Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

1. Comunitárias - infecções adquiridas na comunidade
1.3. Trato urinário

Uso de antimicrobianos na prevenção da infecção urinária
O uso profilático de antimicrobianos tem por finalidade básica reduzir a freqüência das recorrências. A introdução de esquema profilático não é consensual e não está recomendada para pacientes com sonda vesical de demora.
Pode ser usado em mulheres que apresentam três ou mais episódios de infecção urinária sintomática no período de um ano. Nesta circunstância, usualmente utiliza-se nitrofurantoína (50-100 mg/dia), norfloxacina (200-400 mg/dia) ou co-trimoxazol (800 + 160 mg/dia), nesta ordem de preferência, mantida a profilaxia por seis meses. Caso ocorra reinfecção, a profilaxia deve ser extendida para 12 a 24 meses, eventualmente por cinco anos. Uma conduta alternativa em mulheres que identificam o coito como o fator responsável pela recorrência da infecção, consiste na tomada do antimicrobiano (um comprimido de co-trimoxazol - 400 mg + 80mg, ou um comprimido de ciprofloxacina – 500 mg) após o relacionamento sexual. Outra alternativa de custo/benefício é a ingestão de dose única, diária, de co-trimoxazol (800 + 160mg) ao início dos sintomas, mantido por três dias.

 

Na paciente idosa com cistites recorrentes recomenda-se, após tratamento da recorrência, avaliar os possíveis fatores de risco: cistocele, incontinência urinária, aumento (> 50 ml) do volume urinário vesical residual, higiene perineal. O uso de estrógenos, sob a forma de creme vaginal, reduz a freqüência das infecções.

 

 

Uretrites

Diagnóstico

O diagnóstico clínico de uretrite se faz pela presença de corrimento uretral muco-purulento no paciente, podendo ser dividido em dois grupos: uretrites gonocócicas e não-gonocócicas, das quais são os principais agentes etiológicos: Chlamydia trachomatis, em 15 a 55% dos casos; Ureaplasma urealyticum e Mycoplasma genitalium. Além disso, a co-infecção pela Chlamydia spp. ocorre em 10 a 30% das uretrites gonocócicas e, caso o profissional de saúde não possa realizar uma bacterioscopia da secreção uretral, está indicado o tratamento de ambas. Quando feito o diagnóstico de uretrite, recomenda-se a solicitação de sorologias para HIV, sífilis e hepatites B e C.

No tratamento das uretrites gonocócicas a primeira opção de tratamento é ciprofloxacina 500 mg, por via oral ou ceftriaxona 250 mg, intramuscular, administradas em dose única.

Em relação às uretrites não-gonocócicas, prioriza-se o tratamento para Chlamydia trachomatis, sendo:

  • a primeira opção, azitromicina 1 g, por via oral, dose única ou doxiciclina 100 mg, por via oral, a cada 12 horas, durante 7 dias;
  • e como segunda opção, ofloxacina 400 mg/dia, por 7 dias.

No retorno do paciente após 7 ou 10 dias, em caso de existência do corrimento ou recidiva:

  • investigar presença de transmissão persistente pelo contato com parceiro;
  • avaliar a resistência bacteriana por testes de suscetibilidade;
  • considerar a presença de agentes etiológicos menos freqüentes, como Mycoplasma spp., Ureaplasma spp. ou Thichomonas vaginalis.

Nesses casos, após nova coleta de amostra e análise, recomenda-se: eritromicina 500 mg, por via oral, a cada 6 horas, durante 7 dias, associado a Metronidazol 2 g, por via oral, dose única.

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                                      ATMracional, 2008