II - Apresentação

As doenças infecciosas ainda são responsáveis por elevada morbi-mortalidade, e o diagnóstico etiológico preciso é fundamental na escolha da terapêutica antimicrobiana adequada.

Vale a pena lembrar que em microbiologia clínica o diagnóstico etiológico é seqüencial: presença de coco Gram-positivo em hemocultura colhida há 24 horas, identificado como Staphylococcus aureus em 48 horas e com resistência à oxacilina confirmada no antibiograma em 72 horas.

Todas essas etapas exigem uma padronização rigorosa em todas as suas fases.
- Fase pré-analítica: solicitação da hemocultura pelo médico (que deve incluir a suspeita clínica e informação sobre utilização prévia de antimicrobianos) e a coleta por profissional devidamente treinado;
- Fase analítica: utilização de processos de controle de qualidade (desde o corante utilizado nas técnicas de bacterioscopia, o meio de cultura, as cepas-controle para o antibiograma);
- Fase pós-analítica: liberação dos resultados parciais para o médico assistente.

Outra característica da microbiologia clínica é a possibilidade da hierarquização dos testes a serem realizados com o microrganismo isolado. Por exemplo: uma cultura positiva para bacilo Gram-positivo poderá não ser identificada a nível de espécie dependendo do sítio de isolamento e da suspeita clínica do paciente; entretanto, se o sítio de isolamento for ocular após cirurgia de catarata, a identificação de um bacilo Gram-positivo como Bacillus cereus tem enorme relevância.

Podemos concluir que a atualização científica e profissional constantes com enfoque em qualidade, incluindo as atividades de bancada e de gestão, são fundamentais para uma assistência à saúde efetiva na área da microbiologia clínica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS, desenvolve um programa de excelência com enfoque na constituição da Rede Nacional de Monitoramento da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde.

A Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e o Hospital São Paulo, através do seu Laboratório Central, têm colaborado com esse programa no treinamento de profissionais que atuam na área de microbiologia clínica de diferentes regiões do país. Entretanto, em um país continental como o nosso, há necessidade da inclusão de um número cada vez maior de profissionais em atividades de treinamento, sem que deixem de lado suas atividades profissionais. Uma nova iniciativa da ANVISA, OPAS e Laboratório Central do Hospital São Paulo/UNIFESP pretende enfrentar tal desafio, estruturando o Curso a Distância para “Boas Práticas em Microbiologia Clínica – MC boas práticas”.

Tenho a convicção do sucesso de mais este programa de excelência, e me sinto honrado pelo convite para introduzi-lo junto à comunidade de profissionais de microbiologia clínica.

Prof. Dr. Antonio Carlos Campos Pignatari
Professor Titular e Diretor do Laboratório Especial de Microbiologia Clínica – LEMC da Disciplina de Infectologia da UNIFESP

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