Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

1. Comunitárias - infecções adquiridas na comunidade
1.3. Trato urinário

A cultura de urina é fundamental para a decisão acerca da terapia adequada, nas seguintes situações:

  • suspeita de infecções urinárias de etiologia hospitalar;
  • infecções urinárias relacionadas ao uso de cateteres vesicais;
  • infecções de repetição;
  • uso prévio de antimicrobianos;
  • pielonefrites agudas;
  • pré-operatório de cirurgias urológicas;
  • prostatites agudas e crônicas.

Tratamento

Em relação ao tratamento, dividimos as infecções urinárias em complicadas, quando existe alguma anormalidade funcional ou anatômica do trato genito-urinário, e não-complicadas:

  • infecções urinárias complicadas - Nas infecções urinárias complicadas, além do uso de terapia antimicrobiana, deve ser priorizada a correção da alteração estrutural ou funcional, com o intuito de evitar a perpetuação do processo infeccioso. Como exemplo é demonstrado por estudos que existe infecção concomitante em cerca de 15% dos casos de litíase renal. A retirada dos cálculos será fundamental para impedir a recorrência ou a persistência do evento infeccioso;

  • infecções urinárias não-complicadas - Nas cistites agudas não-complicadas, em comunidades onde a resistência ao sulfametoxazol-trimetoprima é menor do que 20%, recomenda-se como terapia empírica o uso deste fármaco por, no máximo, três dias.

  • Entretanto, como podemos analisar em estudos de vigilância, a resistência microbiana em infecções do trato urinário da comunidade é maior, sendo frequentemente necessário o uso de outra classe de antimicrobianos, como as quinolonas: norfloxacina, ciprofloxacina ou levofloxacina, durante três dias. Uma outra opção no esquema empírico é a nitrofurantoína, durante 7 dias. Devemos lembrar que a nitrofurantoína não tem concentração sérica confiável para tratar de uma infecção alta. Portanto, está contra-indicada no tratamento de pielonefrites.

Nas pielonefrites agudas, consideradas de maior gravidade em relação às cistites, recomenda-se como terapia empírica o uso de quinolonas (preferencialmente, ciprofloxacina) durante 10 a 14 dias. Se o paciente apresentar sinais de gravidade (febre, leucocitose, vômitos, desidratação ou sinais de sepse) ou ocorrer falha na terapia administrada por via oral, recomenda-se hospitalização, com administração de terapia intravenosa. As opções da terapia intravenosa podem ser compostas por quinolona, aminoglicosídeo associado ou não à ampicilina e cefalosporina de amplo espectro (3ª geração ou 4ª geração). A preferência é uma cefalosporina de 3ª geração (ceftriaxona) ou uma quinolona. Após 48 a 72 horas, deve-se reavaliar mudança para terapia por via oral, de acordo com o resultado do antibiograma.

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                                      ATMracional, 2008