Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

IV. Profilaxia antimicrobiana

1. Cirurgia - profilaxia antimicrobiana
1.4. Riscos da profilaxia

Para concluir, não seria correto deixar de citar os potenciais riscos da profilaxia. A administração de um antimicrobiano não é desprovida de riscos, embora muitos cirurgiões desconheçam ou não levem em consideração estes potenciais danos. Os prejuízos causados pelos antimicrobianos podem ser divididos em três tipos:

Prejuízos individuais

O paciente pode desenvolver reações adversas dos antimicrobianos. Na maioria dos casos, estes efeitos são dose-dependente e não se manifestam quando a profilaxia é realizada corretamente. No entanto, as reações de hipersensibilidade não são dose-dependente, apesar de pouco freqüentes.
A diarréia, potencialmente letal, pode ser dose-dependente, apesar de haver relato de casos graves e até óbito, após uso breve de cefalosporinas. Além dos efeitos adversos, há alteração da microbiota do paciente, e há possibilidade de desenvolvimento de infecção causada por patógeno multirresistente. Há também mudança de colonização de espécie e gênero de microorganismos.

Prejuízos "ecológicos"

Ao contrário do raciocínio reinante, o tratamento de um paciente deve levar em conta os riscos para ambiente e para outros pacientes. No caso de profilaxia, o uso de antimicrobianos pode estar associado a aumento do nível de resistência de toda a instituição, podendo haver transmissão de bactérias resistentes para pacientes que não fizeram uso dos antimicrobianos.
Já foi demonstrado aumento do índice de resistência à gentamicina em hospitais onde este antimicrobiano fazia parte do esquema profilático de rotina. Entre as estratégias de prevenção deste problema, citamos a racionalização de antimicrobianos, educação continuada, confecção de rotinas e preferência pelo uso de antimicrobianos de menor espectro.

Custo

O uso de antimicrobianos profiláticos é oneroso e só apresentará relação custo-benefício adequada se utilizada uma alternativa barata, por períodos curtos. Caso contrário, os potenciais benefícios serão suplantados pelos riscos já citados e por gastos diretos e indiretos desnecessários.

 

Obervações importantes:

  • não existe consenso na literatura quanto à cefalosporina de escolha. A cefuroxima é preferida quando a freqüência de enterobactérias para a situação envolvida for elevada, ou em caso de necessidade de concentração em sistema nervoso central. Para as demais operações é recomendada análise de custo-benefício;
  • apesar de muito utilizada no Brasil, a cefalotina é considerada droga de segunda linha, devido à necessidade de repetição intra-operatória menos conveniente. Sua eficácia na prevenção, quando respeitados os intervalos, provavelmente é similar à da cefazolina e cefuroxima;
  • devido à potencial indução de produção de beta-lactamases por certas enterobactérias, o uso da cefoxitina deve ser restrito à profilaxia cirúrgica e, nesta situação, o tempo de uso não deve exceder 48 horas;
  • a infusão rápida de aminoglicosídeos pode provocar bloqueio neuromuscular e interferir na recuperação pós-anestésica. Este efeito não ocorre com a infusão lenta (20-30 minutos) do antimicrobiano. Estes antimicrobianos devem ser evitados em pacientes portadores de insuficiência renal.
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                                      ATMracional, 2008