suficiente para perfurar a pleura visceral (pneumotórax). Por
outro lado, juntamente com nebulizador, ministram-se soluções medicamentosas pelas
vias aéreas, reduzindo, desse modo, os riscos associados ao uso de oxigênio e
seus custos. Para os
profissionais da área da saúde, a geração do ar comprimido traz riscos associados
ao ruído; além disso, dependendo da localização da central, o ruído gerado interfere
nos exames médicos que necessitam de ausculta, comprometendo assim a qualidade
do exame que esteja sendo feito em pacientes.
9.1 Escolha do local para a instalação
da central A escolha
do local de instalação da central de ar comprimido deve ser feita levando-se em
consideração a segurança do local contra agentes externos, umidade relativa do
ar ambiente, nível de ruído que é gerado no local, proximidade dos pontos de consumo
e outras características mais específicas, como, por exemplo, a pureza do ar captado. Há,
ainda, que se pensar na pureza microbiológica e química do ar que se deseja comprimir.
Nesse sentido, deve ser evitada a proximidade dos seguintes locais onde se encontram
instaladas: as tubulações de descarga de sistema de exaustão de áreas contaminadas
de lavanderia hospitalar, as tubulações de exaustão de sistemas de ar condicionado,
as instalações de vácuo medicinal e as torres de resfriamento de ar condicionado.
A tabela abaixo informa sobre a pureza do ar comprimido a ser utilizado para fins
medicinais (147). Se
a umidade relativa do ar ambiente apresentar problemas referentes à água condensada
dentro das tubulações, independentemente de custos adicionais, a instalação de
unidades secadoras de ar deve ser feita (147). Outro problema relativo à umidade
é a entrada de água em aparelhos de suporte respiratório, cujo princípio de operação
é pneumático. Assim, aumenta o desgaste de peças, os custos e freqüência de manutenção,
além de poder provocar parada repentina do equipamento. Unidades
geradoras de ar comprimido são indistintamente ruidosas, trazendo para o ambiente
hospitalar uma fonte de riscos de danos à saúde do trabalhador. Devem, portanto,
ser instaladas em locais onde seja possível um bom controle do nível de ruído
ambiental. Essas unidades,
situadas em locais distantes dos pontos de consumo aumenta os custos de instalação
e manutenção, bem como o consumo elétrico (redução da pressão no final da linha
de tubos). O dimensionamento do fator de perda de carga é essencial no funcionamento
adequado dos equipamentos e economia de energia elétrica.
9.2. Características de uma central
de ar comprimido medicinal Uma
central de ar comprimido medicinal é basicamente composta por:
- reservatórios, no mínimo dois, para facilitar
a operação de manutenção com a unidade em funcionamento;
- purgador de água condensada no reservatório, que
retira automaticamente a água gerada no processo de compressão do ar. Há casos
em que sua eficácia é limitada, principalmente em instalações mal feitas;
- secador, cuja finalidade básica é eliminar vapores
de água que são arrastados juntamente com a corrente de ar. São utilizados nos
casos em que o purgador de água não funciona bem ou em locais excessivamente úmidos;
- dois compressões (147), os quais isoladamente
devem suprir a demanda do hospital. No Brasil, a grande maioria dos hospitais
usa o tipo alternativo e isento de óleo (pistão e anéis de Teflon grafitados).
Contudo, o tipo mais recomendado é o compressor rotativo selado à água, o qual
não apresenta como subprodutos da compressão os hidrocarbonetos fluoretados;
- separador de água, que tem a finalidade de separar
a água utilizada no processo de compressão do ar (compressores rotativos selados
a água);
- sistemas elétricos
de partida e parada. São fundamentais para a facilidade de manutenção deste sistemas.
- alarmes, que têm a função de sinalizar as pressões
altas e baixas na rede. Devem ser do tipo sonoro e visual;
- filtros, que fazem em diferentes locais da instalação,
purificação do ar em qualidades diferentes. Os filtros mais eficientes devem ser
colocados próximos aos pontos consumidores (salas de inalação, centro cirúrgico,
laboratório de análises clínicas, centro de esterilização de materiais, centro
obstétrico, manutenção e outros);
- sistema
de fornecimento de energia elétrica constituído por: alimentação comercial e de
emergência.
9.3. Eficiência da central na remoção
de partículas Os
compressores têm características diferentes. Existem vários tipos, alternativos
(pistão), rotativos (parafuso, engrenagens, selados à água), cada qual com suas
vantagens e desvantagens. Quando à remoção de partículas, inclusive microrganismos.
Isto faz com que a vida útil de filtros seja aumentada, reduzindo custos e aumentando
a segurança das instalações. Os
compressores alternativos isentos de óleo e com anéis de Teflon grafitados necessitam
de um processo especial para filtragem de resíduos de teflon. Estes resíduos são
gerados e carreados pelo ar no processo produtivo. Devido a alta perda de carga
gerada por filtros, esses compressores devem trabalhar com pressões superiores
a do rotativo selado à água. O desgaste excessivo em função do atrito e altas
freqüências de manutenção, fazem com que esse compressor seja menos recomendado
para uso hospitalar.
9.4. Recomendações para segurança
das centrais de ar comprimido As
principais recomendações para segurança das centrais de ar comprimido são as seguintes:
- deve-se manter peças vitais em estoque para
rapidez e eficiência na manutenção;
- devem
possuir alarmes de alta e baixa pressão;
- ensaios
de rendimento do equipamento devem ser realizados com freqüência;
- sempre
é mais seguro operar com duas unidades em paralelo, aumentando a segurança com
relação a paradas repentinas da unidade principal e com respeito a aumentos repentinos
do consumo de ar;
- testes microbiológicos
da água condensada em reservatórios devem ser feitos freqüentemente;
- teste
de funcionabilidade dos pontos de ar comprimido medicinal devem ser realizados
periodicamente, conforme Apêndice C.
Níveis
Toleráveis de Contaminantes em
Ar Comprimido Medicinal
| COMPONENTES
DO AR MEDICINAL | VALORES
PERMISSÍVEIS | | Oxigênio |
19-23% atm |
| Monóxido
de carbono | - ppm
|
| Dióxido
de carbono | 500
ppm | | Metano |
25 ppm |
| Hidrocarboneto
halogenado total, fluídos
refrigerantes/solventes | 5
ppm | | Agentes
anestésico | 0,1
ppm | | Óxido
nitroso | 5
ppm | | Óleo
e material | 1
mg/m | Fonte:
National Standard of Canada – CAN/CSA-Z305.1-92 10.
