Módulo 1
Introdução
Microbiologia
Métodos para o TSA
  Macrodiluição em tubos
  Microdiluição em caldo
Realização do teste
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

VI. Laboratório e clínica

Fatores de relevância microbiológica e clínica

Algumas bactérias têm marcadores para avaliação da expressão de sua resistência a determinados antimicrobianos. Por exemplo:

Estafilococos

Staphylococcus aureus é o patógeno mais comum em vários tipos de infecções e Staphylococcus coagulase negativa (SCoN) é o mais comum em infecções da corrente sanguínea relacionadas à assistência à saúde, a maioria relacionada a cateteres intravasculares. Podem estar envolvidos em infecções do sítio cirúrgico, do trato urinário, artrite séptica, abscesso intra-abdominal, osteomielite e otite média.
Um dos marcadores de resistência dos estafilococos é a sua resistência à oxacilina (ou meticilina), cuja identificação pode ser feita pelo uso de oxacilina ou cefoxitina, apesar do método de referência para verificar esta resistência ser a detecção molecular do gene mecA.
Estudos indicam que o mecanismo de resistência à meticilina nos SCoN (MRS) é idêntico ao S. aureus (MRSA): produção de uma proteína adicional ligadora à penicilina (PBP2a), codificada pelo gene estrutural mecA, altamente conservado entre as espécies de estafilococos. Esta resistência prediz resistência às penicilinas, combinações de β-lactâmicos com inibidores de β-lactamases, cefalosporinas e carbapenens. Podem apresentar resultados eficazes in vitro, mas deverá ocorrer falha terapêutica, caso sejam utilizados.
Hoje, além do problema de cepas de S. aureus resistentes à oxacilina isoladas no ambiente hospitalar, há a presença dessas cepas identificadas na comunidade. Em contraste aos MRSA adquiridos no hospital, que geralmente são multirresistentes, esses isolados comunitários são sensíveis a muitos antimicrobianos, mas com freqüência produzem uma importante toxina, a PVL (Panton Valentine Leukocidin), altamente agressiva para os tecidos e neutrófilos.
Mais importante do que a resistência aos β-lactâmicos semi-sintéticos, é o isolamento de amostras S. aureus e SCoN com sensibilidade reduzida ou resistência aos glicopeptídeos. Esses isolados têm sido relatatos em vários países, incluindo o Brasil. SCoN com heteroresistência à vancomicina, também tem sido reportado. O termo heteroresistência à vancomicina tem sido usado para isolados Staphylococcus spp., que contêm uma população de células com diferentes níveis de sensibilidade, incluindo células resistentes à vancomicina. A base genética dessa resistência ainda não está completamente elucidada.
No laboratório de microbiologia essa detecção é bastante difícil, já que o teste de difusão utilizando o disco de vancomicina (30 µg) e os métodos automatizados não identificam esses isolados resistentes, tornando necessário avaliar a CIM da amostra. Define-se, nesse caso, que cepas com CIM ≥ 4μg/mL são resistentes à vancomicina.
A realização de testes de suscetibilidade a outros antimicrobianos, que não os β-lactâmicos e os glicopeptídeos, também tem grande utilidade na orientação terapêutica de infecções causadas por estafilococos. Os testes de suscetibilidade às quinolonas, incluindo a ciprofloxacina e as chamadas quinolonas respiratórias, são recomendáveis, assim como a tigeciclina e a linezolida.

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                                      ATMracional, 2008