Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

1. Comunitárias - infecções adquiridas na comunidade
1.1. Trato respiratório

A – Pneumonia


As infecções do trato respiratório adquiridas na comunidade estão associadas com elevada morbidade e mortalidade, tornando-se um grave problema de saúde pública.

Hospitalização e Mortalidade
Apesar dos grandes avanços terapêuticos a pneumonia ainda é a primeira causa de óbito por pneumopatia no Brasil, com cerca de 40.000 mortes por ano.

Estima-se que:

  • de 2 a 15 / 1.000 pessoas adquirem pneumonia, a cada ano;
  • cerca de 20 a 40% das pessoas com pneumonia necessitam ser hospitalizadas;
  • 5 a 30% dos pacientes hospitalizados por pneumonia requerem tratamento em unidades de terapia intensiva.

Decisão terapêutica
Quase invariavelmente a decisão terapêutica é iniciada empiricamente e baseada em estudos epidemiológicos. O diagnóstico clínico é suspeitado em todo paciente com tosse e febre, e necessita da presença de infiltrado pulmonar ao estudo radiológico para sua confirmação. O maior problema consiste em relacionar o diagnóstico sindrômico da pneumonia aos diferentes agentes etiológicos.

São raros os estudos brasileiros que avaliam os agentes etiológicos das pneumonias adquiridas na comunidade e o verdadeiro papel dos agentes atípicos. Certamente, a incidência de pneumonia por legionela, no Brasil, é inferior à dos países europeus. A legionela é transmitida por circuitos de água ou ar quente, equipamentos pouco utilizados no Brasil pelas condições climáticas. Porém, já foram descritos surtos de legionela em unidades de transplante renal, relacionados à colonização de circuitos de água quente.

Existem diversos fatores que podem determinar maior suscetibilidade à infecção por um microrganismo específico.

A incidência de pneumonia pneumocócica aumenta, acentuadamente, em indivíduos com exacerbações agudas de bronquite crônica (inclusive relacionadas ao tabagismo), asma brônquica, cardiopatias, desnutrição, esplenectomia, infecção pelo vírus da imunodeficiência humana e demais doenças imunodepressoras.

O etilismo tem sido associado com pneumonia por Klebsiella pneumoniae e abscesso pulmonar por bactérias anaeróbias.

Em pacientes com exacerbações agudas de brônquite crônica, além do pneumococo, devem ser considerados H. influenzae e Moraxella catarrhalis.

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                                      ATMracional, 2008