CENTRAL DE VÁCUO MEDICINAL O
vácuo medicinal é usado principalmente para aspiração de secreções de pacientes.
A sucção proporcionada por ele arrasta o material biológico, que será depositado
em reservatório específico (frasco de aspiração) para tal fim. Entretanto, secreções
em forma de aerossóis são arrastados junto com o ar ambiente para dentro da tubulação,
sendo levado até a central de vácuo. Uma vez na central de vácuo, ele é lançado
ao ar ambiente. Esse é um importante fator a ser controlado neste tipo de instalação. Para
o controle desse risco, a central de vácuo deve ser instalada em ponto distante
da central de ar comprimido. Outra opção é tratar o ar pelos diferentes processos
existentes, antes de lançá-lo na atmosfera. Desse modo, evita-se a captação deste
ar contaminado pela central de ar comprimido medicinal. Cuidados
especiais devem ser tomados quando a manutenção e lavagem dos reservatórios de
vácuo medicinal. Luvas, óculos de proteção individual, botas e aventais impermeabilizantes
devem ser utilizados. Afim
de determinar a capacidade de produção dessas centrais, as referências 147 e 148
podem ser utilizadas como norma. Ainda para fins de determinar os valores de demanda,
considere como áreas de maior consumo as salas cirúrgicas, de citoscopia, emergência,
UTI e as salas de procedimentos especiais; como de menor consumo as de autópsia,
unidades de diálise, enfermarias, terapia respiratória. Os
seguintes cuidados devem ser tomados quanto ao dimensionamento e instalação da
central de vácuo medicinal: - deve
possuir no mínimo duas unidades, uma das quais, sozinha, deve atender toda a demanda
do hospital;
- deve ser possível, através
de comandos elétricos, estabelecer uma prioridade de uso para estas unidades,
ou seja, uma delas entrará em funcionamento automaticamente toda vez que for necessário,
enquanto a outra ficará em reserva, entrando em funcionamento quando a primeira
dor danificada ou no aumento na demanda;
- o
circuito elétrico deve ser tal que, quando houver quebra ou falha de uma unidade
de geração de vácuo, o funcionamento da outra não seja impedido;
- o
programa de manutenção preventiva, deve incluir informações sobre lubrificação,
serviços, substituição de filtros e de selos mecânicos;
- o
sistema de partida do motor deve possuir um comando de proteção contra sobrecarga;
- o sistema de alimentação elétrica deve ser conectado
automaticamente do sistema de geração de energia elétrica de emergência;
- o ar aspirado durante os procedimentos médicos,
pela unidade de vácuo, deve ser lançado para um local distante, ou seja, 10 metros
de qualquer janela ou porta que possa ser aberta normalmente, 16 metros de qualquer
sistema que trabalhe com ar (ar comprimido medicinal, ar condicionado e sistemas
de ventilação) e no mínimo a 3 metros do solo;
- se
o sistema de vácuo medicinal for utilizado para aspiração dos gases provenientes
de anestesia, os lubrificantes utilizados nas unidades de vácuo devem ser compatíveis
com atmosferas ricas em oxidantes como oxigênio e óxido nitroso; além disso deve
ser dimensionado para este fim.
Com
relação à segurança do paciente, pode-se dizer que está intimamente ligada com
o perfeito funcionamento da central, pois em intervenções cirúrgicas o vácuo é
largamente utilizado. Nos
casos de contaminação microbiológica do ar condicionado, ar comprimido medicinal
e sistemas de ventilação, tanto os pacientes, como os funcionários, podem ser
afetados diretamente.
CAPÍTULO V
Segurança e Equipamentos Médicos INTRODUÇÃO
Quando um acidente ocorre no ambiente
hospitalar, a organização sofre consideravelmente todas as conseqüências a ele
relacionadas. São conseqüências sociais, econômicas ou materiais. A mais grave
delas é a perda da vida humana. É
no sentido de minimizar os riscos potenciais de acidente que o entendimento das
fontes de lesão no ambiente hospitalar deve ser conhecido e os seus riscos controlados.
- Considerações históricas
No final dos anos 60
e início dos anos 70, observou-se um dramático aumento na sofisticação, complexidade
e proliferação da tecnologia médica em hospitais. Várias instituições governamentais
norte-americanas faziam parte da vanguarda do desenvolvimento, inovação e uso
de tecnologia (33). O
uso intensivo da tecnologia possibilitou que algumas de suas aplicações relacionadas
à tecnologia industrial pudessem ser utilizadas no campo da saúde. Equipamentos
foram então copiados de forma grotesca, sub-projetados em relação ao transporte
e portabilidade no ambiente hospitalar. Naquela
época a segurança hospitalar não foi observada. Grande volume de material foi
escrito sobre essa evolução histórica, retratando aspectos relativos à isolação
elétrica de segurança, à monitoração da isolação de linhas e aos testes de segurança.
Centenas de mortes por ano, através de eletrocução de pacientes, e casos similares
ocorreram. São histórias de horror que viraram lendas. Nesse
período o novo campo da engenharia biomédica e a engenharia clínica procuravam
uma causa. Esta causa era a segurança no ambiente hospitalar. Programas de Segurança
do Paciente e Segurança do Usuário foram justificados somente com base na criação
de um ambiente seguro para pacientes e funcionários. No
Brasil, as equipes de Engenharia Clínica são poucas, apenas 10% dos hospitais
com mais de 150 leitos possuem equipes implantadas e em funcionamento (149),
dados relativos aos últimos 12 anos. Atualmente, por iniciativa do governo, através
do Ministério da Saúde, já possuímos várias instituições de ensino ministrando
cursos de especialização em Engenharia Clínica (150), com o objetivo de
recuperar e administrar a vida útil de equipamentos médicos que estão paralisados
(20 a 40% do total existente) (149) por carência de pessoal especializado
nessas atividades. Nesse sentido, uma nova concepção de segurança do paciente
está sendo implantada e irá beneficiar milhares de pessoas que fazem uso de tecnologia
médica.
