Módulo 1
Introdução
Propriedades
  Farmacocinética
Tratamento
Comunitárias
Antimicrobianos - Base Teóricas e Uso Clínico

III. Tratamento das infecções comunitárias e relacionadas à assistência à saúde diante da resistência microbiana

1. Comunitárias - infecções adquiridas na comunidade
1.1. Trato respiratório

B –Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

A doença pulmonar obstrutiva crônica é uma patologia não reversível, lentamente progressiva e que apresenta reagudizações que deterioram a função pulmonar. A média das reagudizações é de 2,5/paciente/ano.
É difícil obter-se cifras exatas da prevalência de DPOC na América Latina. Os dados de mortalidade variam de acordo com os países considerados e são poucos os que têm dados publicados.

Fatores de risco
A DPOC associa-se a diferentes fatores de risco, sendo que o fator de maior relevância é o consumo de cigarros. O tabagismo elevou-se de forma importante na América Latina, nas décadas de 60 e 70. Os dados disponíveis indicam uma prevalência média de tabagismo na região de 37% em homens e 20% em mulheres. Entretanto, existe uma grande variabilidade entre os resultados observados nos diferentes países. No Brasil existe uma diminuição do tabagismo na última década.

A contaminação domiciliar também é considerada como fator de risco, principalmente em regiões onde há elevado uso de lenha como elemento de combustão para cozinhar.

De menor importância entre os fatores de risco temos a contaminação atmosférica. A evidência atual demonstra que a DPOC pode sofrer agravamento por exposição à poluição ambiental, especialmente por partículas que provocam sintomas de exacerbação. Há, contudo, pouca evidência de que a contaminação ambiental possa, por si mesma, causar DPOC.

Etiologia
Através de múltiplos estudos, considera-se que os patógenos implicados com maior freqüência nas exacerbações da DPOC são Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e Streptococcus pneumoniae.

Tratamento
Atualmente, diversas sociedades científicas têm recomendado os seguintes antimicrobianos no tratamento das reagudizações da doença pulmonar obstrutiva crônica:

  • amoxicilina - clavulanato;
  • quinolonas respiratórias (levofloxacina, gemifloxacina ou moxifloxacina);
  • macrolídeos;
  • cefalosporinas de segunda geração.

O tempo de tratamento das reagudizações é de 5 a 10 dias, dependendo da evolução e do antimicrobiano utilizado. Existe uma tendência de se tratar por menor tempo, quando se utilizam quinolonas respiratórias e azitromicina.

O problema da doença pulmonar obstrutiva crônica no Brasil passa a ser relevante não apenas na atualidade como também no futuro, em virtude do tabagismo na juventude, o que justifica a importância das campanhas preventivas.

Atualmente, é preciso estar consciente de que as exacerbações agudas são um fator freqüente de descompensação da DPOC, principalmente com o recente surgimento de cepas resistentes à penicilina e a outros antimicrobianos, o que torna seu controle mais difícil. As infecções virais, principalmente pelo vírus influenza, é uma importante causa de descompensação do DPOC.

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                                      ATMracional, 2008