Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

IV. Profilaxia antimicrobiana

2. Odontologia - profilaxia antimicrobiana na prática odontológica
2.3. Escolha do antimicrobiano para a realização da profilaxia em procedimentos dentários

Os antimicrobianos utilizados para profilaxia em procedimentos odontológicos devem:

  • apresentar atividade contra os microorganismos patogênicos e colonizantes presentes na cavidade oral (mucosa/gengivas/dentes);
  • alcançar concentrações efetivas nos locais destinados à prevenção, antes que os microrganismos alcancem estes locais por via hematogênica.



Enxágües da boca com soluções anti-sépticas, à base de clorexidina e iodopovidona, imediatamente antes dos procedimentos dentários, podem reduzir a incidência ou a magnitude de bacteremia. Quinze mililitros de clorexidina podem ser utilizados em pacientes sob risco, por meio de enxágüe oral leve, por 30 segundos antes do tratamento dentário. No entanto, existe a preocupação do uso prolongado ou repetido destas soluções e a seleção de microrganismos resistentes.

 

Otimização do momento de início da profilaxia
Os antimicrobianos devem ser administrados a fim de fornecer um nível de pico sérico efetivo, quando da realização de procedimentos que possam causar bacteremia. Não existe justificativa para iniciar o antimicrobiano mais cedo do que o realmente necessário. Quando o início da profilaxia é feito horas antes da realização do procedimento, tem-se observado que os microrganismos sensíveis à penicilina podem ser substituídos por outros resistentes a eles, podendo causar endocardite. Portanto, a administração realizada 30 a 60 minutos antes do procedimento é considerada apropriada. Se o procedimento tiver uma duração de 1 a 2 horas, uma dose suplementar deverá ser aplicada.

Otimização da duração da profilaxia
Estudos em modelos animais têm evidenciado que o uso de dose única é suficiente para a prevenção da endocardite infecciosa. Apesar disso, observa-se que muitos profissionais têm utilizado a profilaxia antimicrobiana, por maior tempo, desnecessariamente. Esta prática abusiva pode levar à emergência de microrganismos resistentes e expor o paciente a risco de reações adversas ocasionadas pela medicação.
Devemos lembrar que o uso de antimicrobianos com a finalidade profilática das infecções associadas à realização de procedimentos dentários, é apenas um elemento na prevenção de infecções.

Além da indicação apropriada da profilaxia (somente para procedimentos reconhecidamente de alto risco), existem outros elementos fundamentais na prevenção, como:

  • utilização de artigos esterilizados para procedimentos intra-orais. A desinfecção poderá ser suficiente para alguns artigos que entram em contato somente com mucosa íntegra;
  • utilização de boas práticas de controle de infecção;
  • manutenção rígida de técnica asséptica durante a realização de procedimentos intra-orais.
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                                      ATMracional, 2008