2. ACIDENTES NO AMBIENTE HOSPITALAR-DEFINIÇÕES
Para que o assunto seja tratado
com melhor propriedade, cumpre relacionar algumas definições relativas ao campo
de acidentes. - Incidente:
é qualquer acontecimento fora de ordem. Pode ser a existência de quatro elementos
alojados em uma caixa que deveria possuir seis elementos; pode ser a alimentação
que, servida ao paciente, esteja fria;
- Acidente:
o conceito de acidente pode ser aplicado a um equipamento danificado (perdas materiais)
ou quando alguém sofre algum tipo de lesão que venha a provocar danos ao indivíduo
que foi vitimado;
- Acidente
do trabalho (conceito legal): é aquele
que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal
ou pertubação funcional que leva à morte, perda ou redução, permanente ou temporária,
da capacidade para o trabalho;
- Acidente
do trabalho (conceito prevencionista):
são os fatos que podem prejudicar, interromper uma atividade produtiva, um trabalho,
trazendo ou não prejuízos humanos e ou materiais. Portanto mesmo ocorrências que
não resultem em lesões ou danos materiais, devem ser tidas como acidentes que
exigem uma investigação do pessoal técnico, para evitar a repetição do fato.
3.PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS MÉDICOS
ENVOLVIDOS EM ACIDENTES
3.1. Equipamentos de anestesia
e sistemas respiratórios Anestesia
é um estado do sistema nervoso central no qual a resposta a estímulos nocivos
são suprimidos reversivelmente. Poucos procedimentos cirúrgicos podem ser realizados
sem a indução de anestesia geral. A despeito do fato de que muitos agentes químicos
sejam usados para a produção de anestesia de uma maneira controlada, não há uma
simples teoria para quantificar a ação de todas as substâncias que produzem efeitos
anestésicos (91). A
palavra "anestesia" originou-se com Oliver Wendell Homes, que sugeriu
seu uso paras descrever o estado produzido ao ser humano quando vapor de éter
foi ministrado pela primeira vez a paciente humano, submetido à intervenção cirúrgica.
Este fato ocorreu em 16 de outubro de 1846, sendo o cirurgião J.C. Warren, do
Hospital Geral de Massachussetts. O anestésico foi ministrado por William Morton. Embora
este não tenha sido o primeiro uso de uma substância anestésica em uma cirurgia,
esta demonstração atraiu a atenção para as propriedades elimindoras de dor (analgésicas)
de certas substâncias, bem como a habilidade para controlar a profundidade e duração
da anestesia.
3.2 Riscos em equipamentos de anestesia
e sistemas respiratórios Os
acidentes envolvendo anestesia, apesar de poderem ser evitados com procedimentos
simples e triviais, continuam ocorrendo com freqüência. É impossível listar todos
os riscos concebíveis, entretanto os mais comuns e sérios serão analisados. Muitos
envolvem tipos de equipamentos mais velhos ou situações peculiares, os quais têm
sido modificados e eliminados pelo fabricante. Eles serão analisados devido ao
fato de muitos equipamentos obsoletos ainda estarem em uso.
3.2.1 Hipoxemia
Hipoxemia é uma temerosa complicação,
tendo como conseqüências ao paciente a morte ou lesões (danos) cerebrais. O dano
depende do grau de hipoxemia e o tempo de duração da mesma. Nem pressão sanguínea
ou freqüência cardíaca são indicadores confiáveis do estado de hipoxemia (151).
O significado fisiológico é qualquer estado em que uma quantidade inadequada de
oxigênio está disponível para ou é utilizada por tecidos, seja qual for a causa
ou intensidade. Os aspectos
que envolvem a hipoxemia, normalmente estão relacionados diretamente a problemas
com o suprimento de oxigênio, dentre os quais são destacados:
- Problemas com a linha de tubos:
- pressão de trabalho insuficiente;
- mal funcionamento de válvulas reguladoras de pressão;
- falha do sistema de alarme de baixa pressão;
- alarme de baixa pressão funciona mas o pessoal
não sabe o que fazer;
- fechamento acidental
da válvula de alimentação do centro cirúrgico;
- vazamento
de oxigênio nas conexões ou dobra na mangueira de alimentação;
- ausência
de manutenção preventiva em equipamentos e instalações de gases medicinais;
- manômetros não aferidos indicam erroneamente a
existência de gás em cilindros vazios.
- Problemas com cilindros:
- quando a tubulação principal não está em
uso ou falhar, o acidente pode ocorrer se os cilindros reservas não estiverem
cheios. Deste modo uma forma de evitar este risco é utilizar duplos cilindros
junto aos equipamentos de anestesia. É de importância vital a verificação da pressão
dos cilindros antes de se iniciar a anestesia;
- desconhecimento
do manuseio. Além de se dispor de cilindros cheios nas salas de cirurgia, o pessoal
envolvido em cirurgias deve saber manuseá-los corretamente;
- instalação
imprópria: quando a instalação de cilindros é feita por pessoal inexperiente e
não treinado, acidentes podem ocorrer na substituição (regulagem imprópria da
válvula redutora de pressão, remoção incompleta da capa protetora contra poeira
ou mesmo conexão em tomadas de gás incorretas);
- problemas
na válvula do cilindro: cilindros cheios podem ter suas válvulas danificadas,
impedindo a liberação correta do gás;
c)Problemas com o equipamento:
- muitas tubulações de conexão internas e externas
de equipamentos de anestesia são feitas de plástico podendo ser deformadas (dobradas)
impedindo a passagem adequada de gás;
- problemas
relativos aos usuários: a não compreensão dos dispositivos de proteção dos equipamentos
de anestesia por parte do usuário constitui um sério risco;
- válvula
de segurança para falha no oxigênio: esta válvula é projetada para eliminar o
fluxo de óxido nitroso quando há falta de oxigênio. Entretanto, esse dispositivo
não garante que o fluxo de gás seja adequado, pois depende somente da pressão.
Estudos do funcionamento de cada dispositivo deste tipo deve ser adequadamente
feito na ocasião da aquisição desse equipamento;
- dispositivos
de alarme: os dispositivos de alarme integrados à maioria dos equipamentos são
do tipo sonoro ou visual. No caso anterior, são acionados por intermédio de pressão,
não monitorando fluxo, o que cria uma falsa idéia de segurança. Além disso, existe
o fato de que alguns deles podem ser desligados ou usarem bateria, o que permite
mais duas possibilidades de falha. Outros tipos de alarme são soados utilizando-se
o próprio fluxo de gases anestésicos, o que aumenta o consumo e deixa de atuar
em caso de falha simultânea do anestésico e oxigênio.
