Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

2. Ambiente hospitalar - infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) - infecções hospitalares
2.4. Outras infecções

A - Infecções da ferida operatória

Os principais procedimentos relacionados com a ocorrência de infecção do sítio cirúrgico são as cirurgias do trato gastrintestinal ou geniturinário. Nesses casos, os seguintes cuidados asseguram uma maneira eficaz de tratar os pacientes:

  • o controle rigoroso do foco infeccioso;
  • a realização do exame clínico contínuo do paciente pela mesma equipe cirúrgica.

A escolha do antimicrobiano deve ser baseada no perfil de sensibilidade de cada hospital e, preferencialmente, baseada em culturas colhidas em condições assépticas.


B - Infecções intra-abdominais

Neste cenário, o antimicrobiano tem papel complementar, pois a maior parte das infecções intra-abdominais só apresentam melhora significativa após abordagem cirúrgica, com a remoção do foco e a lavagem abundante da cavidade, permitindo uma rápida eliminação do restante do inóculo com poucas doses de antimicrobianos.

As infecções abdominais são freqüentemente polimicrobianas, causadas na grande maioria das vezes por bacilos Gram-negativos e anaeróbios. A necessidade de tratamento primário para Enterococcus spp. permanece controversa nas infecções abdominais.
Em pacientes com persistência de peritonite ou que já tenham feito uso de esquemas antimicrobianos amplos prévios é recomendada a cobertura para MRSA, Enterococcus spp., enterobactérias produtoras de ESBL, bacilos Gram-negativos não-fermentadores e Candida spp. As perfurações do tubo gastrintestinal, deiscências de anastomose com ocorrência de fístulas e pancreatites com necrose são situações de risco para peritonite fúngica.  


C - Infecções fúngicas

Ainda dentro das infecções hospitalares, vale a pena ressaltar a importância das infecções fúngicas, com destaque às candidemias. Em muitas instuições brasileiras, principalmente em unidades de terapia intensiva de hospitais privados, tem sido observado aumento de espécies não-albicans. Algumas destas espécies podem apresentar maior resistência ao fluconazol.

Há diversos estudos demonstrando que fluconazol é uma opção segura frente ao uso de anfotericina B, no tratamento de pacientes com candidemia não granulocitopênicos. Nos últimos anos, ocorreram muitas mudanças na estratégia da terapêutica antifúngica, com aparecimento de novas drogas. Voriconazol, caspofungina, anidulafungina podem ser utilizadas, pois têm-se mostrado eficazes no tratamento de cepas de Candida sensíveis ou resistentes ao fluconazol.

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                                      ATMracional, 2008