Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

2. Ambiente hospitalar - infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) - infecções hospitalares
2.3. Corrente sanguínea - Infecções relacionadas ao uso de cateteres vasculares

Infecções relacionadas ao uso de cateteres vasculares são as principais causas de bacteremia hospitalar. Os agentes mais freqüentes são os S. aureus, Staphylococcus coagulase negativa, Gram-negativos não-fermentadores e K. pneumoniae.

Em muitos países, incluindo o Brasil, o Staphylococcus coagulase negativa tem papel de maior destaque entre as infecções da corrente sangüínea. Este fato deve ser bem avaliado, pois este microrganismo pode ser apenas um contaminante e, portanto, estar relacionado a um procedimento inadequado de coleta, sendo superestimado.
Mesmo assim, em situações específicas, como pacientes com cateteres implantados ou neonatos, este patógeno pode aparecer entre os mais freqüentes. Observa-se que o Staphylococcus coagulase negativa apresenta elevada resistência à oxacilina, sendo causa comum da necessidade do uso de glicopeptídeos no paciente grave. A redução do uso dos glicopeptídeos é um fator importante, pois seu uso tem-se mostrado como fator independente relacionado ao aparecimento de Enterococcus resistente à vancomicina (VRE).

Silva e colaboradores (2000) acompanharam prospectivamente a bacteremia por Staphylococcus coagulase negativa por cinco anos e observaram que 56% dos episódios representavam contaminação de coleta, o que enfatiza que a coleta adequada de sangue para cultura é uma medida fundamental a ser observada nos hospitais.

Considerando que o uso de dispositivos está relacionado a estas infecções, fica claro que a retirada do cateter (vascular ou vesical) é a regra na ocorrência de infecção. Caso seja necessário um novo cateter central, este deve ser colocado, preferencialmente, em outro sítio de punção. No caso de cateteres semi-implantados ou totalmente implantados, a remoção deve ser realizada, sempre que houver infecção do túnel ou abscesso no sítio de inserção do catéter.

 

 

 

Não há dados suficientes que determinem a duração do tratamento de infecções relacionadas aos cateteres vasculares em pacientes com sepse. Estes pacientes devem ser separados entre aqueles com infecções complicadas, isto é, trombose séptica, endocardite, osteomielite ou outros possíveis focos metastáticos, daqueles com bacteremia não-complicada, nos quais não há evidência de tais complicações.
Havendo resposta, após a terapia inicial, a maioria dos pacientes pode receber terapia entre 7 e 10 dias. Um curso maior de terapia antimicrobiana pode ser necessário se ocorrer bacteremia ou fungemia persistente, mesmo após a retirada do cateter, ou se houver diagnóstico de alguma das complicações já citadas.

« voltar 1 » seguir para Outras infecções
                                      ATMracional, 2008