- variações na pressão do suprimento de óxido
nitroso: variações de pressão podem ocorrer e causar com isso uma alteração na
concentração de óxido nitroso em relação ao oxigênio, causando hipoxemia;
- a liberação de outros gases que não o oxigênio
pode ocorrer devido a alterações na cor dos cilindros ou mesmo erro na colocação
de identificação do mesmo;
- ligações cruzadas
entre diferentes sistemas de gases podem surgir, principalmente quando na execução
de reformas ou reparos. Dentro das salas de cirurgia, as tomadas de gás podem
ser erroneamente instaladas, fato que obriga uma inspeção antes da liberação da
rede para o uso. Estas ligações cruzadas podem acontecer inclusive dentro do próprio
equipamento, na ocasião da montagem pelo fabricante ou equipe de manutenção do
hospital;
- problemas com fluxômetros: a
hipoxemia pode ocorrer quando a vazão de oxigênio liberada pelo fluxômetro for
reduzida ou interrompida. A interrupção é comum quando o usuário fecha o fluxo
de oxigênio ao invés de fechar o óxido nitroso;
- outro risco é a falta de calibração ou aferição
dos fluxômetros por serviços independentes possuidores de padrões nacionais destas
grandezas físicas;
- se o tubo do fluxômetro
de oxigênio partir ou permitir vazamento na sua parte superior, o volume total
que chega ao paciente será diminuído. Caso o vazamento ocorra após o fluxômetro,
a diminuição do fluxo não será sentida pelo mesmo. Lembre-se que a leitura do
fluxômetro deve ser feita na metade do diâmetro da esfera;
- quando
o fluxômetro não está calibrado, os gases anestésicos podem ser liberados em excesso
ou oxigênio em falta. É importante lembrar que a precisão dos fluxômetros diminuem
com a diminuição do fluxo. Algumas causas de perda de exatidão em fluxômetros
se devem à sujeira, graxa, óleo que, ao entrarem no sistema, prendem ou danificam
o marcador.
3.2.2 Hipercapnia
Hipercapnia pode acontecer se a
remoção de dióxido de carbono pelo processo de respiração não for adequada. Nem
pressão sanguínea nem freqüência cardíaca são indicadores confiáveis de uma situação
de hipercapnia. Felizmente, concentrações excessivas de dióxido de carbono levam
mais que poucos minutos para acumular e proceder efeitos adversos. Os mecanismos
mais comuns desta falha são: - Falha
de absorção ou do absorvente
O
absorvente tem a finalidade de reter o óxido de carbono proveniente dos gases
exalados do paciente. Quando totalmente saturados, a mudança de cor que nele ocorre
indica necessidade de troca, pois o mesmo não se liga mais ao dióxido de carbono. Quando
a colocação do absorvente não é feita adequadamente (pouco compactado), canais
poderão ser formados dentro do reservatório, impedindo que sua saturação seja
observada. Para evitar esse acidente, deve ser certificado que o absorvente esteja
bem compactado e que os gases exalados circulam por todo o reservatório. - Falta
de passagem pelo absorvedor
Muitos
equipamentos possuem circuitos específicos que são usados para troca de absorvente.
Estes desviam o fluxo principal para outro reservatório de absorvente enquanto
o anterior é completado. Este
sistema também pode ser usado para desviar para o ambiente o fluxo de gases com
altas concentrações de dióxido de carbono, fato que pode suceder no final de uma
cirurgia. Caso na próxima cirurgia o fluxo de gases não seja desviado para o absorvedor
ocorrerá hipercapnia 3.2.3
Hipoventilação Problemas
com o equipamento podem levar ao paciente uma qualidade de ventilação inadequada,
principalmente retenção de dióxido de carbono e hipoxemia. Efeitos adversos podem
aparecer em poucos minutos. Ventilação inadequada pode advir em vários graus e
não é necessariamente uma má função do equipamento. A
detecção precoce da hipoventilação é essencial, mas é habitualmente errônea. A
monitoração dos sinais vitais nem sempre detecta os efeitos nocivos da ventilação
inadequada de modo rápido o bastante para evitar complicações. Observar o movimento
do tórax freqüentemente é recomendável, mas não pode ser utilizado em todos os
casos. O ruído e a movimentação
do pulmão do ventilador (fole) não podem se alterados marcadamente, mesmo se parte
significante do volume corrente é perdido para o meio ambiente. Embora o uso do
estetoscópio seja um confiável vínculo com o paciente, em casos de intubação,
em casos prolongos ou em presença de elevado ruído de fundo, seu uso está longe
da segurança desejada. O
meio mais satisfatório de se acessar a adequação da ventilação é a análise dos
gases sangüíneos, monitoração do dióxido de carbono exalado e medida do seu volume. As
causas básicas de hipoventilação são os problemas inerentes aos equipamentos,
como falha no ciclo e dispositivos de proteção, desligamento acidental, liberação
de um volume corrente menor que o ajustado, falha no fornecimento de gases frescos,
desconexões acidentais e bloqueio no ramo inspiratório. 3.2.4
Hiperventilação Um furo
no fole do equipamento (152) ou fabricação imprópria do mesmo podem causar hiperventilação
pelo acréscimo do volume corrente pré-ajustado. Um investigador determinou que
quando óxido de nitroso é o principal gás a circular pelo ventilador, o volume
do gás liberado é dramaticamente aumentado (153). 3.2.5
Pressão excessiva Casos
de alta pressão no trato respiratório do paciente, transmitida através do sistema
de suporte ventilatório (respiradores) ocorrida durante os procedimentos de anestesia,
têm sido relatados (154). Em adição à interferência com a adequada ventilação,
a alta pressão pode causar barotrauma e efeitos adversos no sistema cardiovascular
(155). Mudanças neurológicas e possibilidade secundária de embolismo cerebral
por ar têm sido expostas. Danos irreversíveis ao paciente podem acontecer em segundos. Como
causas básicas de pressão excessiva, citamos falha da válvula de alívio para alta
pressão, falha no ajuste do alarme da pressão máxima permissível ou mesmo obstrução
do ramo expiratório, que aumentarão muito a pressão dos pontos anteriores à obstrução.
A prevenção, para acidentes envolvendo alta pressão, é construir, de acordo com
as características de cada equipamento, um programa de testes e verificações antes
do uso. 3.2.6 Aspiração
de substâncias estranhas A
inalação de resíduos de absorvente pode causar respiração difícil, bronco-espasmo,
laringoespasmo, tosse e diminuição da complacência pulmonar. Resíduos de absorvente
são gerados no "canister" e são levados pela tubulação inspiratória.
