Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

1. Comunitárias - infecções adquiridas na comunidade
1.1. Trato respiratório

Quadro clínico
O quadro clínico da pneumonia bacteriana pode ser altamente variável, dependendo do período da doença em que o paciente procura assistência médica, da idade do paciente, do uso prévio de antimicrobianos, da presença ou ausência de defesa satisfatória do hospedeiro e da existência de fatores de risco para a disseminação da bactéria (por exemplo: asplenia, neutropenia e agamaglobulinemia). A apresentação pode ser leve ou rapidamente letal.

Etiologia
Um regime terapêutico empírico deve considerar, para as pneumonias comunitárias, o importante papel do Streptococcus pneumoniae (agente mais freqüente tanto de pneumonias leves como graves, que requerem internação), Haemophilus influenza e vírus da gripe (influenza), principalmente em idosos.
Embora poucos estudos nacionais tenham determinado a etiologia das pneumonias comunitárias, Mycoplasma pneumoniae, Legionella spp. e Chlamydia pneumoniae são importantes microrganismos envolvidos nestes quadros, em diversos países.

Resistência
Recentemente, tem sido relatado o aumento de cepas de pneumococos moderadamente resistentes à penicilina e, mais raramente, de cepas com alto nível de resistência, problema que atualmente é enfrentado no Brasil, porém em menor escala que nos Estados Unidos, nos países asiáticos e latino americanos, como México, Argentina, Chile e Uruguai. Da mesma forma, tem aumentado a resistência do Haemophilus influenzae e do Staphylococcus aureus a diversos antimicrobianos.

Internação hospitalar
No Brasil, ainda é muito elevado o índice de internação hospitalar para o tratamento de pneumonia, refletindo o grave problema social enfrentado.

Entretanto, a análise objetiva de parâmetros que incluem a idade, sexo, comorbidades, alterações do exame físico, anormalidades laboratoriais e padrão do infiltrado radiológico, permite ao médico a classificação do paciente em grupos de risco e, conseqüentemente, decidir com maior segurança a necessidade de internação hospitalar ou em terapia intensiva.
Diversos critérios têm sido utilizados para classificar os pacientes com pneumonia de acordo com a gravidade. A importância destas classificações está na relação direta entre a gravidade da doença e a mortalidade.

Os critérios de Fine (1997), que estratificam os pacientes de I a V, conforme parâmetros clínicos e laboratoriais, são os mais utilizados para avaliar a gravidade das pneumonias:

  • em geral, os pacientes de classe I e II têm um baixo índice de mortalidade e podem ser tratados em domicílio;
  • para pacientes da classe III, recomenda-se uma breve internação ou tratamento em casa supervisionado pelo médico com contato diário;
  • os pacientes das classes IV e V necessitam de internação.
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                                      ATMracional, 2008