Isto pode ocorrer quando o balão está posicionado no lado expiratório, uma vez
que se for pressionado gás à alta velocidade. Será introduzido através do absorvedor. Uma
sobredistensão do balão é uma repentina liberação de pressão através do "Y",
quando o sistema está sendo verificado quanto ao vazamento. Pode forçar uma nuvem
de poeira dentro do sistema de respiração. O projeto de certos sistemas, que possuem
a entrada de gases frescos através do fundo do absorvedor, pode contribuir com
o problema. A inalação
de poeira é menos possível utilizando-se "canisters" de diâmetros maiores,
o que reduzirá a velocidade do fluxo, ocasionando menor turbulência no sistema.
O problema de inalação de poeira pode ser evitado através da colocação de um filtro
no lado inspiratório do circuito, posicionando a bolsa reserva no ramo inspiratório,
aliviando a pressão na válvula de segurança na realização de inspeções de vazamentos.
Deve-se, ainda, agitar o "canister" antes de colocá-lo em uso, para
remover poeira. Equipamentos
esterilizados com óxido de etileno e não aerados adequadamente irão possibilitar
a difusão de óxido de etileno residual nos pulmões do paciente. De outro modo,
se tubulações umidificadas forem esterilizadas com óxido de etileno, teremos a
formação de etileno glicol e conseqüentemente inalação do mesmo. Um
problema que aparece em hospitais com sistema de tubulações reformado ou recém
instalado é o arraste de matéria particulada ou gases provenientes de solda pelo
equipamento, com posterior contaminação do paciente. 3.2.7
Overdose de agente anestésico Uma
overdose de agente anestésico pode resultar em hipotensão, ataque cardíaco, ou
arritmias. A extensão do perigo depende de como o paciente é exposto a estas concentrações
e durante quanto tempo. Se o anestésico na forma líquida é introduzido na linha
de gases frescos, uma situação letal pode resultar ao paciente. As
causas desse tipo de acidente são vaporizador sobrecarregado, vaporizador inclinado
de modo a permitir que anestésico líquido escoe pelo ramo inspiratório em conjunto
com gases frescos, cálculos de anestésicos feitos incorretamente e leituras erradas
em fluxômetros. Outras
causas possíveis são: - vaporizador
ligado sem conhecimento prévio do operador;
- contaminação
cruzada entre vaporizadores;
- vazamentos
em vaporizadores desligados devido ao mau funcionamento da válvula liga/desliga.
3.2.8
Subdose de agente anestésico A
não-liberação da dose adequada de agente anestésico pode ser tão séria quanto
a liberação excessiva, no mínimo, muito embaraçante. Este tipo de acidente pode
ocorrer nas seguintes situações: - falha
no suprimento de óxido nitroso;
- contaminação
do circuito de óxido nitroso com oxigênio;
- vazamentos
nos equipamentos de anestesia, vaporizadores, circuitos e nos equipamentos de
ventilação;
- fluxômetros inadequados, vaporizadores
desligados ou vazios;
- erros de cálculo
ou agente anestésico incorreto;
- posicionamento
incorreto do botão de ajuste do vaporizador;
Em
todos os casos, o controle deste risco deve ser feito com uso de técnicas adequadas
de manutenção e verificações antes da operação do equipamento; 3.2.9
Fogo e explosões A possibilidade
de explosão ou fogo em salas de cirurgia é usualmente reduzida por aqueles que
não usam anestésicos inflamáveis. Infelizmente, esta satisfação não é garantida.
Fogo e explosões podem e ainda continuam a ocorrer. Existem
três fatores básicos para que fogo ou explosões possam surgir a existência de
combustível, fonte de ignição e oxidantes para suportar a combustão.
- Oxidantes para suportar a combustão
O ar servirá como suporte para
combustão, desde que contenha oxigênio. O óxido nitroso também é um poderoso oxidante,
o que aumenta o risco das cirurgias de pescoço e cabeça, pois os gases anestésicos
tendem a ocupar a cavidade orofaríngea, criando uma atmosfera enriquecida destes
gases. - Fonte de ignição
Normalmente
as unidades eletrocirúrgicas são a principal fonte de ignição, pois seu princípio
de funcionamento baseia-se na produção de calor. Outras fontes de calor são os
raios "laser", lâmpadas cirúrgicas, instalações elétricas, eletricidade
estática e fonte de luz para uso em conjunto com fibra óptica. Deve-se
ainda, considerar a compressão adiabática de gases que pode gerar calor suficiente
para a ignição. Isto ocorre quando, no momento da abertura de válvulas de cilindros,
com a subseqüente recompressão do gás em um volume muito menor que o original,
há produção de calor. Este pode ser suficiente para incendiar substâncias, como
óleo e graxa (97). - Substâncias
combustíveis
Inúmeros
artigos utilizados em salas de cirurgia são potencialmente combustíveis, como
por exemplo: tubo endotraqueal, fitas adesivas, tubos e bolsas plásticas utilizadas
em circuito respiratório, esponjas, máscaras, produtos de papel, luvas, roupas
cirúrgicas, gases do trato intestinal, agentes de limpeza e assepsia (álcool e
éter). A orientação dos profissionais de centro cirúrgico com relação a estes
riscos é um dos fatores preventivos a ser aplicado. 3.2.10
Prevenção de acidentes A
prevenção de acidentes, dos quais a anestesia toma parte, é vital, mas também
é uma tarefa difícil. Verificações, manutenção adequada do equipamento e o uso
vigilante são medidas importantes, mas outras são necessárias. A
seleção própria do equipamento é essencial. Confiança, segurança e custo devem
ser considerados. O equipamento deve ser avaliado clinicamente sob condições similares
àqueles em que será utilizado, verificando o que se espera durante o seu uso.
A padronização do equipamento dentro do departamento de anestesia e em outras
áreas do hospital ajudará a diminuir erros. É
essencial a substituição de equipamentos obsoletos. Infelizmente, uma parte do
equipamento, que parece ser a mais viável em um dado instante, pode vir a ser
inferiorizada por uma outra peça mais recentemente concebida. 3.3
Unidades eletrocirúrgicas O
bisturi elétrico utiliza em seu funcionamento altos valores de corrente e tensão
elétrica, faiscamentos e geração de interferência eletromagnética. Estes fatores
são intrínsecos a qualquer tipo de bisturi elétrico, gerando riscos para ambos,
paciente e operador. Os
riscos a que estão sujeitos os operadores são: choque elétrico, incêndio e explosões,
conforme citados previamente. O paciente, por sua vez, além destes, está sujeito
a queimaduras e paradas cardíacas (quando portador de marca passo cardíaco). O
risco de queimadura está associado principalmente à colocação da placa neutra
(eletrodo dispersivo), bem como a instalações elétricas deficientes. Assim sendo,
essas devem ser feitas por engenheiros especializados, e a colocação do eletrodo
deve ser feita após detalhadas explicações dos fabricantes ou dos serviços de
engenharia do hospital. A
corrente elétrica responsável pelo corte tem sua origem no eletrodo ativo (caneta),
a qual, após realizar o corte ou a coagulação, retorna à terra através do eletrodo
dispersivo (placa neutra). A corrente se distribui por toda a área da placa. Em
situações normais, devido à área de contato com o paciente ser suficientemente
grande, não há elevação de temperatura da pele do paciente sob o eletrodo dispersivo.
Em situações anormais podem ocorrer queimaduras. 3.3.1
Queimaduras sob a placa neutra (braços, pés e cabeça do paciente) Este
tipo de queimadura surge quando a placa neutra é mal colocada, formando pouca
área de contato com o corpo humano. Deste modo, com a corrente elétrica circulando
através de pouca área de contato, ocorre elevação da temperatura no ponto de contato
e queimadura na pele. Casos
de queimaduras de braços, cabeça, pés e outras partes do corpo humano, acontecem
em situações, como, quando o fio que liga a placa neutra ao equipamento estiver
rompido ou com mau contato, o equipamento não funcionará, pois o circuito deveria
estar aberto, impedindo a circulação de corrente elétrica. Entretanto, caso o
paciente esteja em contato com a mesa aterrada, teremos um ponto em comum com
a terra efetuado pelo seu corpo, fazendo com que o circuito elétrico funcione.
Desse modo, a corrente circulará através dos pontos de contato, de área reduzida
(alta resistência elétrica), ocasionando a queimadura do corpo nos locais de contato
a mesa. 3.3.2
Queimaduras sob o eletrodo de monitoração cardíaca sem placa neutra Como
verificado anteriormente, a ligação da placa neutra ao equipamento e paciente
é muito importante para o funcionamento do bisturi elétrico. Há situações em que,
mesmo com o fio da placa neutra rompido e mesmo com o paciente isolado da mesa,
ocorre a queimadura do paciente. Esta
queimadura acontece no local onde um dos eletrodos de monitoração cardíaca é colocado.
A causa é a ausência da placa neutra de ligação do paciente à terra e conseqüentemente
ao equipamento. Esta conexão é feita indevidamente através deste eletrodo, fazendo
com que o equipamento funcione normalmente. A queimadura ocorre devido à área
reduzida de contato, à elevação da temperatura do local, à passagem de corrente
por este eletrodo, e conseqüente queimadura do paciente. 3.3.3
Queimadura sob o eletrodo de monitoração cardíaca com placa neutra Este
tipo de queimadura ocorre, pois a placa neutra é colocada em um ponto muito distante
do eletrodo ativo, fazendo com que a corrente proveniente do eletrodo ativo se
divida em duas partes. Uma retorna à terra pela placa neutra e a outra parte pelo
eletrodo de monitoração. Devido à área reduzida desse eletrodo, ocorrem queimaduras
na pele do paciente. 3.3.4
Cuidados para evitar queimaduras do bisturi elétrico Para
evitar as situações acima, as seguintes instruções devem ser seguidas:
- deve ser certificado que o fio da placa neutra
não está rompido;
- deve ser certificado
que haja bom contato elétrico entre a placa neutra e o corpo do paciente. Utilizar
gel condutor próprio para este fim;
- colocar
a placa neutra o mais próximo possível do ponto da intervenção cirúrgica;
- utilizar, sempre que possível, bisturi elétrico
de última geração, com todos os dispositivos de proteção incorporados;
- em caso de acidente, um profissional habilitado
deve ser acionado para o diagnóstico da situação, de modo a evitar repetição de
casos.
3.3.5
Cuidados durante a manutenção e utilização dos fios elétricos do bisturi (eletrodos
ativos e dispersivos) O
equipamento de eletrocirurgia opera com correntes elétricas alternadas de alta
freqüência (1 MHz a 3 MHz) e com essas freqüências não ocorre a contração muscular
provocada por correntes de baixa freqüência (60 Hz). Normalmente,
os cabos dos eletrodos ativo e dispersivo são recebidos com o comprimento de 3
metros e indutância equivalente a 3,5 mH (microHenry). Se o cabo dos eletrodos
forem enrolados com poucas voltas, a indutância do respectivo cabo aumenta para
10 mH ou mais. Um circuito com indutância equivalente a 3,5 mH, operando a uma
freqüência de 2 Mhz e uma corrente circulante igual a 1 Ampére (RMS), irá apresentar
uma impedância de 44Ohms. O que produzirá uma diferença de potencial de 44 Volts
através do cabo dos eletrodos ativo e dispersivo. Isso
significa que dizer que a placa do eletrodo de retorno está 44 Volts acima do
potencial das partes metálicas aterradas que se incluem nas salas de cirurgia.
Somando ainda as impedâncias do cabo de retorno, cabo de aterramento e outras
eventuais que dependem do projeto das instalaçãoes, teremos o potencial elétrico
do paciente elevado com relação ao potencial de terra em 50 Volts ou mais. Caso
qualquer parte do paciente entre em contato com outro ponto aterrado, será criado
um caminho alternativo para a passagem de corrente elétrica, que em geral causa
sérias queimaduras nesses pontos, quando a área de contato é pequena. Outro
aspecto relativo aos cabos de alimentação dos eletrodos ativo e dispersivo é o
seu comprimento. Fios excessivamente longos formam um acoplamento capacitivo maior
com relação ao piso de uma sala cirúrgica aterrada. Devido ao fato dos capacitores
terem o comportamento de condutor para rádio-freqüências, haverá fuga de corrente
para os objetos aterrados, podendo inclusive, na pior das hipóteses, fluir através
do corpo do paciente até o terra, via pequenos pontos de contato. O
fato de existir uma diferença de potencial entre o paciente e a terra permitirá
que qualquer corrente de fuga, em determinadas condições, circule pelo paciente,
podendo não raro causar a morte deste. Isto acontece em virtude do paciente estar
cateterizado, situação em que o choque elétrico, apesar de não ser sentido, é
aplicado diretamente sobre o coração. Por este motivo a corrente de fuga de equipamentos
deve ser medida e controlada. De
um modo geral, os acidentes com eletricidade são variados e devem ser investigados
e avaliados por profissional especializado. Quanto ao operador e auxiliares, suas
decisões deverão se basear nas instruções contidas no manual do usuário (operador).
É de fundamental importância não alterar as variáveis previamente ajustadas no
equipamento após a ocorrência de um acidente. Isso permitirá a eliminação de parte
das possíveis causas do acidente. Há
uma tendência de se implantar sistemas de monitoração junto aos equipamentos de
uso médico hospitalar, que gravem todos os procedimentos e ajustes feitos nos
comandos durante o uso dos mesmos. Pelos resultados apresentados na memória do
sistema, a analise do acidente será mais rápida e objetiva, além de permitir o
conhecimento do risco para imediata adoção de medida de controle. 3.4.
Unidade cirúrgica a "laser" Unidades
cirúrgicas a "laser" estão sendo cada vez mais utilizadas para a realização
de cirurgias, devido aos benefícios que apresentam. Entretanto, associados a elas
temos sérios riscos de dano ao ser humano. Um
dos fatores essenciais na segurança desses equipamentos é certificar que nenhuma
outra forma de radiação, exceto aquela que se utiliza na cirurgia, seja liberada
pelo equipamento. Uma
vez que pressões maiores ou menores que a atmosfera são utilizadas por estes equipamentos,
o risco de explosão ou implosão está presente. Desse modo, os aspectos construtivos
dessas unidades devem ser capazes de proteger o usuário e o paciente contra danos
dessa natureza. Por causa dos riscos inerentes a essas unidades, somente pessoal
propriamente treinado devem permanecer dentro das salas onde o mesmo está sendo
usado. O raio "laser"
tem alto rendimento, o que significa que o mesmo pode refletir-se em superfícies
polidas e atingir outras pessoas. Assim, as superfícies capazes de refletí-lo
devem ser minimizadas. Além disso, óculos de proteção individual contra este tipo
de radiação devem ser usados sempre os óculos de proteção individual devem assegurar
adequada atenuação dessa radiação e prevenir a entrada de radiação pela lateral
dos óculos. A proteção
do paciente também deve ser levada a efeito. A proteção dos olhos deve ser feita
e em caso de anestesia geral, seus olhos devem ser cobertos. O local da cirurgia
deve ser coberto por panos úmidos, particularmente quando "laser" a
dióxido de carbono é utilizado. Deve-se
cuidar para que o "laser" não seja causa de ignição de tubos endotraqueais
carregados de vapores anestésicos combustíveis. Todo endotraqueais projetados
para este fim devem ser usados sempre que possível. As
instituições que fazem uso do laser devem ter estabelecidos os procedimentos para
operação segura desse equipamento e o princípio da segurança para operações desse
tipo. 3.5
Unidades de eletrocardiografia Um
eletrocardiógrafo proporciona uma completa e precisa gravação do eletrocardiograma
do paciente. Usualmente, este sinal é gravado com 12 diferentes combinações entre
as posições dos eletrodos. Utilizando gravação de alta fidelidade, é possível
examinar exato e quantitativamente o ritmo e morfologia das formas de onda geradas
pela despolarização das células do miocárdio, bem como níveis de voltagem e tempo
entre os eventos. Desse modo, o eletrocardiógrafo permite um diagnóstico mais
específico e preciso de doenças de origem cardíaca. Vários
padrões e normas de verificação de segurança, incluindo as da American Heart Association
(AHA – 1967) e sua revisão de 1975, incluem critérios de avaliação de desempenho,
para garantir que a gravação esteja livre de erros, não interferindo com a segurança
do paciente no que diz respeito ao diagnóstico. Os testes que visam verificar
se um eletrocardiógrafo está de acordo com os critérios da AHA devem fazer parte
dos pedidos de compra e devem ser empregados no momento da aceitação do equipamento. Eletrocardiógrafos
móveis ou portáteis necessitam especial atenção pela sua contínua manipulação
por diferentes pessoas. O manuseio inadequado pode mudar as características dos
circuitos e afetar a gravação e, conseqüentemente, a segurança do paciente. Os
danos mais frequentes se referem ao estilete, galvanômetros, alimentação do papel,
cabos de alimentação elétrica e plugues. Visando
fornecer informações adicionais sobre os riscos associados ao eletrocardiógrafo,
apresentamos as descrições abaixo: - nenhum
material no eletrodo ou em associação com eletrólitos deve ser passível de causar
danos sob condições normais de uso. Os riscos químicos incluem aqueles relacionados
com toxicidade e reações alérgicas. Riscos mecânicos incluem pressão e punção,
os quais podem causar oclusão vascular ou lesões de pele;
- apesar
do eletrodo ser considerado artigo não-crítico, infecções podem ocorrer (tricotomia).
Contudo, o risco de transmissão de infecção de uma pessoa para outra está atualmente
eliminado com a introdução do uso de eletrodos descartáveis. Nas situações em
que o eletrodo permanece conectado por longos dias ao paciente ou é excessivamente
pressionado contra sua pele, a probabilidade de um acidente por risco químico,
mecânico ou biológico é maior;
- riscos de
iontoforesis e eletrólise são aparentemente insignificantes quando correntes de
linha na entrada de amplificadores, são muito pequenas. Entretanto, durante cirurgias
podem acontecer queimaduras da pele sob os eletrodos do eletrocardiógrafo. A implementação
de dispositivos de proteção tem eliminado este risco;
- alguns
riscos são atribuídos a eletrodos que não tornam possível a captação de sinais
de eletrocardiografia, após uma tentativa de desfibrilação. As altas voltagens
empregadas na desfibrilação causam consideráveis correntes elétricas através dos
eletrodos. Esta corrente aumenta a polarização entre eletrodo/eletrólito, de modo
que uma voltagem anormal persiste mesmo após a corrente de desfibrilação ter sido
interrompida. Quando a voltagem é suficiente para saturar o amplificador, a amplificação
do sinal eletrocardiográfico é impossível;
- o
tipo de paciente que apresenta maior risco de choque elétrico é aquele que possui
um condutor que liga um ponto fora do corpo ao coração. Para este tipo de paciente,
o eletrocardiógrafo deve possuir uma entrada eletricamente isolada.
3.6.
O desfibrilador A questão
de segurança em desfibriladores pode ser atribuída á falha do equipamento, erro
de operação e manutenção imprópria. O grupo de trabalho da FDA, especializado
em desfibrilizadores analisou, dados de 1400 falhas com desfibrilador a ele relatadas.
Foi conduzida investigação no local em cerca de 600 desfibriladores (156). Concluiu-se
que a parte mais significante das falhas como desfibriladores estava relacionada
a erros de operação e manutenção adequada de equipamento. Outros problemas foram
atribuídas a características de performance do desfibrilador. Assim,
para garantir o uso seguro do desfribilador, o operador deve estar intimamente
familiarizado com sua operação. Além disso, deve saber como garantir a segurança
do paciente e dos elementos que fazem parte de sua equipe, bem como manter o equipamento
e seus acessórios em perfeitas condições de uso. A
garantia da segurança do paciente envolve várias considerações. A primeira delas
é minimizar o erro clínico, reavaliando a situação. O paciente está realmente
em fibrilação? Isto pode parecer elementar, mas várias situações podem efetivamente
imitar a fibrilação ventricular. Um eletrodo com fio solto ou movimentação excessiva
do "artfact" pode parecer um caso de fibrilação ventricular. Quando
a movimentação é feita através de pás em uma situação emergência, a possibilidade
disso ocorrer é menor, mas ambas as pás devem fazer um excelente contato com a
pele do paciente, e uma interface inadequada deve ser mantida através de substância
em forma de gel, pasta ou ainda através do uso de eletrodos de desfibrilação descartáveis. Durante
a monitoração através de pás, uma breve parada deve ser feita antes de acessar
o ritmo do paciente. Quando a desfibrilação automática externa estiver sendo usada,
a análise do ritmo do paciente só deverá ser feita em caso de ataque cardíaco
total. Em adição, todo movimento veicular (macas, aviões, helicópteros ou ambulâncias)
do paciente deve cessar antes de se iniciar a análise cardíaca com o desfibrilador
externo automático. Se
o desfibrilador/monitor tem um seletor de entrada para ECG, tenha certeza de que
o seletor está na posição, pás para monitoração por pás tipicamente cabos I, II
ou III quando usar o cabo de ECG e eletrodos. Acesse o paciente completamente.
Se ele ou ela não respondem imediatamente, confirme a presença ou ausência de
pulso. Aplique gel, pasta,
pás com gel ou eletrodos descartáveis antes de carregar o desfibrilador. Minimize
queimaduras de pele usando uma quantidade adequada de gel ou pasta ou utilize
eletrodos descartáveis para desfibrilação. O gel deve ser usado de modo a cobrir
completamente a superfície de ambas as pás. Não use quantidades excessivas de
gel, pois ele pode produzir um caminho de continuidade entre as pás ou atingir
as mãos, proporcionando desse modo perda (fuga) de corrrente. Se
possível, deve ser evitado uma pessoa apenas para fazer massagem cardíaca e desfibrilar
alternadamente. Procedendo deste modo, há um aumento no risco de que o gel, proveniente
do tórax do paciente, seja transferido para o punho das pás do desfibrilador,
colocando o operador em risco. Proteja
o paciente de outros riscos elétricos. Todo equipamento usado na área deve ser
verificado quanto á corrente de fuga. A verificação dos valores permissíveis de
corrente de fuga, as medições após as operações de reparo dos equipamentos e a
periodicidade dos testes serão de atenção do setor de engenharia clínica ou manutenção.
Quanto ao aspecto de segurança do paciente, a atenção do clínico deve ser redobrada.
Rádio-transmissores podem interferir com o traçado do monitor. As máquinas de
diatermia, as quais produzem energia sob a forma de campo elétrico, podem interferir
com a operação do desfibrilador. Equipamentos auxilares, que podem ser danificados
com o choque produzido pelo desfibrilador, devem ser desconectados do paciente. Devido
ao fato do oxigênio dar suporte para a combustão, o potencial de risco é aumentado
para ambientes enriquecidos de oxigênio ou quando uma fonte de oxigênio está próxima
ao paciente quando o desfibrilador é descarrego. Fogo ou explosão podem acontecer
se arcos elétricos ocorrem em presença de altas concentrações de oxigênio. Como
não é prático desligar a fonte de oxigênio durante a defibrilação, equipamentos
para a administração de oxigênio como bolsa-válvula-máscara ou tubulações de ventiladores
devem ser removidas do leito ou maca durante a desfibrilação. Para
garantir a segurança do operado e do pessoal, o operador deve estar certo de que
não haja contato entre o pessoal com o paciente, leito e o próprio desfibrilador,
antes de tentar a desfibrilação. Nenhum contato com o paciente deve ocorrer que
não seja aquele feito através das pás do desfibrilador. Nunca toque a parte metálica
das pás dos desfibriladores ou segure as pás junto a seu corpo quando o desfibrilador
estiver ligado. Uma prática
potencialmente perigosa, a qual não é recomendada, é descarregar o desfibrilador
com as pás no ar, para "testá-lo" ou para liberar uma carga indesejável.
Isto é chamado de descarga "aberta no ar". Quando isso é feito, o desfibrilador
descarrega sua energia em uma resistência interna muito alta. Se um caminho de
menor resistência está presente, a energia seguirá este caminho. Por
exemplo, se o punho das pás tem gel sobre elas, o toque do operador sobre elas
pode criar este caminho. Para testar um desfibrilador, use um equipamento adequado
para tal fim. Para liberar uma carga indesejada, siga as instruções do fabricante.
Alguns desfibriladores têm um botão de desarme ou de ajuste, outros descarregam
energia quando novo valor de energia é selecionado. Há tipos que devem ser desligados
para liberar uma carga indesejada. O
desfibrilador nunca deve ser descarregado com a superfície das pás tocando uma
na outra (descarga com pás em curto). Isto pode causar pequenas perfurações nas
pás, as quais aumentar o risco de queimaduras no paciente e pode, além disso,
diminuir a vida do equipamento. Sempre
limpe as pás após o uso. Uma vez que o gel seco apresenta propriedades condutoras,
a falta de limpeza das pás após o uso pode tornar perigosas as operações de desfibrilação
subseqüentes, bem como as situações de verificação preventiva. Teste
e mantenha o desfibrilador de acordo com o manual de serviço e de operações do
equipamento. Estes cuidados não somente verificam a qualidade operacional do equipamento
mas também familiarizam o operador com o equipamento. Algumas rec |